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Afro-Sambas Renascem: Aline Paes e Pedro Franco Celebram Seis Décadas de um Clássico Nacional

A crítica de show destaca a performance de Aline Paes e Pedro Franco, que celebraram os 60 anos do álbum "Os Afro-Sambas de Baden e Vinicius" (1966) em uma recente apresentação memorável no Acaso Cultural, Rio de Janeiro. Com uma cotação de quatro estrelas e meia, o duo reinterpretou um dos pilares da discografia brasileira, infundindo nova vida e seriedade a esse repertório atemporal.
A Maestria dos Artistas em Palco
Um dos pontos altos do espetáculo foi o momento solo de Aline Paes, que, utilizando um pedal para criar uma base rítmica, demonstrou sua voz elástica em "Lamento de Exu". Essa performance evidenciou sua afinação impecável, habilidade rítmica e segurança, qualidades que a consolidam como uma artista que honra as tradições da MPB em um cenário musical desafiador, longe do mainstream comercial. O palco do Acaso Cultural, elogiado por sua acústica exemplar, ressaltou ainda mais o talento da cantora carioca.
Aline Paes, que atua em duo com Pedro Franco desde 2019, encontrou um parceiro excepcional no violonista gaúcho. Franco, que iniciou sua jornada musical no cavaquinho aos sete anos e se firmou no violão após passar pelo bandolim, impressionou com seu toque percussivo e sua versatilidade. Ele já colaborou com nomes como Maria Bethânia e Zélia Duncan, trazendo uma bagagem rica ao palco e enriquecendo a interpretação dos clássicos.
Releitura Respeitosa e Inovadora
O show, com sua sedução inicial em "Canto de Iemanjá" – onde Aline Paes remeteu à interpretação de Dulce Nunes presente no álbum original –, demonstrou a liberdade e o profundo respeito do duo pela obra. Sem buscar uma reprodução exata das gravações, eles exploraram canções como "Bocochê", "Tempo de Amor" e "Canto do Caboclo Pedra Preta", esta última enriquecida pela percussão vocal da cantora. A interpretação de "Canto de Ossanha", com a sensibilidade do duo, enfrentou o legado de gravações icônicas como a de Elis Regina.
Expandindo o universo dos afro-sambas, o repertório incluiu outras composições notáveis de Baden Powell e Vinicius de Moraes, como "Consolação" (1963) e "Labareda" (1962), ambas interpretadas com intensidade. Uma homenagem especial foi dedicada ao centenário de Moacir Santos (1926 – 2006), com a execução de "Oduduá" (com letra posterior de Nei Lopes), reforçando a influência do maestro pernambucano na música brasileira e, em particular, na obra de Baden Powell.
Legado e Continuidade dos Afro-Sambas
Pedro Franco dedicou um emotivo momento solo a Baden Powell, seu grande mentor e inspiração, apresentando o samba "Black Powell" e emocionando-se ao recordar o legado do mestre. Aline Paes, por sua vez, demonstrou sua versatilidade ao transformar "Tristeza e Solidão" em um belíssimo afro-samba-canção, indicando um promissor caminho para explorações melódicas mais acentuadas.
O show culminou com "Berimbau" (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963), uma composição icônica que, apesar de não integrar o álbum original de 1966, foi reservada para o bis, reforçando a atemporalidade e a força dos afro-sambas. A apresentação de Aline Paes e Pedro Franco não apenas honrou o antológico disco, mas também reafirmou a relevância contínua desse gênero na música brasileira, seduzindo novas gerações de artistas e ouvintes, como o duo, cuja sintonia entre o canto de Aline e o toque do violão de Pedro é total.
Fonte: https://g1.globo.com
