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Adolescentes italianos descobrem casa de luxo romana de 1.800 anos sob o ginásio de sua escola
Por anos, os corredores escondidos sob o ginásio de uma escola próxima ao Coliseu alimentaram rumores entre os estudantes. A curiosidade dos adolescentes acabou revelando algo muito maior: uma luxuosa casa romana com cerca de 1.800 anos, preservada sob um edifício moderno no centro de Roma.
Como os estudantes encontraram a casa romana?
Alunos do Liceo Scientifico Cavour exploraram clandestinamente passagens subterrâneas localizadas sob a escola e encontraram salas antigas, corredores escuros e estruturas arqueadas. Depois de ouvirem os relatos, professores comunicaram o caso às autoridades responsáveis pelo patrimônio histórico de Roma.
A professora de história e latim Claudia Marino encaminhou as informações à Superintendência Especial de Roma. As escavações começaram em janeiro de 2026 e confirmaram que os espaços pertenciam a uma domus romana do século II. A descoberta foi apresentada oficialmente ao público em 28 de maio.
A localização torna a descoberta ainda mais importante
O colégio está situado a poucos passos do Coliseu, em uma região que abrigou personagens históricos como Cícero, Pompeu e Otávio, posteriormente conhecido como imperador Augusto. Apesar de sua importância, o bairro ainda é pouco compreendido pela arqueologia devido às construções modernas erguidas sobre as camadas antigas.
O prédio escolar funcionou originalmente como sede de uma congregação missionária católica. Durante obras realizadas no final do século XIX, trabalhadores já haviam identificado parte de uma residência romana no terreno, mas o sítio permaneceu parcialmente esquecido e inacessível durante décadas.
O que foi encontrado dentro da Domus Liceo Cavour?
As escavações revelaram cômodos com afrescos figurativos e florais, revestimentos de estuque e tetos abobadados decorados. Um mosaico formado por grandes peças de formatos irregulares chamou atenção por representar um estilo sofisticado, associado às residências ocupadas pela elite romana daquele período.
Entre os principais elementos identificados pelos arqueólogos estão:
- Afrescos com motivos florais e figurativos nas paredes;
- Decorações de estuque preservadas nas abóbadas;
- Mosaicos produzidos em um estilo valorizado pela elite romana;
- Ambientes residenciais pertencentes a uma casa de grandes dimensões;
- Grafites modernos deixados por visitantes e estudantes no século XX.
As características arquitetônicas indicam que os moradores possuíam elevada posição social. A residência recebeu provisoriamente o nome de Domus Liceo Cavour, em referência à escola que atualmente ocupa o terreno e preserva o acesso aos espaços subterrâneos.
Quem pode ter vivido na residência?
Uma inscrição encontrada durante as primeiras investigações arqueológicas, no final do século XIX, sugere que a casa pode ter pertencido a um integrante da família Umbrius. Pouco se sabe sobre esse grupo, mas pesquisadores consideram que sua origem pode estar ligada ao Sâmnio, região do centro-sul da Itália.
A atribuição ainda não é definitiva, pois apenas uma parte da residência foi examinada. Segundo informações divulgadas pela escola e pela Superintendência Especial de Roma, a estrutura se estende por áreas ainda não escavadas, o que poderá revelar novos objetos, inscrições e detalhes sobre seus antigos moradores.
A descoberta poderá transformar a escola em atração arqueológica
A escola e os responsáveis pelo patrimônio romano pretendem continuar as pesquisas e criar condições para abrir o local aos visitantes. Uma das propostas é envolver os próprios estudantes como guias, unindo educação, preservação histórica e turismo em um espaço onde as aulas acontecem sobre quase dois milênios de história.
O achado mostra que grandes descobertas podem começar com uma pergunta ignorada ou uma história repetida nos corredores. Agora, preservar a Domus Liceo Cavour é urgente para que a curiosidade de alguns adolescentes se transforme em conhecimento acessível às próximas gerações.
