Música
A mudança que fez Alex Lifeson sentir-se inútil no Rush

O Rush sempre foi visto na história do rock como uma banda em que todos seus integrantes contribuíam de maneira vital ao som. Entretanto, houve um período na carreira no qual Alex Lifeson sentiu a diminuição de suas colaborações.
Em entrevista ao canal de YouTube de Rick Beato (via Ultimate Guitar), o guitarrista lembrou de como nos anos 1980 o grupo apostou numa sonoridade mais focada em teclados. Segundo ele, isso significava menos espaço para o seu instrumento.
Neste período, algumas das canções mais célebres do Rush incluem “Tom Sawyer”, “Subdivisions”, “Distant Early Warning”, “The Big Money”, “The Body Electric”, “Red Sector A”, “Time Stand Still”, entre outras. Alex disse:
“Quando a gente gravava esses álbuns, os teclados vinham antes das guitarras. Eu ficava sentado esperando uma eternidade pra fazer algo relacionado à guitarra. E quanto mais coisa de teclado que eu escutava — quanto mais camadas —, era quase impossível para mim desvendar como me encaixava.”
O músico reconheceu que ficou um pouco ressentido com essa situação, mas encarou como um novo desafio. Eventualmente, Lifeson percebeu a possibilidade de simplesmente mudar sua posição no espectro sonoro:
“As frequências ocupadas por teclados são semelhantes a guitarras pesadas. Então não dá pra usar essa abordagem. Então, eu mudei de guitarra. Ao invés de tocar algo como uma Les Paul ou uma PRS, eu usei uma guitarra com captadores ativos single coil. Agora era bem brilhante, bem limpo, capaz de cortar caminho por todas aquelas camadas. Esse acabou sendo meu timbre de guitarra principal para aqueles álbuns, porque foi o único jeito que encontrei de caber na fórmula.”
A visão de Geddy Lee
Em entrevista com Rick Beato (via Ultimate Guitar), Geddy Lee já havia abordado esse período da carreira do Rush e a insatisfação de Alex Lifeson. Apesar de conceder que o guitarrista teve dificuldades, o vocalista, baixista e tecladista afirmou ter sido muito menos tenso no estúdio quanto as pessoas acham:
“Nós éramos um por todos, todos por um. Então nós abraçamos — Alex abraçou — essas mudanças porque era nossa natureza fazer isso. Era necessário ter uma boa razão para não explorar um novo território e qualquer ideia que Alex queria trazer, Neil [Peart, baterista] queria trazer ou eu queria trazer, a gente tinha que experimentar. Se ficava horrível, é claro, a gente não prosseguia.”
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