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a carpa-comum e o impacto silencioso que preocupa os cientistas
A carpa-comum é criada para alimentação e pesca em diferentes países, mas pode provocar mudanças profundas quando introduzida em lagos e reservatórios onde não ocorre naturalmente. Ao procurar alimento no fundo, o peixe revolve o sedimento, deixa a água turva e prejudica a vegetação submersa que sustenta diversas formas de vida aquática.
Por que a carpa-comum revolve o fundo dos lagos?
A espécie se alimenta de larvas, moluscos, vermes, sementes e outros organismos encontrados no sedimento. Para alcançá-los, usa a boca voltada para baixo e movimenta continuamente a camada superficial do fundo, levantando partículas que antes permaneciam depositadas.
- Procura invertebrados escondidos na lama;
- Arranca plantas durante a busca por alimento;
- Suspende argila, matéria orgânica e partículas finas;
- Libera nutrientes que estavam acumulados no sedimento;
- Modifica áreas usadas como abrigo por outros animais.
Como esse comportamento deixa a água mais turva?
A carpa-comum, identificada cientificamente como Cyprinus carpio, pode permanecer várias horas procurando alimento no fundo. Quando muitos indivíduos ocupam um lago raso, a movimentação repetida impede que as partículas se depositem novamente, aumentando a turbidez da água.
O efeito varia conforme a quantidade de peixes, a profundidade, o tipo de sedimento e a ação do vento. Por isso, a presença de uma carpa não transforma automaticamente um lago em água barrenta, mas populações numerosas podem se tornar uma das principais causas da perda de transparência em determinados ecossistemas.
O que acontece com as plantas que vivem debaixo d’água?
As partículas suspensas absorvem e espalham a luz solar, reduzindo a quantidade que alcança o fundo. Sem luminosidade suficiente para realizar fotossíntese, as plantas submersas crescem menos, enfraquecem ou desaparecem. Algumas ainda são arrancadas diretamente durante a alimentação das carpas.
Por que o desaparecimento das plantas favorece algas?
Ao revolver o fundo, a carpa pode liberar fósforo e outros nutrientes para a coluna d’água. Esses compostos ficam disponíveis para algas microscópicas e cianobactérias, especialmente quando o lago também recebe fertilizantes, esgoto ou matéria orgânica de outras fontes. Estudos experimentais já relacionaram a presença do peixe ao aumento de fósforo e turbidez e à redução da cobertura de plantas aquáticas.
A perda da vegetação cria um ciclo difícil de interromper: menos plantas significam menos estabilização do sedimento e menos competição pelos nutrientes. A água permanece turva, a luz continua limitada e o ambiente pode passar de um estado transparente, dominado por plantas, para outro mais barrento e dominado por fitoplâncton.
Como controlar o impacto da carpa em ambientes onde ela é invasora?
A retirada controlada de carpas, a proteção de áreas de reprodução e a instalação de barreiras podem fazer parte dos projetos de recuperação. Em alguns lagos, a redução da população foi acompanhada pelo aumento da transparência e pelo retorno de plantas submersas, mas o resultado também depende da diminuição de esgoto, fertilizantes e sedimentos que chegam pela drenagem.
A espécie não deve ser transportada ou solta em rios, represas e lagoas sem autorização. Assim como aconteceu em outros casos em que peixes introduzidos se transformaram em uma invasão difícil de controlar, uma solução criada para piscicultura pode ameaçar o equilíbrio ecológico quando a espécie escapa e se reproduz fora de sua área natural.
