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rainha impostora engana formigas operárias, ordena a morte da mãe e toma o trono
Uma rainha invasora entra em um formigueiro, manipula o cheiro da soberana e faz com que as próprias filhas matem a mãe que deveriam proteger. Observado em laboratório por cientistas, esse ataque químico permite que formigas parasitas assumam colônias inteiras sem enfrentar diretamente a antiga governante.
Como a rainha parasita invade a colônia?
Algumas rainhas das espécies Lasius orientalis e Lasius umbratus não constroem seus próprios formigueiros. Elas entram em colônias de outras espécies, como Lasius flavus e Lasius japonicus, eliminam a soberana residente e passam a ser cuidadas pelas operárias locais.
Antes da invasão, a parasita adquire o odor das formigas hospedeiras, criando uma espécie de invisibilidade química. Como os ninhos são escuros e a visão desses insetos é limitada, as operárias dependem principalmente de compostos aromáticos para reconhecer parentes, intrusos e possíveis ameaças.
Por que as operárias atacam a própria mãe?
O estudo publicado na revista Current Biology mostrou que a invasora se aproxima da rainha hospedeira e lança sobre ela um fluido abdominal. Keizo Takasuka, biólogo da Universidade de Kyushu e autor principal da pesquisa, acredita que a substância utilizada seja ácido fórmico.
O produto altera ou elimina o odor original da soberana, fazendo com que ela deixe de ser reconhecida como membro da colônia. Em poucos instantes, as operárias passam a tratá-la como uma invasora perigosa, atacando justamente o indivíduo que deveriam defender e manter vivo.
Como o golpe químico foi observado?
Os pesquisadores prepararam rainhas parasitas com operárias e casulos das espécies hospedeiras para que elas adquirissem o aroma adequado. Depois, introduziram cada invasora em um novo ninho e acompanharam como ela avançava entre as operárias até alcançar a rainha residente.
Durante os testes, a sequência apresentou um padrão claro:
- A Invasora era aceita pelas operárias;
- A Parasita se aproximava da rainha residente;
- O Fluido abdominal era lançado sobre a soberana;
- As Operárias atacavam e desmembravam a própria mãe;
- A Invasora repetia o ataque quando necessário.
Daniel Kronauer, pesquisador da Universidade Rockefeller que não participou do estudo, explicou que o ácido normalmente funciona como um sinal de alarme. A rainha parasita reaproveita esse mecanismo defensivo e transforma a soberana da colônia em uma falsa ameaça aos olhos de suas próprias filhas.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Ants Brasil mostrando como uma falsa rainha se infiltra na colônia para tomar o poder.
O que acontece depois da morte da rainha?
Quando a antiga soberana morre, a invasora começa a colocar seus próprios ovos. As operárias sobreviventes cuidam dela e de sua descendência como se nada tivesse mudado. O contato constante com o formigueiro também permite que a nova rainha mantenha o cheiro geral da colônia.
Com o passar do tempo, as operárias originais envelhecem e morrem, enquanto os novos indivíduos pertencem à linhagem da parasita. Dessa forma, a substituição acontece gradualmente até que toda a colônia seja formada pelos descendentes da rainha que tomou o controle por meio da manipulação química.
Por que esse comportamento impressiona os cientistas?
O matricídio é raro na natureza e costuma trazer algum benefício para a espécie envolvida. Nessas formigas, porém, apenas a invasora ganha. Kronauer descreveu a estratégia como egoísta e prejudicial às operárias, que eliminam a própria mãe e comprometem a continuidade de sua linhagem.
A descoberta mostra como odores podem controlar decisões coletivas e transformar protetoras em executoras. Estudos futuros precisarão confirmar a composição do fluido e revelar como o cérebro das formigas interpreta esse sinal. Compreender esse mecanismo agora é essencial para desvendar até onde pode chegar a manipulação no mundo animal.
