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Música

As sete curiosidades sobre ‘Rito de Passá’, de MC Tha

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Lançado de forma independente, Rito de Passá (2019) é um dos discos mais importantes da música brasileira da última década. Primeiro álbum de estúdio da cantora e compositora MC Tha, nascida na Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, o projeto se destaca como um mergulho na identidade da artista: a fé umbandista, as raízes periféricas, a pluralidade sonora e a visão de mundo enquanto mulher negra.

Com produção de Pedrowl e DJ Tide, o disco transita com desenvoltura entre o funk carioca, o pop, a MPB, o brega e ritmos associados às religiões de matriz africana — uma mistura que a crítica batizou de “afrofunkmacumba”.

Com dez faixas, o álbum oscila entre fé e cotidiano, dança e melancolia, sem jamais perder a unidade, e foi responsável por colocar MC Tha entre as artistas mais relevantes do cenário musical independente brasileiro.

A seguir, sete curiosidades sobre o projeto que talvez você ainda não conheça:

1. A faixa-título ficou guardada por dois anos antes do álbum

A música “Rito de Passá”, que dá nome ao disco, foi composta dois anos antes do lançamento. Ela ficou engavetada porque MC Tha ainda não havia encontrado o produtor certo para desenvolvê-la — até cruzar o caminho de DJ Tide, com quem a parceria finalmente se encaixou. Só então a faixa ganhou a forma que conhecemos hoje, com batidas ritualísticas que atravessam terreiros de umbanda e dialogam com a atmosfera do baile funk.

2. A mãe de MC Tha influenciou a escolha do vermelho como cor da era

A paleta visual intensa em vermelho que marca toda a estética do álbum — presente no clipe, nas fotos de divulgação e na identidade visual — não foi uma decisão tomada isoladamente. A mãe de MC Tha teve influência direta ao notar o quanto a filha estava voltada para essa cor durante a criação do disco. A observação se transformou em decisão artística, consolidando o vermelho como símbolo visual da era Rito de Passá .

3. “Despedida” quase ficou de fora do álbum

Uma das faixas mais emotivas do disco quase não entrou na versão final. “Despedida”, a sétima faixa, traz uma letra íntima e carregada de significado, com referências a São Paulo, ao Nordeste e até à astrologia, em uma mensagem de superação que conquistou dezenas de fãs. Apesar do potencial, a música esteve perto de ser cortada durante a curadoria do projeto.

4. MC Tha idealizou e confeccionou o espelho usado em “Oceano

O espelho que aparece no clipe e nas performances ao vivo de “Oceano” foi idealizado e confeccionado pela própria MC Tha. Nos shows, o objeto se tornou um dos momentos mais marcantes da apresentação: a artista o ergue diante do rosto enquanto canta versos sobre a solidão da mulher negra e periférica, transformando o gesto em símbolo de identidade e introspecção.

5. O clipe de “Rito de Passá” passou por aprovação no terreiro antes de ser lançado

Repleto de referências à umbanda — com cenas de oferendas, rituais e imagens gravadas no Cantinho dos Orixás, em Nazaré Paulista —, o videoclipe da faixa-título não chegou ao público sem antes ser aprovado dentro do próprio terreiro de MC Tha. Umbandista batizada há mais de três anos, a artista submeteu o material a uma avaliação espiritual e coletiva antes de autorizar a divulgação, mantendo um compromisso de respeito e responsabilidade com a fé que orienta sua vida e sua música.

6. MC Tha escreve os roteiros dos próprios clipes e projetos audiovisuais

Além de assinar a composição de suas músicas, MC Tha também atua como roteirista de vários de seus videoclipes e projetos audiovisuais. Não se trata apenas de uma artista que canta: ela conduz ativamente a narrativa visual da própria obra, do conceito à execução. Essa característica reforça o perfil de “artista total” que atravessa Rito de Passá — um projeto pensado, criado e realizado com autoria em todas as camadas.

7. O álbum virou objeto de estudo nas universidades brasileiras

Rito de Passá ultrapassou as plataformas de streaming e chegou às salas de aula. O álbum se tornou tema de monografias, dissertações e artigos acadêmicos publicados por universidades de todo o Brasil, sendo analisado por perspectivas que vão da musicologia à antropropologia, passando por estudos de gênero, raça e religiosidade afro-brasileira.

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