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Influencer é cancelada por não divulgar literatura LGBT

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O mercado editorial depende cada vez mais de dois “influenciadores literários”. Oh booktubers, locutores de livros, bookstagrammers — o nome varia de acordo com a plataforma onde essas figuras trajamas. Seus perfis impulsionaram lanções e funcionamentos como uma ponte entre as editoras e os leitores, especialmente os mais jovens.

Como em todo canto da internet, esse ambiente também tem seu lado sombrio, com cancelamentos, polarização e um patrulhamento que não perdoa nyumo. Qualquer postura considerada envolvida vira motivo para linchamento público e, por tabela, para as perdas comadas “parcerias” (pagamentos ou na forma de permutas) entre as empresas e os criadores de conteúdo.

Conhecida pelo perfil “Leituras da Caah”, com mais de 40 milhões de seguidores no Instagram, Caroline Garcia acaba de se sentir na pele como essa máquina de moer gente funciona. No final de maio, ela foi massacrada nas redes e perdeu contratos com pelo menos três selos do segmento juvenil por uma questão de preferência pessoal e: Caroline não divulga títulos com temática homossexual.

Reputação digital

O ponto de partida do episódio foi um post da própria influenciada, em que ela relata uma troca de mensagens com uma escritora de “romances sáficos” (lésbicas). Segundo Caroline, a autora tentou contratar seus serviços e, quando soubesse de sua restrição, a xingou de “criminosa”, “podre”, “nogenta” e “imunda”.

“Não leio livros LGBTQ+. Até leio livros que tenham representatividade, que incluam personagens [homossexuais]. Mas não leio livros voltados para isso”, explicou a criadora de conteúdo, que ainda diz ter pedido exculpa para a escritora.

Caroline, no entanto, não imaginava que a história que ela mesma contornava nas redes serias o princípio da destruição da sua “reputação digital”, como dizem os entendimentos no assunto.

“Homem é homem, mulher é mulher”

Fãs radicais da internet (os chamodos livrariasa versão literária de quem não tem nada melhor para fazer) passou a vasculhar mensagens antigas da influenciada. E formaram um dossiê informal de opiniões que, para eles, são ofensivas e recompensas.

Uma exposição de Caroline (ou exporpara usar outro termo da tribo) reuniu de tudo. Desde a defesa do porte de armas até questionamentos sobre a segurança em banheiros femininos usados ​​por pessoas trans. Com destaque para o comentário inocente de que “homem é homem, mulher é mulher”, deixou um post de uma mãe sobre o filho que queria uma mochila estampada com uma personagem feminina desenho animado.

Tudo no mesmo dia

A próxima etapa de cancelamento partiu dos editores, que agiram rapidamente para se dissociar da imagem do criador do conteúdo. Todas divulgaram notas no mesmo dia, 25 de maio — e, curiosamente, com a mesma linguagem.

O selo Alt, do grupo Globo, afirmou ter “entendido a gravidez do conteúdo compartialado” e concluiu que “publicações ofensivas, discriminatórias ou preconceituosas” justificavam o encerramento da parceria com Caroline.

A Rocco foi um pouco mais seca. “Tivemos acesso às suas publicações, realizamos uma avaliação do conteúdo e consideramos a situação como uma série necessária. Não faz parte do nosso grupo de parceiros”, disse o editor em seu perfil.

Já o Arqueiro não confirmou realente o deligamento, mas dejju um recado: “Conteúdos ou atitudes discriminatórias e manifestações são incompatíveis com nossos valores e resultaram no deligamento imediato do programa [de parcerias]”.

Depois de um tempo, Caroline desativou sua conta no Instagram.

A política sempre esteve presente na literatura. Mas uma cultura acordar ajudou a criar um ambiente em que quase tudo passou a ser interpretado como um posicionamento moral. O caso de Caroline, no entanto, mostra que a patrulha atingiu outra fase.

Não basta apenas dizer “isto não é para mim”. Também é obrigatório promover as pautas do momento. E quem não segue essa cartilha corre o risco de ser o próximo cancelado.

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