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Os insetos estão desaparecendo. E por que isso é importante

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A quantidade de insetos no mundo diminui ano após ano. E sim, isto é importante: se for igual ao da Europa e da UE, for superior a 75% da quantidade de insectos em menos de três décadas, tem o potencial de afectar a produção global de alimentos e causar milhares de milhões de perdas à economia mundial.

Quem faz essas afirmações são estudiosos que há anos vêm percebendo a queda no número de insetos. Os meios para chegar a esse diagnóstico são os mais diversos possíveis, mas todos muito plausíveis de acordo com a ciência. Em dois estudos, pesquisadores do Reino Unido analisaram marcas de insetos deixadas em placas e em dois carros em determinado período.

O resultado: até 62,5% menos insetos entre os anos de 2021 e 2024, segundo levantamento do Instituto Kent Wildlife Trust liderado pelo Dr. Lawrence Ball, pesquisador com passagens pela Ohio State University, nos EUA, e pela Universidade de Kent, na Cantuária, Inglaterra. A inspiração para a pesquisa veio de uma percepção popular de quem viaja por áreas rurais: antigamente os carros juntavam mais “sujeira” de insetos do que hoje em dia.

Entre outros, pesquisadores da Universidade Radboud, na Holanda, e da Sociedade Entomológica Alemã Krefeld espalharam tatus em reservas naturais na Alemanha. Os dados mostram que o peso total de insetos voadores capturados nessas armadilhas caiu mais de 75% em quase 30 anos, enfileirando-se para 82% de queda durante o verão, quando eram esperadas mais capturas.

E, novamente, isso é muito importante. Os insights compreendem um papel relevante na natureza. Desde colaborar na manutenção de matéria orgânica e manter a fertilidade do solo até servir como alimento para um número ilimitado de aves e outros animais. Estudos citam que cerca de 60% dessas espécies dependem dos insetos como fonte primária de alimento.

A morte de insetos afeta a produção de alimentos

Mas talvez o ponto principal e que deveria realmente acender um alerta entre os humanos é o impacto deles na produção de alimentos. Pesquisadores destacaram que até 30% da dieta humana na UE depende direta ou indiretamente da polinização por insetos.

Mais do que isso: os insetos são responsáveis ​​por US$ 3,07 bilhões na produção de frutas e vegetais na UE. Um exemplo notável é o tomate: embora não necessite de ajuda externa para fertilização, uma visita a uma planta apícola nativa pode aumentar o peso do fruto em quase 200%.

E o que está causando esse declínio dos insetos no mundo afora? Um dos preocupados, aponta os pequeros, pode ser o modo como se preparam as sementes das principes culturas plantadas nos EUA e na Europa. Para evitar o ataque de pragas e economizar na aplicação de defesas, os agricultores recorrem a sementes que contam com uma cobertura química que afasta os visitantes incômodos.

Só que o efeito desses compostos ababa o signo do controle, e os extensos campos de milho e soja acabam se tornado verdadeiros desertos venenosos para todos os insetos, não só os que destroem as plantas.

A química que ataca o agressor também afasta quem poderia ajudar. Estudos mostram que os insetos são responsáveis ​​por 33% do controle natural das plantas. Sem eles, os danos causados ​​às plantações por espécies imunes aos pesticidas ultrapassam os US$ 20 bilhões anuais, alerta uma das pesquisas.

Esse é um cenário sem volta? Não, até porque a natureza consegue se recuperar de baques como esses, desde que algo real seja feito. A proibição do uso do DDT, proibido na UE na década de 1970 – e no Brasil apenas em 2009 -, levou 25 anos para mostrar efeitos concretos na recuperação das populações de insetos.

A União Europeia tem sido mais ágil na regulação do uso de sementes protegidas quimicamente. Em 2018 o bloco proibiu o uso de três neonicotinoides no tratamento de sementes (imidacloprida, clotianidina e tiametoxam). O foco era salvar as abelhas. A recuperação começou a dar seus primeiros sinais cerca de quatro anos depois.

Nos Estados Unidos tem uma abordagem é outra. Em fevereiro de 2026, foi assinado um decreto para aumentar a produção e garantir o acesso ao glifosato, tratado pela administração de Donald Trump como uma questão de segurança nacional e essencial para a agricultura americana.

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