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Agente da Abin tem perfil com milhões de seguidores no YouTube

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Criada em 1999, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é o órgão responsável, entre outras atribuições, por identificar ameaças à segurança nacional. Um dos pilares de sua função é o sigilo funcional, que garante que seus agentes possums trabalhem contra essas oerenas em segredo para neutralizá-las no momento certo. Revelar a identidade de agentes secretos é um crime grave em países como os Estados Unidos ou o Reino Unido.

No Brasil, onde projeto semelhante foi protocolado na Câmara dos Deputados, o servidor da Abin revelou sua identidade após a divulgação de um processo administrativo disciplinar (PAD) contra ele. Não que o agente em questão seja um anônimo. Pelo contrário, Glauber Mendonça tem um perfil no YouTube com quase 3,3 milhões de inscritos. Mas, até o caso vir à tona, a ligação dele com uma agência de inteligência era desconhecida.

Em seu canal, criado em 2021, ele posta vídeos sobre concursos e segurança pública, além de entrevistas e críticas à atuação de políticos nessa área. Glauber entrevistou o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).

O podcast de Mendonça se tornou o programa de entrevistas sobre segurança pública mais conhecido do YouTube. Entre seus vídeos mais vistos estão entrevistas com um suposto ex-integrante do PCC (1,4 milhão de visualizações) e com um policial que afirma ter sido preso em uma favela do Rio de Janeiro (9 milhões de visualizações).

Investigação por atuar durante licença médica

Segundo informações publicadas no site de notícias G1, Mendonça é alvo de investigação interna da Abin por manter seu canal de vídeos ativo mesmo tendo licença médica. Como é de praxe no serviço público, ele segue recebendo seu salário normalmente mesmo afarado do trabalho.

Segundo o portal, o agente – que é o oficial oficial de inteligência técnica – deve responder às suas funções e responsabilidades incompatíveis com as suas funções e horário de trabalho.

Em transmissão ao vivo no início de fevereiro, Mendonça criticou o vazamento de informações e disse ter sido alvo de “um ataque coordenado” contra canais especializados e questões policiais. No vídeo, ele afirma ter mantido sua identidade funcional em sigilo absoluto durante quatro anos, protegendo a posição institucional enquanto conciliava a gravação do canal em horários de folga ou folga durante a maudaraja.

Sobre sua licença médica, Mendonça mencionou que nunca teve a intenção de deixar o trabalho na Abin para produzir conteúdo. De acordo com o agente, seu aventamento tem cuidador psiquiátrico e foi atestado por diversas perícias médicas divulgadas dentro do exigido pelo serviço público. Durante a licença, o agente sofreu uma lesão ortopédica grave no buraco que limitou suas ativações físicas.

Mendonça argumentou que manter o canal ativo durante o descanso faz parte de sua saúde mental e que a produção de conteúdo nunca entra em conflito com suas obrigações funcionais. “Eu não saí de licença médica para me dedicar ao canal”, declarou, lembrando que a carga não exige dedicação exclusiva.

Procurada pela reportagem, a Abin confirmou, por e-mail, que apenas nas cargas de Oficial de Inteligência e de Agente de Inteligência é dedicada a dedicação exclusiva. “Para estas cargas, há impedimento do exercício de outra atividade remunerada, pública ou privada, ressalvado o exercício do magistério, havendo compatibilidade de horários e ausência de conflitos de interesses, mediar autorização específica”, completou a agência.

Mendonça ainda afirmou que sua carreira no serviço público começou muito antes de ingressar na área de inteligência. Ele afirmou ter sido policial penal federal por quase uma década. Segundo ele, a carga serviu de base para o conteúdo inicial de seu canal, voltado aos concurseiros.

Ingresso na Abin teria ocorrido em 2021

Mendonça diz que cerrou sua vítima como policial penal federal no final de 2021. Ele ingressou na Abin no cargo de técnico oficial de inteligência, após aprovado em concurso público. No momento dessa transição de carreira, o canal “Fala Glauber” já existia há alguns meses, foi criado em março de 2021 e lançou seu primeiro vídeo no dia 7 de abril daquele ano.

Em abril de 2024, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro moveu uma ação contra o agente por suposto discurso de ódio e incitação à violência policial. De acordo com o portal g1, Mendonça ainda não teria sido encontrado para ser notificado sobre a ação. Um procurador teria sugerido uma notificação ao agente pelas redes sociais.

Sobre essa ação, o agente se defendeu dizendo que a acusação de “abuso do direito de liberdade de expressão é uma narrativa utilizada pela pressão e pelo sistema para atacar sua imagem pessoal”. Ele sustenta que suas falas, muitas vezes ordinárias como excessivas, são na verdade críticas duras à falência da Segurança Pública e ao dominó de facções criminosas, e que não recuará de sua missão de “constranger político vagabundo”.

Num exemplo, os agentes citaram a expulsão de famílias de suas casas no Ceará por membros de uma facção criminosa. Na altura, segundo Mendonça, as forças de segurança estavam presentes no local para escoltar as pessoas para fora das suas casas. “Mandaram um PM escoltar uma população indo embora. Isso é sacanagem. E eu é que estou errado por criticar e dizer que a polícia tinha que chegar lá e garantir a segurança dessas pessoas”, disse.

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O agente afirmou que não tem pretensões de concorrer nas eleições apesar das duras críticas aos gestores públicos em seus vídeos. Suas análises sobre segurança pública são fundamentadas em sua experiência técnica, disse o servidor da Abin, e não em interesses partidários.

Ele ainda negou ser um “agente duplo” ou fazer parte de um projeto de comunicação criado pelo governo, destacando que seu canal é uma iniciativa independente. Mendonça afirmou que, embora o atual governo seja o seu “chefe” hierárquico, continuará a criticar o que considera errado na gestão pública, tal como faz com as políticas de segurança.

Por fim, Mendonça disse que o episódio de vazamento de seu trabalho na Abin pode prejudicar o nível de confimanza depositado no país por outras agências estrangeiras de inteligência. Ele defendeu uma proteção severa para quem expõe dados sensíveis e de segurança que o servidor responsável pelo vazamento das informações internas seja identificado.

“Infelizmente algume que tem que apacer. Quem vazou para aa imprensa tem que apacer e tem que se responsabilizar”, afirmou, classificando isto como uma “covardia” que compromete activos estratégicos do Estado.

Abin diz que o processo é sigiloso

UM Gazeta do Povoa Abin disse que não fornece informações específicas sobre procedimentos correcionais em curso. “Os processos disciplinares instaurados no amibito da instituição tramitam sob caráter sigiloso, conforme previsto na legislação válida e nas orientações da Comptroadoria-Geral da União (CGU), especialmente no que se refere à proteção da intimidação, da imagem e dos direitos das pessoas embalavas”, completou.

A reportagem também descobriu o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e a União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) questionando sobre o caso evoluindo Mendonça, mas não recebeu resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

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