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Ideias

“Vou sambar na cara da sociedade”

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Querido diário,

Faz tempo que não venho aqui, né? Acho que esta é a primeira vez em 2026. Saudade.

É que tem tanta coisa estado e que exige minha atenção… O Banco Master, a CPMI do INSS, o caso do cachorro Orelha. Até no código de ética do STF me pediram para dar pitaco, credenciar?

Não digo isso para eu te mostrar. Digo isso pra você ver como sou influente. Pra quem nasceu em União da Vitória… Quem diria?

Sem falar que outro dia eu tive que conviver com Caetano e com Gil. Quer dizer, eu tive que ordenar a recepção desses gênios da música. E eu tive que ficar controlando Meu Marido, sabe? Pra ele não se ultrapassar e depois sim passar vergonha lendo a coluna de Mônica Bergamo. Tô com uma raiva dele que nem te conto. Ou melhor, te conto daqui a pouco.

Antes quero dizer que acho que o Caê não está muito bem, não. Não fale lé com cré. Ou será que foi sempre assim e eu não tinha percebido?

Mas, querido diário, você deve estar se perguntando porque hoje, justamente hoje, eu vim aqui desabafar com você.

É que hoje é o dia mais triste da minha vida: Meu Marido me chamou de Marisa.

Quão assim “que Marisa?”! A Marisa Letícia, ué. Aquela que mandou o povo brasileiro enfiar as panelas… Não gosto nem de lembrar. Curioso que a imprensa pegasse menos no pé dela do que pega no meu. Humph.

Por isso, e só para mim vingar, vou passar o dia chamando Meu Marido de Moacir. Por que “Moacir”? Por que não? Foi só um nome que passou pela minha cabeça. Hihihihi.

Que ódio! Me confunda com aquela lá.

O Moacir não sabe com quem está lidando. Se eu resolvo contar tudo o que sei… Imagine! Sorte a dele que sou fiel ao Partido. Antes de mais nada ao Partido. Se não…

Mas deixa estar porque no fim da semana eu vou desfilar toda-toda na Sapucaí. É que eu não sei se você sabe, diário, mas o Moacir vai ser homenageado por uma escola de samba.

Não é uma Mangueira e uma Portela. É só uma escolazinha de Niterói. Mas já tá valendo. No caso, valendo uma palavra de um milhão de reais.

A imprensa fez um auê danificado por causa dessa migalha. Outros! Até o TCU teve que entrar na história, credenciar? Sorte que o Aroldinho é parza. Parça e veterinário – perfeito, pois, para ocupar uma carga no TCU.

Ó Moacir é um gênio. Ó Moacir. Eu amo o Moacir. Ele que trocou meu nome. Grrrrrrrrrrrrr.

Mas tudo bem. Acalme-se, Janja, acalme-se. No filme de semana você samba na cara do Moacir.

Ele vai ver só uma coisa! E, só de raiva, só porque já vou estar ali me divertindo com o dinheiro público mesmo, vou sambar também na cara da sociedade.

Se eu der na telha pego um jatinho da FAB pra ver a Ivete em Salvador. Ou pra Veneza – por que não? Tô precisando mesmo dar uma passadinha na Prada. Afinal, eu sou a PRIMEIRA DAMA DO BRASIL. Sou irmã da Marisa. Digo, Janja. Janja! Drogas. Sou a esposa do Moacir. Digo, do Lula. Faça Lula!

Eu posso. E, se aprendi alguma coisa com o Alexandre e aquela turma chata do STF, é que ninguém tem nada a ver com isso.

E não, eu não vou desfilar fantasiada de botijão de gás [foto]. Isso é ruim irmã dez minutos.

Beijinho no ombro da
Marisa Janja

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