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Música

89 FM A Rádio Rock completa 40 anos como refúgio inegociável do rock brasileiro

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Quando Junior Camargo reflete sobre os 40 anos da 89 FM A Rádio Rock nos estúdios da Rolling Stone Brasil, ele não está falando de números ou audiência, mas de emoção. “Sendo bem sincero, quando a gente começou a rádio, em 1985, não era planejamento nosso chegar a 40 anos. Para mim, foi uma emoção muito grande a rádio passar por tantas gerações, quatro décadas fazendo rock and roll”, diz.

A rádio completou quatro décadas em 2 de dezembro de 2025 — data que Junior descreve como motivo de “bastante orgulho”. Não é exagero. A 89 FM é um artefato de resistência em um Brasil que raramente protege suas instituições do rock.

O contexto inicial era tão hostil quanto hoje. Quando começou, em dezembro de 1985, — quase simultaneamente ao Rock in Rio — , o rock nacional explodia (Paralamas, Titãs, Traje a Rigor, Capital Inicial), mas a indústria enxergava a rádio com desconfiança. “O rock ali era totalmente uma coisa contracultural”, explica Junior. “E existia, sim, algum preconceito das marcas em anunciarem numa rádio que tocava 24 horas de rock”. Mas a 89 FM foi, aos poucos, quebrando esse paradigma, abrindo as portas não só para a própria emissora, mas para outras rádios e bandas que vieram depois.

Depois de quatro décadas, aquela teimosia inicial virou identidade. Quando questionado sobre o que define a 89 FM, Junior responde sem hesitar: “A essência dela. Apesar de a gente ter passado por diversas mudanças, a essência do rock, mesmo assim, é o principal pilar da 89“. Mas a essência não é só a música. É a relação. “Eu acho que a gente conseguiu formar muitas bandas. Desde Mamonas Assassinas, que não é uma banda 100% rock, mas que também tem a questão da atitude, né? A gente tocou pela primeira vez Raimundos, Charlie Brown Jr., Mamonas, diversas bandas”. O DNA é duplo: rock + entretenimento + proximidade com quem escuta.


Assista abaixo ao vídeo da entrevista


Intuição que salvou a rádio

Mas a história quase terminou em 2012. Depois de seis anos tocando pop (2006-2012), a estratégia inicialmente bem-sucedida virou pesadelo. Ouvintes fiéis se sentiram traídos. Clientes abandonaram a emissora. “A conta não estava mais fechando”, relembra Junior. “E eu achava que era vontade do meu pai, da minha família, até mesmo, de repente, se desfazer da rádio e vender a rádio”.

Junior brinca que “ficamos seis anos ali no divã fazendo terapia”. Mas, então, no final de 2012, algo aconteceu. Ele havia conversado com Tatola sobre trazer a 89 FM de volta como rádio na internet apenas — sem FM. Tatola se empolgou, invadiu a madrugada do último programa com Roberto Maia, improvisou rock puro. Ouvintes começaram a ligar: “Minha rádio, minha rádio”. Clientes grandes começaram a telefonar perguntando como anunciar no retorno da 89 FM. Junior, que estava “já meio pensando em esvaziar as gavetas”, teve uma epifania. Ligou para o pai.

“Eu falei: ‘Pai, a gente vai voltar com a 89 Rádio Rock’. Meu pai achou que eu tava brincando. Meus irmãos perguntavam: ‘Mas se não deu certo em 2006, por que vai dar certo agora?’. “Eu não tinha a certeza absoluta, mas eu tinha uma intuição, que eu acreditava que aquilo poderia dar certo de novo”.

Rock não morre, se reinventa

Em 21 de dezembro de 2012, a 89 FM voltou ao dial tocando a primeira música: “I Believe in Miracles”, dos Ramones. “A volta dela foi rock and roll total, na veia mesmo”, diz Junior. Locutores históricos retornaram e, desde então, a rádio segue.

Quanto à ideia de que o rock morreu? “Já mataram o rock nesses 40 anos, já mataram o rock pelo menos aí umas 20 vezes que eu me lembro. Fora que não me lembro mais”, diz, rindo. “Mas o rock é muito resiliente. O rock não é um único estilo, é muito abrangente. Você tem pop rock, heavy metal — as bandas conseguem se reinventar ou criar coisas que realmente são novas”. O desafio agora não é morrer, é ser ouvido em um mundo de algoritmos.

“Antigamente era entrar no estúdio, tocar, contar que uma gravadora gostasse, e a gravadora fazia o resto. Hoje, não. A banda precisa fazer boa música, isso é lógico, mas também precisa saber lidar com redes sociais. Você precisa ficar alimentando o bendito algoritmo o tempo inteiro ali, né? Você precisa ser criativo para fazer com que aquele engajamento fique rodando nas redes sociais, para impulsionar a carreira da banda também”.

No fim da conversa, Junior resumiu esses 40 anos em três músicas: “I Believe in Miracles” (Ramones), “porque mudou minha vida”; “Eu Quero Ver o Oco” (Raimundos), pela explosão emocional; e “Fátima” (Capital Inicial), pela importância histórica na rádio.

“Que as pessoas continuem ouvindo rock e passando isso para os filhos, para essa nova geração também. E viva o rock!”, finalizou Junior.

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