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“Vivo 76”: Documentário de Lírio Ferreira Mergulha na Era de Repressão e no “Circo” Musical de Alceu Valença

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O documentário "Vivo 76", dirigido por Lírio Ferreira, revisita a trajetória de Alceu Valença entre 1975 e 1976, período marcado pela repressão da ditadura militar e pela efervescência criativa que culminou no icônico show "Vou danado pra catende" e no álbum "Vivo!". A produção, que esteve em destaque na 31ª edição do festival É Tudo Verdade, oferece uma imersão nos bastidores da criação de Alceu e nos desafios políticos enfrentados por ele e seus contemporâneos.

Detalhes e Proposta de "Vivo 76"

Com cotação de quatro estrelas, "Vivo 76" é uma das atrações principais do festival É Tudo Verdade, com sessões programadas em Rio de Janeiro e São Paulo. O filme, concebido por Lírio Ferreira e Cláudio Assis em 2016 e assinado exclusivamente por Ferreira, explora a fase de Alceu Valença que harmonizou a pulsação dos gêneros musicais nordestinos com a energia do rock. O roteiro se aprofunda na infância do artista em São Bento do Una (PE), onde a atmosfera circense já atiçava sua mente, uma metáfora que o próprio Alceu utiliza para descrever a natureza de seu trabalho e a forma como encarou os obstáculos.

A Jornada Artística de Alceu

O documentário acompanha o percurso de Alceu até o momento definidor de 1976, incluindo o lançamento de seu primeiro álbum solo, "Molhado de suor" (1974), que, segundo o artista, representava o mar e a Baía da Guanabara, distanciando-se do sertão profundo. O roteiro é pontuado por diversas músicas do show de 1975, intercaladas com falas do próprio Alceu, captadas em entrevistas recentes e materiais de arquivo. Além da voz do protagonista, o filme conta com depoimentos elucidativos do crítico musical Antonio Carlos Miguel, do músico e pesquisador Charles Gavin e do biógrafo de Alceu, Júlio Moura, que abordam desde a ida do cantor aos Estados Unidos durante o Festival de Woodstock em 1969 até a resistência da elite cultural e a "patrulha" de jornalistas de "O Pasquim".

Reencontro e Colaborações Marcantes

Um dos pontos altos do filme é o reencontro de Alceu Valença com Geraldo Azevedo, seu parceiro do primeiro álbum da discografia (1972). No palco do Teatro Claro Mais, antigo Teatro Tereza Rachel – palco da estreia carioca de "Vou danado pra catende" –, eles cantam composições como "Aquela rosa" e "Talismã". O depoimento de Geraldo Azevedo intensifica o foco na repressão sofrida por artistas da época, ao relatar sua prisão e tortura, um episódio que abalou Alceu a ponto de considerar deixar o Brasil.

Cultura e Repressão: A Luta Contra a Ditadura

O tom político do documentário se acentua ao interligar takes do clipe de "Retrato 3 x 4" – música de Alceu para a novela "O espigão" (1974), veiculada no "Fantástico" da TV Globo – com imagens de manifestações populares contra a ditadura. Essa abordagem destaca o preconceito enfrentado por Alceu, frequentemente rotulado como "louco" ou "maluco" por simplesmente usar cabelo longo. O filme de Lírio Ferreira, assim, não apenas celebra a inovação musical de Alceu Valença, mas também sublinha a coragem e a resiliência de um artista que, com sua "voz de palhaço" e seu "circo" musical, desafiou um período de intensa censura e repressão no Brasil.

Fonte: https://g1.globo.com

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