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Viajar pode ajudar a melhorar a saúde mental, aponta estudo
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Em um cenário global marcado pelo aumento dos transtornos mentais, pequenas mudanças na rotina podem trazer benefícios importantes para o bem-estar emocional. Segundo a (OMS) Organização Mundial da Saúde, condições como ansiedade e depressão estão entre as mais incapacitantes do mundo, afetando centenas de milhões de pessoas.
No Brasil, cerca de 9,3% da população convive com transtornos de ansiedade, um dos índices mais altos globalmente.
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Incluir períodos de descanso e lazer, como viagens, pode contribuir para a promoção da saúde mental. Pesquisas conduzidas por Jessica de Bloom, Sabine Geurts e Michiel Kompier, publicadas no Journal of Happiness Studies, indicam que atividades realizadas durante as férias têm efeitos positivos no humor e na sensação de bem-estar.
Para o psiquiatra Luís Claudio Bochenek, da Afya Goiânia, viajar pode funcionar como uma estratégia complementar às práticas tradicionais de autocuidado. “Quando a pessoa se afasta do contexto habitual de pressão, o cérebro tende a diminuir o estado de alerta constante. Isso favorece a redução dos níveis de cortisol, melhora a qualidade do sono e pode ampliar a sensação de vitalidade e motivação ao retornar às atividades”, explica. Segundo o especialista, experiências positivas vividas durante uma viagem também podem funcionar como “âncoras emocionais”, acessadas mentalmente em momentos de estresse.
A professora de psicologia Mariana Ramos, da Afya Centro Universitário Itaperuna, no Rio de Janeiro, ressalta que o cuidado com a saúde mental está diretamente ligado à adoção de hábitos consistentes de autocuidado, como sono adequado, prática de atividade física, fortalecimento de vínculos sociais e momentos de lazer.
“Um estilo de vida equilibrado favorece a regulação emocional e reduz a vulnerabilidade ao estresse crônico. Nesse contexto, viajar pode atuar como um recurso complementar de promoção de bem-estar, pois rompe a rotina automática, amplia estímulos cognitivos e sensoriais e favorece emoções positivas”, afirma.
Por que viajar faz tão bem à mente?
Especialistas ouvidos pela Catraca Livre apontam alguns dos principais motivos os quais viajar pode ser benéfico à saúde mental. Confira abaixo:
1 – Redução do estresse
O cérebro precisa de pausas de verdade, isso é uma necessidade do corpo. Ele funciona por meio de reações químicas que influenciam nossas emoções, energia e comportamento. Quando ficamos muito tempo sob pressão e excesso de tarefas, esse equilíbrio se desgasta, aumentando o estresse.
Por isso, cuidar da saúde mental inclui fazer intervalos reais na rotina. Férias e viagens, por exemplo, ajudam a quebrar o ritmo automático do dia a dia, tiram o cérebro do “modo de alerta” e reduzem o estresse, funcionando como um verdadeiro reset para o bem-estar.
2 – Estímulo cognitivo e neuroplasticidade
Ambientes novos estimulam a neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de criar novas conexões. Quando viajamos ou vivemos algo diferente, o cérebro precisa se adaptar e prestar atenção a novos estímulos, o que ativa áreas pouco usadas na rotina. Isso melhora a memória, a atenção e a flexibilidade mental.
Mesmo sendo mais intensa na infância, essa capacidade existe a vida toda. Por isso, mudar de ambiente ajuda a tirar o cérebro do automático e voltar à rotina mais adaptado e equilibrado.
3 – Viajar melhora o humor e previne sintomas ansiosos
Viagens e momentos de lazer estimulam emoções positivas e ativam substâncias no cérebro ligadas ao prazer e ao bem-estar. Até o simples ato de planejar uma viagem já aumenta a sensação de felicidade, pois cria algo positivo para esperar. Conhecer novos lugares e pessoas também amplia a forma de pensar e sentir. Quando a experiência é boa, gera lembranças agradáveis e contribui para mais equilíbrio emocional e menos ansiedade.
4 – Fortalecimento das relações sociais
Vínculos sociais são pilares do equilíbrio emocional. Experiências compartilhadas durante viagens costumam ser emocionalmente intensas e memoráveis, fortalecendo laços afetivos e ampliando a sensação de pertencimento e apoio social.
5 – Aumento da autoestima e da autoconfiança
Enfrentar o novo fortalece a autonomia. Situações como se localizar em um ambiente desconhecido, lidar com imprevistos ou adaptar-se a diferentes contextos ampliam estratégias de enfrentamento.
Sob a perspectiva neuropsicológica, desafios estimulam novas conexões neurais e aumentam a flexibilidade cognitiva. Além disso, viajar permite ampliar o repertório de vida e favorecer processos de autodescoberta, integrando-se de forma valiosa a um estilo de vida mentalmente saudável.
Apesar dos benefícios, o psiquiatra Luís Claudio Bochenek alerta que viajar não é a solução para transtornos mentais já diagnosticados. “Em casos de depressão moderada ou grave, ansiedade intensa ou síndrome do pânico, a prioridade deve ser acompanhamento profissional. A viagem pode ajudar, mas não substitui tratamento”.
Para a psicóloga Mariana Ramos, o cuidado com a saúde mental exige constância. “Cuidar da saúde mental envolve hábitos consistentes. A viagem pode ser um recurso valioso dentro de um estilo de vida equilibrado.”
