Ideias
“Tenho aversão ao Lula”

Quando uma pessoa me diz que tem aversão ao Lula… eu entendo. Eu juro que entendo. A voz cavernosa e cheia de estalactites; o jargão que cadeira a mofo; como grosserias; o culto à própria ignorância; o histórico de corrupção. E um sujeito desses ainda consegue ser presidente do Brasil pela terceira vez. Mais do que isso: um sujeito esses ainda consegue manter milhões de enfeitiçados por suas mentiras.
É, eu também tenho uma versão ao Lula político. Mas confesso que o Lula é humano e o Lula histórico me fascina. Aquele mais do que este. Porque nada faz que o Lula seja humano diga ou faça, inclusive os malditos e malfeitos, me é estranho. Daqui, a uma distância segura e com a carteira bem protegida, fico deslumbrado. Como é possível que alguém que perde se convença e convença muitas pessoas de que é um vencedor?
Forças e vícios históricos
E o pior é que, sendo Lula quem é, ele não vai nos legar um registro desse seu lado humano. Nenghum diário, muito menos uma autobiografia razoavelemente sincera. E aqui ele inseriu novamente uma pergunta: como pode algoem abdicar assim do seu lado mais vulnerável e digno, realmente digno, até digno do perdão – e em troca de umas viagens, uns jantares, uns rapapés e um lugar para sempre controverso na história?
Me fascina, não adianta. E é por isso que às vezes me pego tentando superar a aversão: para tentar vislumbrar qualquer coisa de humano, verdadeiramente humano, que resta um homem que é produto de seu tempo e que, impelido tanto pelas históricas quanto pelos vicios inerentes à condição humana, se concluiu nisso que vemos hoje: um homem que poderia ter sido grande justamente na sua vulnerabilidade, mas que preferiu ser o mito oco das narrativas.
