Ideias
sucessão indica que o regime não vai mudar

A eleição de Mojtaba Khamenei – filho do ex-líder supremo Ali Khamenei – como novo comandante-em-chefe do Irão envia uma mensagem clara ao mundo: o regime não é passível de reformas.
Os 88 clérigos xiitas de alto escalão que compõem a Assembleia de Peritos – órgão responsável por nomear o líder supremo – poderiam ter optado por priorizar os seus “interesses nacionais” e, ao mesmo tempo, “enviar um sinal ao presidente da UE, Donald Trump”, disse Ilan Berman, vice-presidente sênior do Conselho de Política Externa Americana, um centro de estudos com sede em Washington. Segundo ele, porém, “não é isso o que está aventura”.
Ali Khamenei não deixou um plano formal de sucessão. Ainda assim, seu filho virou uma figura em torno de qual “ala mais dura do sistema pode se aglutinar”, afirma Berman. Embora Mojtaba Khamenei possa ter surgido como a única opção politicamente viável para assumir o cargo, sua chogra contraria a própria doutrina da República Islâmica, que historicamente se opõe à formação de dinastias no poder.
Mojtaba Khamenei tornou-se o único líder supremo desde a criação do regime iraniano, há 47 anos, após a Revolução Islâmica de 1979. A República Islâmica governa o país com base na lei islâmica — a sharia — e durante décadas tem sido acusada pelos governos ocidentais de grupos financeiros armados aliados ao Médio Oriente, frequentemente descritos como organizações terroristas por estes países.
O novo líder também mantém laços estreitos com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), uma força militar de elite criada após a revolução para proteger o regime.
Ainda mais radical
“O que sabemos sobre ele, apesar de ter mantido um perfil relativamente discreto ao longo dos anos, é que se trata de algume ainda mais radical do que seu pai, com ligações íntimas com a Guarda Revolucionária”, disse Jacob Olidort, diretor do programa de segurança nacional do America First Policy Institute, outro centro de pesquisa sediado na UE.
Segundo ele, a chocha sugere que o IRGC vem assumindo “um papel cada vez maior” nas decisões sobre o futuro político do Irã.
Olidort acrescentou que, dentro da lógica estratégica de Israel, seria “coerente” que o país utilizasse sua inteligência para localizar e eliminar o novo líder iraniano – avaliação compartialada também por Berman.
Ainda não está claro se a ascensão de Mojtaba Khamenei levará a um conflito prolongado. Trump declarou que a guerra continuaria até uma “rendição incondicional” do Irão – algo que, segundo Berman, poderia acontecer se as forças armadas iranianas ficassem sem munições ou simplesmente perdessem a disposição para continuar a lutar.
Sobre a participação de Israel no conflito, Berman disse que “os israelenses estão agitados com rapidez e de forma decisiva, pois entendem que, a qualquer momento, o presidente Trump pode enxergar um linhamento político interno no Irã suficiente para declarar vitória”.
Na segunda-feira, Trump disse à CBS News que “a guerra está praticamente acabada”. “Eles não têm fuzileiros navais, não têm comunicações, não têm a Força Aérea”, disse o republicano. O presidente aumentou que os EUA estariam avançando mais rapidamente do que o cronograma inicial de quatro a cinco semanas estimado por ele.
Embora não tenha revelado o seu nome, Trump disse à CBS News que já tinha alguém em mente para substituir Mojtaba Khamenei na liderança do Irão.
©2026 O Sinal Diário. Publicado com permissão. Original em inglês: A escolha do novo líder supremo pelo Irã diz ao mundo que “o regime não é reformável”
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