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‘Sofrimento intenso’: o que realmente aconteceu com Sthefany Brito após o parto?

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A revelação de Sthefany Brito sobre ter enfrentado uma depressão pós-parto reacendeu um alerta importante sobre saúde mental materna. A atriz contou que viveu um verdadeiro choque emocional após a chegada do filho, Enrico, em plena pandemia, algo que não imaginava diante do sonho da maternidade.

Segundo Sthefany, o período foi marcado por um ‘turbilhão de sentimentos’ que a deixou triste, confusa e emocionalmente esgotada. Ela relatou que, apesar de se considerar prática, se viu chorando todos os dias e só conseguiu seguir em frente quando aceitou ‘respirar e sentir’ durante o processo de terapia. A pandemia, o isolamento e as mudanças hormonais intensificaram tudo.

Para aprofundar o tema, a CARAS Brasil ouviu a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani, que explicou fatores de risco, sinais de alerta e como prevenir a depressão pós-parto.

Quais os gatilhos mais comuns da depressão pós-parto?

Ao comentar sobre o caso de Sthefany Brito, a psiquiatra reforça que a depressão pós-parto é multifatorial. Dra. Maria Fernanda Caliani explica que “a depressão pós-parto é multifatorial e pode ser desencadeada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais”. Alguns dos principais gatilhos incluem:

Fatores hormonais: A queda abrupta nos níveis de estrogênio e progesterona após o parto pode afetar o equilíbrio emocional, contribuindo para o desenvolvimento de sintomas depressivos.

Histórico de transtornos psiquiátricos: Mulheres que já têm histórico de depressão ou ansiedade têm maior risco de desenvolver depressão pós-parto.

Falta de apoio social: O isolamento social, a falta de apoio emocional de familiares ou parceiros, e a ausência de uma rede de apoio podem agravar o quadro.

Leia também: Sthefany Brito fala sobre doença no pós-parto e médica explica: ‘É uma parte crucial’

Mudanças de vida: A chegada de um filho envolve uma adaptação profunda à nova rotina e a responsabilidades aumentadas, o que pode gerar ansiedade, medo e sobrecarga emocional.

Estresse financeiro ou familiar: Preocupações financeiras ou relacionamentos difíceis podem ser estressores adicionais que elevam o risco.

Esses fatores, quando combinados, aumentam a vulnerabilidade ao quadro depressivo pós-parto“, diz a especialista.

Como familiares podem identificar sinais de alerta?

A psiquiatra destaca que muitas mães sentem culpa por estarem tristes em um momento considerado o ‘sonho da vida’. Segundo ela, isso é mais comum do que parece.

Dra. Caliani afirma: “É muito comum que mães se sintam culpadas ou sobrecarregadas, especialmente em um momento que deveria ser de alegria, como a chegada do filho. A pressão social sobre a maternidade perfeita pode agravar esse sentimento de culpa. É essencial que os familiares e parceiros reconheçam que a tristeza e o cansaço são normais, mas que o sofrimento intenso e persistente não deve ser ignorado.”

Ela lista sinais importantes:

• Falta de prazer ou dificuldade em cuidar do bebê.
• Sentimentos constantes de inadequação ou desesperança.
• Isolamento social.
• Culpa excessiva.

E completa: “A melhor maneira de oferecer apoio é escutando sem julgamentos, validando os sentimentos da mãe e oferecendo ajuda prática. Evitar frases como deveria estar feliz ou isso é só fase pode ser crucial para que a mãe se sinta acolhida e compreendida.”

Como prevenir a depressão pós-parto ainda na gestação?

A psiquiatria também já reconhece estratégias preventivas eficazes. Dra. Caliani explica que “a prevenção da depressão pós-parto pode começar já durante a gestação”. Algumas estratégias eficazes incluem:

• Educação sobre saúde mental perinatal.
• Grupos de apoio.
• Prática regular de atividades físicas orientadas.
• Mindfulness e técnicas de relaxamento.
• Apoio social.

Ela conclui: “Ao incluir essas práticas durante a gestação, é possível aumentar a resiliência emocional da mulher e reduzir as chances de desenvolvimento de transtornos como a depressão pós-parto.”

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Dra. Maria Fernanda Caliani

Dra. Maria Fernanda Caliani é médica psiquiatra graduada e especializada em psiquiatria pela Faculdade de Medicina de Marília, em SP. Possui experiências médicas internacionais no currículo, incluindo estágio em psiquiatria hospitalar no Hospital Universitário Miguel Servet, de Zaragoza, na Espanha. Fez aprimoramento em Terapia Cognitivo Comportamental no Instituto de Psiquiatria da USP e atua como terapeuta na área. Foi a chefe da psiquiatria do PS Lapa/SPDM, foi chefe do departamento de psiquiatria do Hospital Geral de Pirajussara/SPDM. É membro efetiva da Associação Brasileira de Psiquiatria.

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