Música
Sharon den Adel fala à RS sobre Within Temptation ao Brasil, Angra e disco novo

Passados dois anos desde a última vez que esteve no Brasil, como headliner do Summer Breeze Brasil, Sharon den Adel vive a expectativa de retornar ao país com o Within Temptation para se apresentar novamente no festival de heavy metal.
Algumas coisas mudaram de 2024 para cá — dentre elas o próprio nome do evento, que agora se chama Bangers Open Air, e o posto de tecladista da banda, com Vikram Shankar substituindo Martijn Spierenburg. Outras, porém, se mantiveram ou seguem no mesmo fluxo, como o fato de o Within Temptation estar menos “sinfônico” e cada vez mais “pesado” e “realista”, falando de temas palpáveis.
Conforme revela Sharon em entrevista à Rolling Stone Brasil, o próximo álbum do grupo neerlandês — sucessor de Bleed Out (2023) — trará letras e, sobretudo, uma sonoridade surpreendente, capaz de deixar os fãs “chocados”. A cantora reflete também sobre suas inspirações na música e a admiração pelo Angra, com quem o WT tocará no mesmo dia do Bangers, 26 de abril (domingo).

Confira, a seguir, os destaques da entrevista.
Entrevista com Sharon den Adel, do Within Temptation
Melhores lembranças do show no Summer Breeze Brasil em 2024
Sharon den Adel: Tivemos uma sessão de autógrafos antes, e as pessoas foram tão gentis e apaixonadas. Talvez pelo fato de finalmente estarmos de volta ao Brasil (após 10 anos, na ocasião). Fiquei feliz que as pessoas não se esqueceram de nós. E a paixão do povo brasileiro é realmente incomparável, sendo sincera. As pessoas estão tão envolvidas com a música, sentindo a música. Essa é a coisa mais bonita que você pode ver quando está tocando no palco.
Novidades e setlist para o Bangers Open Air
Sharon: Só podemos tocar uma certa quantidade de músicas quando estamos em um festival. Então, vamos ter que analisar o setlist. Na verdade, estou fazendo isso exatamente hoje (18 de março, data da entrevista). Analisando o que vamos tocar, o que podemos mudar e se talvez vamos incluir algumas músicas antigas que as pessoas gostariam de ouvir. Temos tempo para ensaiar antes. Com sorte, poderemos incluir alguns clássicos que as pessoas adorariam ouvir e que eu mesma não ouço há muitos anos.
Tocar no Brasil no mesmo dia que o Angra
Sharon: Acho que vai fortalecer o show e a relação entre as bandas. Ambas vão se beneficiar disso, pois há algumas semelhanças. As pessoas podem gostar de tipos diferentes de músicas, mas especialmente quando há algo parecido no lineup isso fortalece a relação e o evento em si.
Reunião do Angra com ex-integrantes
Sharon: Bem, eu não os conheço tanto, mas vi algumas vezes em festivais e sei que é o tipo de música que eu gosto. Estou ansiosa para ver (a reunião). Não conheço tanto a ponto de dizer qual fase é minha preferida, mas agora que sei que eles vão tocar lá, vou me aprofundar.
Música do Within Temptation mais pesada e realista atualmente
Sharon: Acho que foi um processo, mas sempre nos interessamos e nos envolvemos com política e temas sociais que nos inspiram a escrever. No fundo, também somos contadores de histórias. Histórias que nos tocam ou que de alguma forma nos fizeram pensar e ver as coisas de forma diferente. Gostamos de enfatizar certos assuntos da sociedade que estão acontecendo agora. Para nós, é importante abordar esse tipo de assunto. No passado, mesmo no Mother Earth (primeiro disco da banda, lançado em 2000), falamos sobre política, como em “Deceiver of Fools”. É sobre a política de extrema direita que estava surgindo nos Países Baixos e também na Europa naquela época.
Fantasia x política
Sharon: Nunca falamos abertamente sobre o fato de ser uma música política. Então, todo mundo pensava: “ah, é uma música de fantasia”, mas fantasia, especialmente os livros que nos inspiraram a escrever, como As Crônicas de Gelo e Fogo, ou Game of Thrones, enfim, a obra de George R.R. Martin, tudo isso tem muito a ver com política, mas num ambiente de fantasia. Esses mundos não são tão diferentes uns dos outros, basta você ver como o mundo ficou louco desde que começamos a banda. Estamos na ativa há 30 anos. Acho que há muito o que falar sobre o que está acontecendo, embora muitas pessoas não se atrevam a tocar no assunto porque têm medo de se queimar com suas opiniões, mas acho que é muito necessário ter essa discussão social. E, como banda, expressar o que nos preocupa.
Como definir o Within Temptation para alguém que não conhece
Sharon: Também acho isso difícil, porque a cada álbum nós temos pequenas variações em nossa música, e acho que somos uma banda que conta histórias. Algo épico, com sons épicos e sempre sobre grandes emoções, grandes temas. Acho que somos uma mistura de metal e de rock, mas com diferentes tipos de gêneros dentro da nossa música. Às vezes é mais sinfônico, às vezes tem um toque de metalcore. Estamos constantemente experimentando coisas novas. Não estamos presos a um gênero. É difícil nos rotular, mas acho que toda banda pensa isso sobre si mesma. Eu mesma tenho dificuldade em descrever para outras pessoas que tipo música fazemos. E com o próximo álbum, vai ser algo completamente diferente.
Novo álbum
Sharon: As pessoas vão ficar chocadas. Vai ser um álbum muito bom, mas muito diferente de tudo que já fizemos. Acho que se eu falar muito sobre isso, as pessoas vão criar certas expectativas. Mas vai ser um grande estrondo. As pessoas vão ficar chocadas. É algo que nunca fizemos antes. São habilidades musicais que nunca exploramos. As pessoas nunca imaginariam que faríamos esse tipo de música, mas combina muito bem conosco, com o momento e o espírito em que estamos agora. Eu sei que isso soa vago, mas vocês terão que aceitar essa resposta por enquanto. Em breve teremos mais novidades.
Estágio do trabalho
Sharon: Está bem adiantado, mas estamos indo com calma agora porque todas as músicas já foram escritas. Agora é decidir que tipo de amplificador queremos usar, que tipo de timbre. Vamos ter paciência para definir as nuances musicais, para realmente fazer com que fique do jeito que imaginamos e não apressar as coisas. Porque vai ser uma mudança muito grande. Vamos tentar lançar no ano que vem, provavelmente. Mas vocês sbem como funciona pra gente. Logo vai ter música nova (single) saindo.
Novos gostos e influências
Sharon: Sabe, existe uma época na vida em que você faz certas coisas, passa por certas fases. Você pode curtir muito a música sinfônica, depois curtir muito os anos 1980 ou 1990, o que todos nós, provavelmente, já fizemos em algum momento. Agora estamos voltando para um gênero diferente, e é legal explorar esses novos gostos, sons diferentes, amplificadores, timbres de guitarra diferentes. Um mundo totalmente novo se abre. É isso que estamos tentando descobrir agora. Tentar se reinventar. Vai ser um álbum bem pesado. Talvez não exatamente brutal no som, claro, mas com muita emoção. Estou muito orgulhosa do que estamos fazendo.
Vocalistas que a inspiram
Sharon: Quando eu era criança, meus pais ouviam os álbuns do Black Sabbath. E também outras coisas, como Chris Rea e Queen. Essa é a minha base. Eagles, meu Deus, Eagles e Supertramp também. Essas bandas realmente me moldaram enquanto eu crescia. Quando cresci e descobri mais do que eu gostava, me inspirei em muitas mulheres, como Tori Amos e Kate Bush. Também a Dolly Parton. Eu amo Dolly Parton. Todos os estilos musicais, na verdade, mas meu primeiro amor foi Olivia Newton-John. Ou seja, principalmente mulheres. Janis Joplin, meu Deus, não se esqueçam da Janis. Existem tantas mulheres que moldaram minha meus gostos musicais. Todas essas mulheres foram e ainda são uma inspiração. Na adolescência, me apaixonei pelo Nirvana. Foi por causa de suas guitarras distorcidas, do jeito que ele (Kurt Cobain) cantava, às vezes um pouco desafinado, mas isso fazia com que a beleza estivesse não na perfeição, mas na emoção. E até mesmo a raiva de destruírem seus equipamentos, o que eu nunca faria, porque eu valorizo demais os nossos equipamentos. Mas eu amo o jeito como eles se expressavam, a fome, a raiva por trás da música. Você podia sentir, saborear e se identificar com isso enquanto crescia. E hoje em dia, eu gosto muito, e acho que tem uma das melhores vozes que eu já ouvi, o vocalista do Nothing But Thieves (Conor Mason).
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