Connect with us

Moda

Poucas pessoas sabem, mas colocar o sal no momento certo pode mudar completamente o sabor do feijão

Published

on


O feijão é um dos pratos mais feitos no Brasil, mas também um dos que mais esconde segredos que fazem diferença real no resultado final. A maioria das pessoas aprende a fazer feijão observando alguém da família, e muitas vezes esse aprendizado vem com um detalhe que ninguém explica direito: a hora de colocar o sal. Esse momento, que parece simples demais para ter importância, altera a textura do grão, a intensidade do tempero e até o tempo que a panela fica no fogo. Entender por que isso acontece muda definitivamente a forma de cozinhar.

O ponto certo para o sal entrar é quando o grão já está macio por dentro, mas antes do cozimento terminar completamente
O ponto certo para o sal entrar é quando o grão já está macio por dentro, mas antes do cozimento terminar completamenteImagem gerada por inteligência artificial

O que acontece com o feijão quando o sal é adicionado cedo demais?

O sal colocado no início do cozimento, antes do grão estar macio, interfere diretamente na estrutura da casca do feijão. Isso acontece por um processo químico ligado ao sódio presente no sal, que compete com o cálcio e o magnésio que formam a pectina, a substância responsável por manter a casca firme e íntegra. Quando o sal entra em contato com a pectina ainda no início do cozimento, ele enrijece essa estrutura e dificulta a entrada de água no interior do grão, tornando o processo de amolecimento mais lento e menos uniforme. O resultado prático é um feijão que demora mais para cozinhar e que pode ficar com a casca ligeiramente mais resistente mesmo depois de muito tempo no fogo.

Em panelas comuns, sem pressão, esse efeito é ainda mais perceptível. O feijão temperado desde o início pode exigir 20 a 30 minutos a mais de cozimento para atingir o mesmo ponto que atingiria sem o sal, e mesmo assim a textura final tende a ser menos cremosa e mais firme do que o ideal. Para quem gosta de um feijão com caldo encorpado e grãos que desmancha levemente ao comer, salgar cedo é exatamente o contrário do que deveria ser feito.

Quando é o momento ideal para adicionar o sal no feijão?

O ponto certo para o sal entrar é quando o grão já está macio por dentro, mas antes do cozimento terminar completamente. Na prática, isso significa adicionar o sal nos últimos 15 a 20 minutos de cozimento em panela comum, ou após a pressão ser liberada quando se usa panela de pressão, deixando o feijão ferver por mais alguns minutos com o tempero para que o sal penetre de forma equilibrada. Nesse estágio, a casca já perdeu a rigidez que impedia a absorção, e o sal consegue entrar no grão com muito mais facilidade, temperando não só o caldo mas o interior de cada feijão.

O resultado é visível e perceptível no paladar. Um feijão salgado no momento certo tem o tempero distribuído de forma mais homogênea, sem aquela sensação de que o caldo está salgado mas o grão está sem gosto por dentro. Além disso, a textura fica mais aveludada, porque o processo de amolecimento ocorreu sem a interferência do sal na estrutura da pectina, permitindo que o grão chegue ao ponto ideal com menos tempo e menos gasto de gás.

Existe diferença entre os tipos de sal e o momento de adicioná-los?

Sim, e essa diferença importa especialmente para quem cozinha com sal grosso, sal marinho ou sal refinado. O sal refinado, por ter grãos menores e dissolução mais rápida, penetra nos alimentos com mais velocidade e por isso seu impacto no enrijecimento da casca é mais imediato quando adicionado cedo. O sal grosso dissolve mais devagar e, em alguns casos, chefs e cozinheiros experientes o adicionam um pouco antes, justamente porque a liberação mais lenta do sódio reduz o efeito negativo sobre a pectina. Mesmo assim, a recomendação geral de aguardar o grão estar macio antes de temperar se aplica a todos os tipos de sal, com variações apenas no tempo de antecipação.

Outro ponto que muita gente ignora é que ingredientes ácidos, como o tomate e o vinagre, têm efeito parecido com o do sal sobre a casca do feijão quando adicionados antes do grão estar cozido. Isso explica por que receitas que levam tomate fresco desde o início frequentemente resultam em feijões mais firmes e com caldo menos encorpado. A lógica é a mesma: qualquer ingrediente que interfira na estrutura da pectina antes do amolecimento completo vai prolongar o cozimento e alterar a textura final.

O ponto certo para o sal entrar é quando o grão já está macio por dentro, mas antes do cozimento terminar completamente
O ponto certo para o sal entrar é quando o grão já está macio por dentro, mas antes do cozimento terminar completamenteImagem gerada por inteligência artificial

Qual é a sequência ideal de temperos para um feijão bem feito?

A ordem dos temperos no feijão segue uma lógica que vai além do sal e que faz diferença real no sabor do prato. Uma sequência equilibrada e que respeita a química do cozimento começa sempre com os aromáticos que precisam de tempo para soltar sabor, e termina com os ingredientes que podem comprometer a textura se entrarem cedo demais. O caminho mais indicado pela culinária brasileira tradicional, com explicação do porquê de cada etapa, é:

  • Alho e cebola no refogado inicial: antes de colocar o feijão na água, refogar o alho e a cebola em gordura libera os compostos aromáticos dessas bases de tempero, criando uma camada de sabor que vai se incorporar ao caldo ao longo de todo o cozimento. Esse é o momento de adicionar também louro e outros temperos secos que precisam de calor prolongado para liberar seus óleos essenciais.
  • Sal, pimenta e ajustes finais depois que o grão amolecer: com o feijão já macio, o sal entra para temperar de dentro para fora, a pimenta é ajustada conforme o gosto e qualquer correção de acidez ou intensidade de sabor é feita nessa fase, quando o cozinheiro já consegue provar o caldo com precisão e tem controle real sobre o resultado final.

Esse cuidado com o sal vale também para outras leguminosas?

Vale para praticamente todas as leguminosas que têm casca, como lentilha, grão-de-bico, ervilha seca e fradinho. O mecanismo é o mesmo: a pectina da casca reage ao sódio de forma que enrijece a estrutura antes do amolecimento completo, prolongando o cozimento e comprometendo a textura. O grão-de-bico é talvez o exemplo mais dramático dessa reação, porque sua casca é naturalmente mais resistente e o efeito do sal adicionado cedo é ainda mais pronunciado, resultando em grãos que ficam horas no fogo sem amolecer por completo.

A boa notícia é que essa é uma das correções mais simples de incorporar na rotina de cozinha. Não exige nenhum ingrediente extra, nenhuma técnica difícil e nenhum equipamento especial. É só uma questão de mudar o momento em que um único ingrediente entra na panela. Para um prato que está na mesa dos brasileiros praticamente todos os dias, fazer esse ajuste é uma das formas mais rápidas e baratas de melhorar o resultado sem mudar absolutamente mais nada na receita.



Continue Reading
Advertisement
Clique para comentar

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Revista Plateia © 2024 Todos os direitos reservados. Expediente: Nardel Azuoz - Jornalista e Editor Chefe . E-mail: redacao@redebcn.com.br - Tel. 11 2825-4686 WHATSAPP Política de Privacidade