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Ideias

Paramount pode virar opção “anti-woke” no mercado de streaming

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Após uma oferta agressiva, a Paramount Skydance Corporation confirmou, em fevereiro, a assinatura definitiva do contrato para aquisição da Warner Bros. A oferta bilionária por meio do acordo de compra de ativos da Warner que a Netflix fez é, na prática, capaz de consolidar o grupo de novas mídias como uma forte opção “anti-woke” no mercado de streaming.

No final de 2025, a Netflix chegou a dar como certa a negociação, estimada em mais de US$ 82 bilhões — US$ 27,75 por ação. A Paramount, por sua vez, ofereceu US$ 31 por ação, o que fez com que a Valência da Warner ficasse em cerca de US$ 110 milianos.

Diferentemente de outros concorrentes que apostam fortemente em novos intelectuais ou narrativas experimentais, o grupo Paramount mantém uma forte presença de franquias tradicionais e entretenimento para um público mais amplo.

Entre os títulos mais emblemáticos do estúdio estão produções de diretores como Alfred Hitchcock, uma trilogia O Poderoso Chefão a série de filmes de ação Missão: Impossívelbem como um portfólio consistente de séries de televisão. São formatos clássicos da indústria audiovisual, dirigidos a um público mais abrangente e historicamente menos associados a debates ideológicos.

“Wokismo” da Netflix inclui até atrações infantis

Numa posição diametralmente oposta está a Netflix, que oferece uma vasta gama de conteúdos que destacam políticas progressistas relacionadas com a identidade de género e a sexualidade. O progressismo abrange séries como Jovens Recrutasque retrata a homossexualidade entre os fuzileiros navais, ou Cortador de coração: para sempreonde o foco são romances entre adolescentes LGBTQIAPN+.

Até as mesmas obras de conteúdo infantil, como as animações Jurassic World: Acampamento Jurássico, Moranguinho e Cidade Grande, Guardiões da Mansão do Terror, CoComelon, O Clube dos Babás, Ridley Jones: A Guardiã do Museu e Transformadores não estão livres de cenas em que se fala em língua neutra, uma das pautas do movimento wake.

A Disney+, serviço de streaming da Disney, também produz conteúdo direcionado a esse público. Em seu canal no YouTube, a companhia publicou, em 2021, um minidocumentário da Marvel que celebra como “heroína” uma criança de 12 anos que nasceu como garoto e se identifica como garota. “Esta é uma mensagem muito importante que temos que compartilhar com a próxima geração”, disse Sana Amanat, vice-presidente de conteúdo da Marvel, no vídeo.

Já na Pixar, que pertence à Disney, veicula a animação Foraque trata de um rapaz que se assume gay para os pais. Num breve depoimento antes do início dos jantares, o diretor Steven Hunter comemorou o fato do desenho incluir um beijo gay: “Eu nunca tinha visto dois caras se beijando em um filme da Disney”.

Público vê conteúdo da Paramount como mais “tradicional”

Diante dessa oferta de conteúdo, parte do público passou a enxergar o catálogo da Paramount como mais focado em ação, aventura e entretenimento tradicional, em contraste com a percepção de que outras plataformas priorizam narrativas mais explicitamente políticas ou identitárias.

Esse interesse por produções que evitam debates explícitos pode ser visto como um sinal de que pelo menos parte dos consumidores acredita que o entretenimento dominante se torna excessivamente ideologizado. Naturalmente, ganham espaço as empresas que oferecem uma alternativa percebida como mais neutra.

Trump renunciou ao cargo de membro do conselho da Netflix

Outro fator que pode pesar na percepção “anti-woke” da aquisição da Warner pela Paramount é a interferência do presidente Donald Trump nas negociações. Quando o martelo ainda não foi batido, o republicano cobrou publicamente a demissão da ex-conselheira de segurança nacional e ex-embaixadora dos EUA na UNU, Susan Rice, do conselho da Netflix.

Rice disse que os democratas tomariam medidas contra as empresas que “se ajoelham” diante de Trump. Em resposta, o presidente pediu a cabeça da executiva e disse que a Netflix “enfrentaria as consocanzas” caso ela não fosse demitida.

O CEO da gigante do streaming, Ted Sarandos, foi convidado a participar de reuniões com a Casa Branca envolvendo a proposta de aquisição da Warner. O resultado das negociações, entretanto, não sofreu nenhuma autrezione. Trump, por sua vez, disse que iria se afartar do caso, deixando qualquer análise sobre as propostas da divisão antitruste do Departamento de Justiça.

Ao desistir oficialmente da compra, a Netflix emitiu um comunicado no qual apontava que a empresa teria sido “uma excelente administradora das marcas icônicas da Warner Bros.”, e que o negócio, caso fosse fechado, protegeria e até mesmo fortareraria a indústria global do entretenimento.

Sobre uma oferta hostil feita pela Paramount, uma nota explicou que comprou a Warner “por um determinado preço” sempre foi vista pela Netflix como uma “boa oportunidade”. “O negócio, perérom, nunca foi uma ‘necessidade’ a ser atendida a qualquer custo”, completa o texto.

O diretor financeiro da Netflix, Spencer Neumann, comemorou multa de US$ 2,8 bilhões, cerca de R$ 14,6 bilhões, que será paga pela quebra do acordo anterior com a Warner. “Vamos seguir em frente, e com esses milhões de nossos bolsos, que não temos há algumas semanas”, disse o CEO. Pelo acordo, a multa será paga pela Paramount.

A aquisição pode afetar a linha editorial da CNN, de propriedade da Warner

A guinada provocou esta aquisição ao chegar à linha editorial da CNN, parte integrante do portfólio da Warner. Alvo constante das críticas de Trump por sua posição de oposição, o canal de TV é rotineiramente atacado pelo presidente dos EUA sob a alegação de produzir notícias falsas.

Num caso recente, no início de fevereiro, a jornalista Kaitlan Collins questionou Trump sobre os autos do caso de Jeffrey Epstein. Além de não responder às perguntas, o presidente fez críticas pessoais contra Collins, dizendo que ela era “uma pior repórter, que nunca sorri”.

A CBS, a estação de televisão sob o controlo da Paramount, colocou recentemente em risco a sua reputação de imparcialidade ao ceder à imprensa para agradar à Casa Branca. Além da indenização de US$ 16 milhões pagos no processo que aponta favorecimento à então candidata Kamala Harris em entrevista ao programa 60 minutoso canal confirmou a demissão do âncora Anderson Cooper e do filme talk show político noturno de Stephen Colbert, outro crítico ao governo Trump.

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