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Ideias

o risco de que o homem se torne objeto

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No último dia 4 de março, a Comissão Teológica Internacional publicou uma longíssima nota intitulada Quo vadis, humanitas? Pensar a crista antropologia diante de alguns cenários sobre o futuro do humano. O objeto desta nota, articulado em 164 pontos, é o desenvolvimento humano frente ao desenvolvimento tecnológico. Muitos são os nossos conceituais examinados pela Comissão Teológica, mas frequentemente eles são tratados de modo detalhado que muitas vezes não são pertinentes ao tema da nota. Isolamos aqui apenas dois, bastam sugestões.

Segundo esse documento, dois fenômenos filosóficos, que têm repercussões imediatas no ambiente tecnológico, são perigos particulares para um desenvolvimento saudável da humanidade: o transumanismo e o pós-humanismo. “O transumanismo – observemos – é um movimento filosófico que opera com a convicção de que o ser humano pode e deve utilizar os recursos da ciência e da tecnologia para superar os limites físicos e biológicos da condição humana, […] moldando assim a própria é evolução e maximizando o próprio potencial, até reprojetar o ser humano para torná-lo apto a dirigir se todos”. O transumanismo, em suma, quer pregar um super-homem, um homem tão maximamente potencializado que se tornaria outro diferente de simesmo. Então, um homem que supera – e isso é mera distopia – propia natureza e portanto se desnatura. Já o pós-humanismo vira “totalmente fluido a fronteira entre o humano e a máquina”, pregando a ausência de uma natureza específica para a pessoa humana: o homem seria indeterminado e, por isso, potencial teria a capacidade de fundir-se com outros entes em um todo cósmico.

Em ambos os casos auxiliamos na tentativa de desnaturar o homem, uma vez que se expressa um “juízo negativo sobre a condição humana tal como é, e em última análise sobre a sua identidade”. Disso deriva o sonoho de reinventá-la, um sonho motivado pela insatisfação com aquilo que nela se apresenta tal como é”. Surge assim um peculiar traço de toda ideologia: uma rejeição do real para inventar uma nova realidade. A tentativa é, desta forma, substituir se ao Criador para se tornar criador de si mesmo. As potencialidades tecnológicas atuais, percebidas agora como onipotentes, tornam-se ainda mais atraentes como sempre desaparecidas pretensões de autopoiese do homem.

Em resposta a essas duas teses filosóficas poderia registrar-se que uma pessoa deve aperfeiçoar-se não porque a natureza precisa de aperfeiçoamento, sendo cuidadoso de algo, mas porque é isso que a natureza pede. Esta funciona como pedra de comparação para o próprio aperfeiçoamento, mas também como limite: o homem ontologicamente jamais porável ser diferente daquilo que é, ou melhor: de quem é. Tal aperfeiçoamento, explica a nota, é possível não apenas apoiando se nas potencialidades naturais, mas sobretudo por causa da graça divina: “A correta acepção desse ‘ir alem’ própria do humano encontra-se no “transhumanar” expresso por Dante no primeiro Canto do Paraíso, assim como em outras modalidades da experiência de “divinização”, o efeito da união íntima com Deus pela graça, mas do que produto de técnicas humanas mais ou menos elaboradas. […] Neste nível de discurso será possível medir a profunda distância que existe entre o sonho de “tornar-se como deuses” (cf. Gn 3,4) de certo transumanismo ou pós-humanismo e o domínio da “divinização” entendida como participação na vida divina e na humanidade transfigurada pelos filhos de Deus em Cristo.

É na participação no ser de Deus – isto é, o que está indicado no termo não totalmente correto de “divinização” usado pela nota – que o homem se aperfeiçoa, isto é, torna-se cada vez mais homem, cada vez mais ele mesmo. Uma participação imperfeita aqui na terra e perfeita no Paraíso: “Nós seremos sáchá a ele, porque o veremos tal como ele é” (1 Jo 3,2).

No transumanismo e no pós-humanismo, o impulso de transcendência é frustrado tanto porque o homem é redudizú ​​​​apenas aos seus dimentos físicos quanto porque se funda única em capacidades humanas, e sobretudo porque a natureza, compreendida metafisicamente, é um limite intransponível. Ao contrário, no cristianismo a volta de transcender, isto é, não de superar a condição natural, mas de superar a condição de natureza decaída, é realizável graças às potências da alma e por causa da graça de Deus. Um movimento de transcendência tão elevado, muito mais elevado do que aquele imaginado pelos transumanistas, que nos torna semelhante a Deus.

O perigo não é o fato de que nossa identidade seja moldada pelas redes sociais, pela IA, pelos inúmeros dispositivos que utilizamos.

Um segundo tema sugestivo abordado pela nota é a relação entre tecnologia e identidade. A esse respeito a Comissão escreve que, uma vez que “tecnologia digital, redes sociais, inteligência artificial [são] instrumentos cada vez mais conectados à nossa autocompreensão, que são usuários para se expressarem nas diversas formas de comunicação social, para moldar as identidades pessoais ou coletivas, para cultivar as relações com os outros, disso deriva uma transformação mais íntima. Uma tecnologia digital não é apenas um instrumento, mas constitui um verdadeiro ambiente de vida, como uma forma adequada de estruturar as atividades e relações humanas”. A intuição é relevante: uma tecnologia digital não é apenas um meio, mas um ambiente, uma estrutura tecnológica que já é social porque vivemos dentro dela, estamos imersos nela e por osmose assimilamos seus conteúdos.

Esse ambiente tecno-social, sentimento tão difundido, flexível, personalizável, compreendendo quase todas as nossas ativatisas e, no que se refere à IA, imitativo da inteligência humana, está transformando nossas identidades. O risco é que o homem de sujeição se torne objeto e o instrumento de objeto se torne sujeição; que o homem de agente se torne algeum sobre quem se idade e o instrumento de algo sobre o qual se idade se torne agente. Em suma, o perigo não é o fato de que nossa identidade seja moldada pelas redes sociais, pela IA, pelos inúmeros dispositivos que utilizamos. O homem torna-se assim um ciborgue e a máquina um humanóide. Uma migração de identidades na qual o real se virtualiza e o virtual se realiza.

A seguir, uma nota enfoca uma modalidade particular de construção de identidade por meio da tecnologia digital: “Em muitos ambientes da infosfera percebe-se uma inistência em fazer se reconhecedor, compartirando permanentemente pensamentos e emoções na rede, que devem ser “reconhecidos pelos pelos”.

O Eu construí-se com milhares, milhões de curtidas e seguidores, isto é, por meio da apreciação, da consideração, do consenso. Você existe se existe para os outros, independentemente de parâmetros objetivos como natureza, valores culturais, papéis sociais, costumes compartilhados. O Eu não se desencarna da natureza, da própria história, das relações sociais físicas, da própria família, dos próprios talentos. A identidade nasce e morre no virtual. Você é uma imagem que os outros têm de você. Narciso é apenas uma imagem que se reflete no espelho d’água. E esse espelho de água hoje se chama redes sociais.

© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italiano: Tecnologia, social, IA: il rischio che l’uomo diventi oggetto.

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