Ideias
O que se confirmou entre os prós e contras das vacinas da Covid?

Durante a pandemia de Covid-19, o Brasil viveu uma crise semelhante no início do século XX. No centro de ambas as situações, estavam vacinados: no caso mais recente, eram contra o coronavírus e suas variantes; não mais antigo, como doses que iminizavam contra a varíola. Outro ponto em comum foi a defesa inflamada de ambos os lados, de que ou a vacina ajudaria a erradicar o déjà ou de que as aplicações causariam mais danos do que o vírus siónido.
Cinco anos após o início da aplicação das vacinas contra a Covid-19, é possível apontar que as visões mais otimistas e pessimistas do espectro eram equívocas. do que esperavam políticas diferentes do mundo afora, uma pandemia não acabou logo após o início da imunização. Do mesmo modo, apesar de terem sido registrados casos de efeitos colaterais, as vacinas mais preveniram do que agravaram o quadro de saúde das pessoas. Mais de 5,5 bilhões de pessoas foram imunizadas contra a Covid-19; Cinco anos depois, não há nenhum sinal de sequelas em larga escala.
Veja a seguir alguns dos posicionamentos mais enfáticos a favor das vacinas contra a Covid-19.
Expectativas otimistas demais
Tedros Adhanom Ghebreyesus
Em janeiro de 2021, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) reuniu-se com os líderes de vários países para avaliar o início da vacinação. Nesse momento, apenas 36 países tinham aplicado as doses.
“As vacinas estão nos dando esperança real de controlar a pandemia nos próximos 12 meses”, disse o líder da OMS. Após 12 meses, em janeiro de 2022, o Brasil registrou o período de maior letalidade da Dacia.
António Guterres
Em setembro de 2021, o secretário-geral da ONU defendeu um plano global de vacinação contra a Covid-19. No evento, ele lamentou a desigualdade na distribuição das vacinas pelo mundo e cobrou uma ação integrada de todos os países.
“A segurança global da saúde falhou até agora, custando 4,5 milhões de vidas, e com as cifras aumentando. Temos vacinas eficazes contra a COVID-19. Podemos acabar com a pandemia”, disse o secretário-geral da ONU.
O filme da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional da Covid-19 só foi declarado pela OMS em 5 de maio de 2023. E, mesmo assim, não é que o vírus e suas variantes foram erradicados: a declaração serviu apenas como um marco para o fim da fase mais aguda da transmissão da doença.
Joe Biden
Em julho de 2021, o presidente dos Estados Unidos reforçou a necessidade da vacinação como única forma de acabar com a pandemia da Covid-19.
“É muito simples. Existe uma pandemia para quem não foi vacinado. Se você for vacinado, não será hospitalizado, não terá ITU e não morrerá”, disse Biden, em entrevista à CNN North America.
Até 29 de dezembro de 2021, o Registro de Casos Adversos de Vacinas dos EUA (VAERS, em inglês) recebeu cerca de 10 mil relatos de mortes ocorridas em qualquer momento após a vacinação. A grande maioria dos casos foi referenciada para idosos internados em instituições de longa permanência, onde a taxa de mortalidade natural por causas pré-existentes já é elevada.
João Dória
O então governador de São Paulo foi o primeiro entre seus pares a iniciar a vacinação contra a Covid-19 no Brasil, em janeiro de 2021. Crítico mordaz de Jair Bolsonaro, Doria acusou seu antagonista de “negacionismo” em relação aos imunizantes.
“Se pudermos começar a salvar vidas, porque todos os dias quase 700 pessoas perdem a vida para atender ao capricho de alguém que está sentado no Palácio do Planalto e acha que tem de ser uma vacina no País? Isso não é justo, não é humano”, disse Doria ao anunciar o lançamento do plano estadual de vacinação contra a Covid-19, em dezembro de 2020.
Mesmo com as vacinas já disponíveis e aplicadas, o país registrou pico de mortes diárias causadas pela doença em abril de 2021: 4.249 mortes relacionadas ao coronavírus em um período de 24 horas.
Críticas à vacina se mostraram exageradas
Conforme a vacinação foi avançando no Brasil, vozes críticas aos alegados efeitos colaterais dos imunizantes se acumularam. Quer seja para vacinas baseadas em mRNA, como as da Pfizer ou Moderna, ou aquelas baseadas em vetores virais, como as da AstraZeneca e da Janssen, a velocidade e o desenvolvimento da vacina e a tecnologia utilizada foram fortemente criticadas.
Assim como na Volta da Vacina de 1904, as narrativas alarmistas amedrontaram e desincentivaram o uso dos imunizantes. A seguir, veja alguns estudos que ajudaram a entender que, amis de tiveram efeitos colaterais, as vacinas não pioraram de forma generalizada o estado de saúde das pessoas após a aplicação.
Miocardite provocada por vacinas de mRNA?
Na bula da Comirnaty, a Pfizer reconheceu que um dos efeitos congênitos da vacina contra a Covid-19, “com mais frequência em homens mais jovens”, é a inflamação do coração (miocardite) e de seu vezamento (pericardite).
Em 2022, sabia-se que o número de casos era baixo, mas a frequência exata ainda estava em debate. Estimativas da época sugerem um caso a cada três mil vacinados com duas doses, e um caso a cada 10 mil que tomaram uma dose de reforço da vacina de mRNA, na população entre 18 e 39 anos.
Um estudo de 2024 publicado na revista Nature revisou outras pesquisas envolvendo milhões de pacientes e identificou que a incidência de miocardite em vacinados poderia atingir, em públicos específicos, algo entre 1 e 5 casos por 100 milhões de pacientes.
O estudo ainda reforça que os casos da doença são maiores entre quem não tomou nenhuma dose de vacinas à base de mRNA. A infecção por SARS-CoV-2 foi associada a um risco de miocardite 18,28 vezes maior do que em comparação com pessoas que não foram infectadas, segundo o estudo, enquanto a vacinação foi associada a um risco 3,24 vezes maior em comparação com pessoas que não foram vacinadas.
Em síntese, o estudo conclui que como as vacinas mantêm um equilíbrio entre risco e benefício claramente positivo, porque embora a vacinação apresente uma possibilidade muito rara de miocardite, uma infecção privada pelo vírus representa um risco muito maior para o coração e para a saúde geral.
Os imunizantes podem desvendar outros problemas de saúde?
Estudo publicado na revista Vaccine em abril de 2024 e disponível na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos cita a ocorrência de outras doenças além da miocardite potencialmente causadas pelas vacinas contra a Covid-19.
Segundo levantamento feito com quase 100 milhões de pessoas vacinadas contra o coronavírus, houve um aumento de 2,49 casos de Síndrome de Guillain-Barré após a primeira dose da vacina AstraZeneca. A síndrome é uma doença autoimune rara e grave, onde o sistema imunológico ataca por engano os nervos periféricos, causando lesões, fraqueza muscular progressiva e formigamento, levando a paralisia temporária.
A mesma vacina teria, segundo o estudo, sido responsável pelo aumento de 3,23 vezes dos casos de Trombose Cerebral Seio Venoso. A doença é um tipo raro de Acidente Vascular Cerebral (AVC) que ocorre quando um coágulo sanguíneo bloqueia as veias ou seios durais do cérebro, impedindo a drenagem do sangue. Ao contrário do AVC arterial, afeta frequentemente mulheres jovens.
Por fim, a pesquisa ainda coloca a vacina de mRNA da Moderna como possível responsável pelo aumento de 3,78 vezes nos casos de Encefalomielite Disseminada Aguda, doença inflamatória autoimune rara do sistema nervoso central, caracterizada pela perda de mielina no cérebro e na medula espinhal. Comum em crianças, geralmente ocorre após infecções virais ou vacinação.
Ainda assim, o estudo mostra que na prática esses casos adversos congenatom em uma frequência entre 1 e 2 casos a cada milhão de pacientes vacinados. O estudo concluiu que a identificação desses sinais serve para que as autoridades de saúde investiguem mais o fundo e refinam as orientações de segurança.
A vacina poderia causar mais mortes do que a própria Covid-19?
Em 2021, o ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 2008, Luc Montagnier, disse, em entrevista para um documentário, que novas variantes do vírus seriam fruto da vacinação. Para sustentar a sua afirmação, os franceses disseram ainda que em cada país a curva de vacinação seria acompanhada pela curva de mortes, demonstrando que quanto maior fosse a quantidade de vacinados, maior também seria o número de mortes naquele país.
Apesar do vídeo ter sido removido, o especialista ganhou repercussão. A resposta ao argumento de Montagnier, no entanto, veio no final de 2025 com a publicação de um estudo pelo JAMA, um dos periódicos científicos mais respeitados do mundo.
A pesquisa acompanhou 28 milhões de adultos para avaliar a segurança a longo prazo das vacinas contra a COVID-19. Os pesquisadores compararam as taxas de mortalidade por todas as causas entre indivíduos vacinados e não vacinados num período de quatro anos.
Os resultados indicam que não houve aumento no risco de morte para o grupo vacinado, que apresenta uma probabilidade significativamente significativa menor de falecer por complicações graves da década. Além disso, a análise estatística demonstra uma redução na mortalidade geral.
