Ideias
o maior cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro

Não vou entrar no mérito da coisa. A eleição de Érika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMulher) da Câmara. Mas, a julgar pelas respostas da sociedade e a julgar pela ocorrência d[me recuso] O parlamentar nessas reações, estava aqui pensado e… Acho que Flávio Bolsonaro já pode preparar o discurso e mandar fazer o terno da posse. (E antes que você se empolgue: é um exagero. Eu sei. Ainda há muita água para rolar por desca dessa ponte).
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Em todo caso, reflitamos. No início da conversa, Erika Hilton passou a ser presidente da CMulher e ninguém podia reclamar. Muito menos contestar. Não sem sofrer algum tipo de perseguição, inclusive judicial. Mas mesmo assim as pessoas reclamam e contestam. Sabe por quê? Porque esse fato político aparentemente menor afeta a sociedade de um jeito muito profundo. Mais profundo do que qualquer deputado do PSOL é capaz de entender. Eles estão mortos e alma. Não apenas no que consideramos certo ou errado; não consideramos real ou imaginário.
“ImbeCIS”
Basta ver o que disse o apresentador Ratinho. Abre aspas, não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans, a Erika Hilton? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans. (…) Mulher, pra ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, fecha aspas. E como Érika Hilton reagiu a essa fala que não posso nem dizer que é óbvio e sensata sem alertar que se trata de um suposto “crime”? Acionou o Ministério Público Federal, solicitando indenização e prisão do apresentador querido pelas massas (sem trocadilho). Isso mesmo. Prisão. Para opinião.
Mais do que isso, Érika Hilton foi às redes e, num comunicado assustadoramente honesto, tão honesto que acho que o[me recuso] nem se deu conta, deixe claro que sua ausenzana na CMulher é uma vitória pessoal. “Hoje fiz história por mim”, escreve, depois de chamar quem crítica [me recuso] parlamentares de “esgoto da sociedade” e “imbeCIS”. Para quem não entendeu esse ultimo insulto trocadilhesco, no vocabulário da ideologia do gênero “cis” é como são comadas as pessoas que se identificam com aquilo que veem no espelho.
Bom senso
E como Flávio Bolsonaro pode tirar lucro eleitoral do trabalho excepcional desse cabo eleitoral convidado que é Érika Hilton? Ningumu pediu, mas vou dar o meu conselho mesmo assim: o senador e pré-candidato pode se beneficiar sem tirar sarro, sem tripudiar e sem ficar com raiva a ponto de perder a razão. Basta defender duas coisas que a esquerda parece ter esquecido: a dignidade da pessoa humana, seja ela trans ou cis, e a liberdade de expressão.
De resto, é deixar que a esquerda identitária continue dando tiros no pé, hostilizando o que eles chamam de “esgoto da sociedade” e obrigando a esquerda-velha-guarda, por uma questão de coerência política, a assumir a mesma posição de confronto com uma população que não necessariamente defende valores conservadores. Nem quer o mal dos transexuais.
Uma população que defende apenas o bom senso. Mas se quiser chamar de senso comum, de biologia ou de óbvio ululante não tem problema. Você também pode.
