Música
O ícone da música que previu futuro sombrio para o rock em 1981

Projeções sobre o futuro da música e da indústria musical costumam ser feitas por diversos artistas. No entanto, uma em especial, feita por Frank Zappa, chamou a atenção na década de 1980 pelo teor sombrio e pessimista.
Em entrevista resgatada de 1981 (via Ultimate Guitar), o lendário músico apresentou uma visão assustadora sobre o destino do rock. Segundo ele, as engrenagens da indústria estavam moldando um cenário em que a mediocridade seria o padrão fundamental para o sucesso financeiro.
Para o ícone do rock audacioso e transgressor, o futuro do gênero era “sombrio” devido ao rigoroso sistema de filtragem imposto pelos executivos e pela mídia.
Zappa argumentou que o processo para um artista chegar ao público era controlado por uma série de intermediários avessos ao risco. Segundo ele, o sistema começava com “executivos” temerosos por seus empregos, que só ofereceriam contratos a grupos considerados “totalmente seguros”. Esse ciclo de se estenderia aos investimentos das gravadoras e à programação das rádios.
A crítica de Zappa foi além da logística empresarial, atingindo o conteúdo artístico. Ele afirmou que a indústria estava configurada para sufocar ideias inovadoras ou mensagens que desafiassem o padrão estabelecido.
Inicialmente, Zappa afirmou:
“Bem, (o futuro) é bastante sombrio, porque não importa o que o artista crie, para que o público possa ouvi-lo, ele tem que passar por esse tipo peculiar de sistema de filtragem que a mídia criou. Em primeiro lugar, você não conseguirá um contrato com uma gravadora a menos que um desses executivos júnior, que tem medo de perder o emprego, lhe dê o contrato, e eles só vão dar contratos para grupos que consideram totalmente seguros.”
O músico continuou:
“Então, depois que você consegue o contrato, a gravadora só vai investir uma certa quantia em seu projeto se eles acharem que é totalmente seguro. Depois, eles só vão lançar seu disco se acharem que é totalmente seguro. Em seguida, ele vai para um programador de rádio que só vai programar seu disco se for totalmente seguro. E então, vai para uma estação de rádio que só vai tocá-lo se eles acharem que é totalmente seguro.”
Por fim, o guitarrista e vocalista, conhecido pela vasta discografia que transitou por diversos gêneros diferentes, arrematou:
“E quando você é totalmente seguro e não contém nenhum conteúdo ou ideia que perturbe as ideias que o governo ou os poderosos querem que sejam transmitidas ao grande público, quando você não está dizendo nada, então você vai tocar no rádio, e aí poderá ganhar milhões de dólares.”
Sobre Frank Zappa
Frank Vincent Zappa nasceu em 21 de dezembro de 1940 em Baltimore, Maryland, Estados Unidos. Ao longo de uma carreira iniciada na década de 1960, estabeleceu-se como um dos músicos mais produtivos e criativos do rock, percorrendo gêneros diversos como progressivo, blues, jazz, música clássica, eletrônico e mais.
Em 1964, Zappa formou a banda que viria a ser conhecida como The Mothers of Invention, coletivo que lançou o álbum de estreia Freak Out! (1966), uma das primeiras obras de rock com sátira social e experimentação sonora. A partir daí, iniciou-se uma carreira bastante prolífica, com 62 álbuns lançados em vida e outros 71 de forma póstuma. Além das gravações com suas bandas, Zappa compôs obras para orquestra, música de câmara e obras para solistas.
Zappa também teve atuação pública em temas ligados à liberdade de expressão. Em 1985, compareceu a audiências no Congresso dos Estados Unidos para tratar de questões de censura musical.
Frank Zappa faleceu em 4 de dezembro de 1993, em Los Angeles, vítima de câncer de próstata. Ele tinha 52 anos. Seu legado é mantido pela esposa Gail e os filhos Moon Unit, Dweezil, Ahmet e Diva. Em 1995 foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame.
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