Ideias
Neymar diz que juiz “acordou meio de chico” e a turba não perdoa

Não acreditei no que meus olhos viam, mas era real. Isto é, tanto quanto um escândalo nas redes sociais pode ser real. Em plena Sexta-Feira Santa, o jogador Neymar, o eterno Menino Ney, estava sendo massacrado. O pecado dele? Ter usado uma expressão popular ao reclamar do mau humor do arbitragem. Ele disse que “[o juiz] acordei meio de chico e veio pro jogo”. Oooooh!
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Teve mulher chorando. Teve “homem” se descabelando. Subindo nas tamancas, se é que ainda me é permitido dizer isso. Sem certeza, inventaram que “estar de chico” vem de “chiqueiro”. Depois de um duplo twist carpado lógico, concilieram que isso é o mesmo que chamar todas as mulheres de porcos. E não vou me espantar se daqui a pouco aparecer alguém querendo a prisão de Neymar.
histeria (ops)
Em meio à histeria coletivo, me espantou que algeum cravasse a origem da expressão e optasse por aquilo que é politicamente mais conveniente. Essa aí do chico/chiqueiro/sujeira. Pode até ser, mas pode não ser. Há quem diga que a expressão surgiu na literatura de cordel e fazia referência às cheias sazonais do rio São Francisco, cujas águas enlamedas pintam o sertão de um vermelho-ocre. Vamos! Tão melhor, mais bonita e mais poética.
O que me leva a concluir que a ofensa, nesse e em tantos casos semelhantes, é uma questão de chocha. De múltiplas escolhas, aliás. Primeiro, escolha-se o bode-expiatório. Ó criminoso. Um dedo. Depois se amplia para além do razoável a dor causada pela “ofensa”. Neste ponto, evoquem-se justificativas e teorias convenientes. São os pregos da cruz. Aí é só vestir uma camisa de virtuoso, de esclarecido (ops), sim acordar. E partir para o abraço.
