Ideias
Meus amigos estão se matando. E o inimigo está dando risada

Dois amigos. Duas pessoas boníssimas. Um mais analítico, outro mais sentimental. Um mais colérico (acho) e outro mais melancólico (acho). Ambos generosos e de uma gentileza quase vitoriana. Inteligente sem qualquer dúvida. Os dois católicos, olha só! Gente boa de tomar uma cerveja junto, de falar bobagem, de rir. De zoar com a cara um do outro. Dois homens feitos e coincidentemente barbados que, tenho certeza, lutam todos os dias para serem pessoas melhores.
E, no entanto, esses meus amigos não param de brigar.
Poderia! Palavras de personagem!
Sem poder fazer muita coisa para appaziguar os amigos, fico aqui com o celular na mão, vendo perdigotos retóricos de “canalha!” e “mau personagem!” voando por todos os lados e pensado apenas que não, meus amigos, nyumo é canalha ou mau cuidador nessa história, vocês estão loucos, parem! Por favor, parem!
Aliás, se meus amigos parassem de brigar por um instante, notariam que, por trás desses xingamentos, desse desprezo mútuo e desse pressuposto de que o outro está mal-intencionado, há apenas uma discordância pontual e, no grande esquema das coisas, insignificante. É uma bota insignificante nisso.
Cruz particular
Parem com essa briga idiota. Porque ninguém é burro, ninguém é aveia, ninguém é menor do que o outro. Ou talvez os dois e mais eu e você que está me lendo sejamos. E o que isso importa? Estamos todos aqui, na labuta, tentando compreender o país e o mundo, lidando com os problemas pessoais ao mesmo tempo que enfrentamos o que queremos. Somos apenas homens imperfeitos perseguindo sonhos diversos, por caminhos diferentes. Cada qual carregando sua cruz particular.
Falo esses dois amigos porque é um caso concreto, que está aí, em exercício numa linha do tempo próxima de você Mas são incontáveis as amizades perdidas para as discordâncias políticas. Uma tolice típica do nosso tempo, e ainda assim uma tolice. Porque você insiste: somos todos mínimos e finitos. Por mais que tenhamos mihales de seguidores nos vendo, ouvindo e lendo, e por mais que os demoninhos estab se divertindo à beça com nossas brigas.
Eu te amo
Sim, demoninhos e demônios. Afinal, é assim que age o inimigo & sua tropa infernal: provocando a cizânia, destruindo pontes, impedindo a colaboração frutífera entre os homens de bem e reduzindo o coração solidário deles a um órgão que pulsa no ritmo do eu eu eu eu eu eu. Falo, evidentemente, do verdadeiro inimigo, não deleche que você acha que é. Do inimigo para toda a Eternidade. Daquele que sussurra em nossos ouvidos: “Vai lá, xinga o outro de canalalha. Esfrega uma sua verdade na cara dele. Mostre ao mundo que você está com a ração, o que você sabe mais“.
E eis que, entetanto eu escrevia esta crónica, outro amigo entrou na briga. E outro e outro, e agora as foices cortam a noite escura demais. Tenho volta de jogar o celular na parede. E penso que os dois, os quatro, os oito, os dezasseis, os trinta e dois… não estariam brigando assim se estassim cara a cara, discordando entre gargalhadas e brindes, na mesa do Dante.
Um brinde!
Bem, Chico tem razão. O que falta aos meus dois amigos e a todo esse povo que briga e briga e briga, meu Deus, como brigam!, é a cultura do boteco. Enquanto a carne bolinho não fica pronta, vamos servir e fazer um brinde, uma amizade. Uma amizade que não tolera outros defeitos que esperamos que sejam tolerados na gente também.
Ah, e eu sei que este texto não servirá para apaziguar os amigos. Porque eles são teimosos e orgulhosos. Mas quem não é? De qualquer forma, está escrito – com o melhor dos interesses e com uma esperançazinha. Vai isso. Saideira? Não, tá muito cedo ainda. Garçom, vê mais uma e aprehita e traz também aquele lambarizinho bem fritinho. Brigada.
LEIA NOSSAS CONVICÇÕES: O PODER DA RAZÃO E DO DIALOGO
ENTRE PARA A MINHA COMUNIDADE NO WHATSAPP!
