Celebridade
Mell Muzzillo, de Três Graças, celebra virada na vida, mudança de casa e sucesso profissional: “Eu mereço estar exatamente onde estou”

Há dois anos, Mell Muzzillo (20) dava sua primeira entrevista para CARAS. Estreando na TV Globo em Renascer, na época, ela ainda descobria as nuances do universo da teledramaturgia. Hoje, no ar em Três Graças, a atriz se mostra mais madura e consciente do que significa estar no elenco de uma novela das 9 da maior emissora do País, mas sem deixar de lado a essência daquela menina sonhadora. Criada em Nilópolis, na Baixada Fluminense, em uma família humilde, a artista conquistou a independência financeira e levou os seus com ela. Morando perto dos Estúdios Globo com a mãe e o irmão, Mell se divide entre a casa dela e a do namorado, o ator Marcello Melo Jr. (38). Em papo exclusivo, a atriz celebra as conquistas, mas afirma que é importante não esquecer onde e como tudo começou.
– O que mudou em dois anos?
– Acho que a gente vai entendendo e amadurecendo. Mas não sinto que mudou, acho que foi mais internamente, porque esse amadurecimento é inevitável. De resto, continua tudo nos seus lugares. A gente tem que se firmar, senão se perde um pouco.
– Na época, você se pegava pensando o que estava fazendo entre aquela equipe toda. Como vê isso hoje?
– Eu estava conversando sobre isso com a minha mãe, sobre a dificuldade que a gente tem de enxergar a nossa grandeza, de enxergar que a gente merece. Hoje, tenho trabalhado muito isso dentro de mim, de que eu mereço estar exatamente onde estou, que estudei para estar onde estou. Com o tempo, a gente vai se colocando, isso é importante.

– Por ser sua segunda novela, está mais fácil?
– Não! Me deu o mesmo frio na barriga e eu gosto disso. Acho que, quando eu parar de ficar nervosa, já posso parar de fazer isso. Faz parte ter o nervosinho de não saber o que vai acontecer. Mas agora já entendo melhor, consigo lidar com tudo o que vem com a minha profissão. Porque são muitas camadas, principalmente quando você está em uma novela das 9, é muita exposição. Hoje, entendo melhor as consequências de fazer o que eu faço.
– O que aprendeu em Três Graças que vai levar para a vida?
– Falando da minha personagem, Maggye, ela me ensina a saber dosar a sua doçura e a sua firmeza. Ela é uma menina extremamente doce, mas que não deixa passar nada, não deixa ninguém colocar nem ela nem os seus em xeque. Ela sabe impor seus limites, não deixa que passem por cima dela. A Maggye me ensina que sensibilidade não é sinônimo de fraqueza e que talvez isso seja a maior força de alguém. Se você souber equilibrar, não vai ser menos doce nem ser agressiva por isso.

– A Maggye é rica e você vem de uma outra realidade…
– Sim. A gente passou por dificuldades, mas o que sempre me manteve muito firme foi ter minha família por perto. Quando você tem essa rede de apoio, tudo fica mais fácil. E eles nunca me deixaram ver nenhuma dificuldade, porque a gente sempre viveu muito feliz. Então, você só entende quando cresce, vê que está difícil aqui, ali, mas antes disso a gente não sabe, porque viveu uma vida feliz. Apesar de tudo, sempre estivemos unidos, e foi isso que me fortaleceu e fortalece até hoje.
– Como é conquistar a sua independência financeira?
– Maravilhoso! E quando você consegue retribuir também. Eu sempre penso muito no coletivo, para mim a vitória também é coletiva, com as pessoas que fizeram parte do meu caminho. Isso se enquadra no que é sucesso para mim. Então, hoje poder retribuir tudo o que os meus pais fizeram por mim e deixá-los, de uma certa forma, estáveis e seguros, para mim, é uma grande vitória e é só o início.
– Uma grande vitória foi conseguir se mudar também, não é?
– É muito maravilhoso terminar o trabalho e conseguir voltar para casa. Antes, eu tinha que ficar ali, às vezes, eu ficava com a Theresa Fonseca, porque em Renascer tinha momentos em que eu gravava de segunda a sábado, e voltar para Nilópolis, além de o custo ser muito alto — porque carro de aplicativo, quando você vai ver, tira uma grana —, eu não tinha qualidade de vida por questão de tempo. Então, a primeira coisa que eu queria fazer era ficar um pouco mais perto para conseguir viver. E levei todo mundo, minha mãe, meu irmão, porque eles me ajudam. É ótimo tê-los por perto.

– E está feliz com o Marcello…
– É maravilhoso quando a gente encontra um lugar para descansar, que não seja mais um problema, mais uma questão. Minha relação com o Marcello é muito isso, é onde eu volto para descansar mesmo, para ter colo, ser cuidada também. Me encontro muito segura, amparada, amada e com alguém que me impulsiona. Estou muito feliz.
– Falam muito da diferença de idade entre vocês. Te incomoda?
– Eu não me importo. A gente vai entendendo tudo o que a nossa profissão acarreta, e nisso entra a exposição. Eu sempre fui muito discreta na minha vida e lidar com isso foi algo que tive realmente que colocar o meu pé muito firme no chão, para não balançar, porque, se deixar, todo mundo é humano, a gente balança. Eu me apego muito ao que eu vivo. E eu estou vivendo maravilhosamente bem, feliz. Entendo que seja um assunto de várias camadas, principalmente no País em que a gente vive, então é perigoso até falar sobre, mas eu não posso falar sobre as experiências das pessoas, eu posso falar da minha. A gente está bem feliz, temos muitos planos juntos e vivemos esse amor com muito diálogo, cumplicidade, e é nisso que a gente foca.

– O que a Mell de hoje diria para a Mell lá do início?
– Eu diria que ainda preciso dela. É aquela Mell que me ensina o caminho de volta e para a qual eu não posso deixar de voltar. Isso é uma coisa que eu tenho muito clara para mim. Eu acho que, para seguir, para ir muito além com aquela Mell e essa Mell de hoje, eu preciso voltar. Voltar para avançar cada vez mais. Então, estou sempre de mãos dadas com aquela Mell, que é muito sonhadora, que nunca teve dúvidas de que iria conseguir, mas que não sabia se teria todas essas oportunidades. Porque, no final das contas, é tudo sobre oportunidades. Então, eu diria que ainda preciso muito dela para conseguir voltar, para avançar ainda mais e ficar firme no meu caminho.
