Celebridade
Médico analisa declaração polêmica de Ingrid Guimarães: ‘Escancarou’

Em janeiro desse ano, a atriz Ingrid Guimarães publicou um texto em que relata sua experiência pessoal com o uso de medicamentos para emagrecer.
No texto, publicado no Jornal O Globo, a artista critica o que define como o retorno da obsessão pelo corpo magro. Segundo ela, a decisão de usar o medicamento partiu de uma motivação específica: perder três quilos para caber em vestidos.
Ao longo do texto, Ingrid Guimarães fala quais são os efeitos colaterais que teve nos próximos dias. A redução do apetite foi acompanhada de enjoo constante e desânimo, comparável ao que havia experimentado no pós-parto. “Eu não emagreci só o corpo. Eu emagreci minha vontade de viver”.
“Nós somos os novos drogados da magreza escondendo nosso vício pela perfeição”.
O que dizem os profissionais?
À CARAS Brasil, o médico-cirurgião-plástico Dr. Nicola Biancardi analisou o texto de Ingrid Guimarães. Ele esclarece os ricos do uso excessivo de medicamentos para perda mínima de peso.
“O relato da Ingrid escancarou algo que já vinha crescendo nos consultórios: pacientes que procuram medicamentos potentes para perder poucos quilos, com urgência estética, sem diagnóstico claro e sem um plano estruturado de acompanhamento. Isso muda a dinâmica da consulta em três aspectos principais”.
Segundo ele, as consultas passam a ser tratadas como um atalho terapêutico. Em vez de investigar composição corporal, hábitos alimentares, sono, saúde metabólica e emocional, o foco se desloca para dose e prazo. Quando isso acontece, o tratamento perde o que garante segurança: indicação correta, acompanhamento e metas realistas.
“Segundo, os efeitos colaterais começam a ser normalizados. Náusea, vômito, constipação, refluxo e fadiga passam a ser encarados como “parte do processo”, como se sofrer fosse sinônimo de eficácia. Isso é um sinal de alerta, não de sucesso terapêutico”.
O médico explica que há a banalização de medicamentos que interferem diretamente na fisiologia. Esses fármacos não apenas reduzem o apetite, mas também alteram o esvaziamento gástrico, o que tem impacto direto em procedimentos médicos, inclusive anestesia e cirurgias. Quando usados como acessório estético, sem critério, o risco deixa de ser teórico e passa a ser clínico.
“Na prática da cirurgia plástica, isso gera um problema adicional: muitos pacientes ajustam doses por conta própria, reduzem ingestão de proteína e só revelam esse histórico quando o organismo já está fragilizado para cicatrizar”.
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Perda rápida de peso
Segundo o especialista, o emagrecimento rápido pode até agradar na balança, mas nem sempre melhora o corpo como estrutura cirúrgica. Quando a perda de peso acontece sem suporte nutricional adequado, o tecido muda de qualidade.
“Uma das principais preocupações é a perda de massa magra. Parte do peso eliminado pode ser músculo, o que compromete força, metabolismo, recuperação pós-operatória e até o resultado estético final. O corpo fica mais frágil, mesmo aparentando estar mais magro”.
“Além disso, pele e tecido subcutâneo tendem a ficar mais finos e menos responsivos. Com ingestão proteica insuficiente, o organismo prioriza funções vitais, e a pele perde capacidade de retração e regeneração. Isso se traduz em maior flacidez e resultados menos previsíveis”.
Perda do prazer social
Ingrid relatou que perdeu a ‘vontade de viver’. O médico também esclarece: quando a busca pela perfeição física passa a dominar a rotina, surgem sinais claros de alerta. O corpo vira centro da identidade, a vida social é evitada por medo de comer ou sair do controle, e o bem-estar emocional é trocado por um número menor na balança.
“É nesse momento que a medicina precisa agir com responsabilidade. Antes de prescrever ou indicar qualquer intervenção, é fundamental avaliar saúde emocional, sinais de ansiedade, compulsão, dismorfia corporal e expectativas irreais. Nem todo pedido por emagrecimento é um pedido estético. Muitas vezes, é um pedido de alívio emocional”.
