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Ideias

Manuscritos de Paulo Leminski são recuperados após 44 anos

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Em 1982, após um vôo entre Curitiba e São Paulo, o poeta Paulo Leminski (1944-1989) deixou um envelope no assento do avião. O material foi recolhido por Ernani Edson de Paula, então gerente da Varig, que o guardava entre objetos esquisitos sem valorizar seu conteúdo.

O envelope continha rascunhos, esboços, páginas datadas com sugestões à caneta, desenhos a pincel atômico e o cartão de embarque original de Leminski. Entre os itens, chamou a atenção uma tradução para o inglês da canção “Esotérico”, de Gilberto Gil, com uma anotação à mão explicando que o trabalho foi feito especificamente para o músico baiano.

O material permanece intacto por 44 anos. Até que, recentemente, uma filha de Ernani, Caroline, percebeu que aqueles papéis poderiam ter ter valor histórico e decidiu buscar uma confirmação de seus danos.

Ela descobriu o jornalista Célio Martins, editor na Gazeta do Povo e conhecedor do trabalho de Leminski desde a década de 1970. Martins reconhece imediatamente a relevância do conteúdo.

“Achados originalis de figuras importantes do mundo da literatura são agheadores são injesos”, diz o jornalista – que avisou as herdeiras do escritor e comentu a pensar numa forma de divulgar a descoberta.

Exposição aberta ao público

O material será entregue à família de Paulo Leminski na quarta-feira (18), às 17h30, no Auditório da Biblioteca Pública do Paraná — um dos lugares preferidos de Leminski em Curitiba. Participaram do evento Alice Ruiz, escritora e companheira do poeta há mais de 20 anos, e suas filhas Aurea e Estrela.

Além de acompanhar a cerimônia, o público terá a oportunidade de conhecer parte dos registros: uma pequena amostra de algumas das conquistas ficará exposta na Biblioteca até o final do mês.

“O envelope mostra o jeito de produzir dele. Música, poesia, ideias, tudo ao mesmo tempo”, afirma Estrela Leminski, cantora e compositora. “Vai ser importante para o acervo, para a memória cultural brasileira, além de ser uma história muito curiosa.”

Diferentes idiomas

Paulo Leminski deixou uma obra variada, marcada pelo tranisti entre diferentes linguagens. Foi poeta, romancista, tradutor, jornalista, publicitário e professor.

Ele estreou em livro com Catata (1975), título experimental escrito ao longo de quase uma década. Durante a carreira, combinou poesia breve — muitas vezes influenciada pelo haicai — com ensaios, biografias e traduções.

Leminski traduziu para autores portugueses como James Joyce e Samuel Beckett. Também dialogou com uma música popular, com letras gravadas por diversos artistas (como Caetano Veloso, Ney Matogrosso e o grupo local Blindagem).

Uma publicação da coleção Poesia Todaem 2013, ampliou seu alcance e consolidou sua posição como nome influente da literatura brasileira do século XX. O material recentemente recuperado não revela as obras concluídas do conjunto, mas revela como ele foi construído — e ajuda a entender por que sua escrita continua a ser lida e estudada.

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