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Música

Mac DeMarco fala à RS sobre shows no Brasil, novo álbum e boatos de aposentadoria

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Após mais de uma década de fama, Mac DeMarco mantém a simplicidade de forma proposital. Seu álbum mais recente, Guitar (2025), continua a abordagem intimista que lhe consagrou no começo da década passada. A nova passagem do músico, notório por seu indie rock despojado que combina bom humor com melancolia, pelo Brasil demonstra um desejo de conhecer não apenas pessoas, mas lugares.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Mac, influente artista que já serviu de referência para Tame Impala, Tyler, the Creator e até Justin Bieber, falou sobre sua nova turnê pelo país. Ao todo, serão nove apresentações em oito cidades em abril. Os ingressos estão disponíveis via Ingresse e Sympla. Confira a agenda:

  • 03/04: Rio de Janeiro (Sacadura 154)
  • 04/04: São Paulo (Audio)
  • 05/04: Brasília (Toinha Brasil Show)
  • 08/04: Recife (Concha Acústica UFPE)
  • 10/04: Belo Horizonte (Autêntica)
  • 12/04: Curitiba (Tork N’ Roll)
  • 14/04: Florianópolis (John Bull)
  • 15 e 16/04: Porto Alegre (Opinião)

Quanto à decisão de tocar em locais menores para aumentar o número de datas, o cantor e multi-instrumentista afirmou que esta abordagem faz parte da sua identidade como artista:

“Muitas bandas lançam novos discos e tentam alcançar um novo tamanho de casa de shows ou algo assim. Eu só quero ir e conhecer os lugares. É incrível descobrir que existem mais lugares que eu não estive — e onde as pessoas viriam nos ver.”

O Brasil tem um atrativo especial, na opinião de DeMarco. O músico já havia feito uma turnê do mesmo tipo no país em 2015, com oito apresentações em um itinerário que incluiu: posição de headliner da segunda edição do Balaclava Fest, set surpresa numa Void Store no Rio e datas em Olinda e Belém, cidades nem sempre lembradas no circuito internacional. Ele explicou o apelo local:

“As pessoas ficam animadas com a nossa presença e é legal. Fico feliz em vir. Você vê os comentários dizendo ‘venham para o Brasil’ (‘come to Brazil’). Há uma certa sensação associada a estar lá embaixo (no hemisfério Sul). É uma vibe específica, em parte pelos shows, mas também pelas viagens e pessoas que conhecemos, além da culinária, estar nas cidades, experimentar 50 frutas que nunca vi na vida ou seja o que for. É especial.”

A carreira como está

A relação entre a estrada e o estúdio é vital para compreender o estágio atual da carreira de Mac DeMarco. O músico descreveu Guitar na época do seu lançamento como “a representação mais verdadeira” de onde ele está na vida em meio ao que é possível colocar no papel.

Perguntado se o aspecto nômade da rotina influenciou não apenas seus hábitos recentes, mas também a música em si, o artista concordou:

“Estou tentando ao máximo misturar estar em turnê e gravar. Antes havia meio que uma divisão. Estar em casa e gravar era meio que meu tempo sozinho. As turnês eram uma grande festa. Hoje tento expandir o show, alterá-lo, trabalhar nas coisas o tempo todo — seja com a banda, ou com sons, ou instrumentos, equipamento, qualquer coisa. Quando volto para casa, gravo entre todas as turnês.”

Tamanha empolgação não parece combinar com um boato que ganhou força em 2023: a suposta aposentadoria de Mac DeMarco. O músico garante que estava apenas brincando quando abordou o tópico durante um show, mas o público teria levado a sério. Afinal de contas, ele declara ter “vício” em seu próprio trabalho.

“Sinceramente, acho que é como um vício. Estou sempre correndo atrás de fazer uma boa música ou terminar uma gravação legal. Sinto uma euforia indescritível e incomparável, então é como se eu sempre quisesse isso. Talvez chamar de vício seja intenso demais, é um amor pela música.”

Falsa aposentadoria de Mac DeMarco

Guitar marcou um retorno de DeMarco ao seu habitat artístico mais conhecido. Após não lançar nada durante a pandemia, o músico divulgou dois trabalhos em 2023: Five Easy Hot Dogs e One Wayne G. O primeiro é um álbum instrumental gravado durante uma viagem de carro entre Los Angeles e Nova York. O segundo se mostrou ainda mais curioso: uma coletânea de 199 faixas (cada uma batizada com o dia de seu registro) e quase nove horas de duração.

Tais álbuns confundiram fãs e contribuíram em parte para o rumor de sua aposentadoria. Além disso, houve a notícia em 2024 que o cantor descartou uma coleção inteira de demos, pois estava insatisfeito com a qualidade das músicas. Esta experiência, segundo Mac, foi mais parecida com um treino ou aquecimento para Guitar.

“Compus um monte de coisas. Acho que precisava dar uma espécie de aquecimento no motor. Não fazia aquilo há muito tempo. Precisava meio que limpar os canos antes de conseguir lembrar da energia que gosto de colocar nisso. Algumas dessas músicas eram meio sérias, um pouco tristes demais ou meio mórbidas ou algo assim. Talvez eu precisasse liberar um pouco dessa energia. Sinto que Guitar oferece um bom equilíbrio.”

DeMarco descreveu o processo de gravação de Guitar como quase o oposto comparado ao das canções descartadas. Enquanto a coleção abortada viu o músico se perder nos aspectos técnicos da gravação, como fidelidade, o álbum lançado ficou marcado pela espontaneidade. Não houve demos e todas as faixas foram registradas num número bem baixo de tentativas, sempre no dia em que ele as compôs.

https://www.youtube.com/watch?v=videoseries

Assinatura sonora

A conversa sobre métodos de gravação e composição com Mac DeMarco também abordou a influência sonora que o artista teve nas gerações subsequentes de músicos. Seja no indie, jazz ou R&B contemporâneos, dá pra notar o impacto de sua obra, particularmente com relação ao seu som, em artistas como os já citados Tame Impala, Tyler, the Creator e Justin Bieber, além de Steve Lacy, entre outros. Além disso, vários canais de YouTube têm vídeos dedicados a destrinchar elementos do seu timbre e técnicas na guitarra.

DeMarco se mostrou humilde ao afirmar não ter inventado nada. Sua exaltação na parte técnica é encarada como exagero, especialmente por considerar sua sensibilidade como compositor e produtor o elemento mais vital. Não é algo que dá para copiar.

“Algumas bandas gostam de simplesmente copiar algumas coisas minhas, sabe? Copiam meus solos ou minhas progressões de acordes. Não me importo, mas é engraçado. Sinto que a coisa que faz a música parecer comigo é justamente a parte que as pessoas não percebem. Às vezes, as pessoas ficam tipo: ‘Oh, ouça isso, soa exatamente como você’, mas são partes do que eu faço. Você acha que é isso que você está ouvindo. E isso me deixa meio louco.”

Apesar do tom, Mac não fica irritado. O músico declara não perder o sono se alguém copia seu som de guitarra numa canção de sucesso, pois isso não é precioso para ele. Por outro lado, sente orgulho do impacto quando nota um artista que entende os elementos vitais refletindo a personalidade do compositor.

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