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Já foi vista como cidade árida e sem atrativos, mas hoje virou potência turística e gastronômica! A nova imagem de Palmas

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Por muito tempo, Palmas foi aquela capital que aparecia no mapa, mas raramente aparecia nas conversas. Fundada em 1989, a cidade mais jovem entre as capitais brasileiras carregou durante anos a imagem de lugar incompleto, quente demais, distante de tudo e com pouco a oferecer além da função administrativa de ser a sede do governo do Tocantins. Quem nunca foi a Palmas ainda pode ter essa imagem na cabeça. Mas quem foi nos últimos anos voltou contando uma história completamente diferente, de uma cidade que encontrou sua identidade, desenvolveu uma cena gastronômica surpreendente e se transformou em um dos destinos de ecoturismo mais promissores do Brasil Central.

A cena gastronômica de Palmas é um dos aspectos que mais surpreende quem chega com expectativas baixas
A cena gastronômica de Palmas é um dos aspectos que mais surpreende quem chega com expectativas baixasImagem gerada por inteligência artificial

Como Palmas surgiu e por que foi vista como cidade inacabada?

Palmas foi planejada do zero, assim como Brasília, e inaugurada em 1° de janeiro de 1990 como capital do recém-criado estado do Tocantins. O projeto urbanístico original previa uma cidade para até 2 milhões de habitantes, com avenidas largas, quadras simétricas e uma escala monumental que, nos primeiros anos, contrastava brutalmente com a população real da cidade, que demorou décadas para ocupar os espaços projetados. Esse contraste entre a grandiosidade do traçado e a ausência de pessoas e comércio criou a impressão de uma cidade vazia, com muito asfalto e pouca vida.

O calor intenso, com temperaturas que regularmente ultrapassam os 40 graus nos meses mais secos, reforçava a percepção de um lugar inóspito. Somado ao isolamento geográfico no coração do Brasil, longe dos grandes centros e com infraestrutura ainda em desenvolvimento, Palmas acumulou por anos uma reputação de cidade árida em todos os sentidos, tanto no clima quanto na oferta de atrativos. O que poucos percebiam, porém, é que esse mesmo isolamento preservou ao redor da cidade um patrimônio natural extraordinário que, com o tempo, se tornaria seu maior diferencial.

O que mudou na cidade e o que Palmas oferece hoje?

A virada de Palmas não aconteceu de uma hora para outra. Foi um processo gradual de amadurecimento urbano, crescimento populacional consistente e, principalmente, de reconhecimento do potencial que sempre esteve ali. A cidade chegou a mais de 300 mil habitantes e consolidou uma classe média local com poder de consumo e apetite por cultura, gastronomia e lazer, o que impulsionou o surgimento de restaurantes, bares, espaços culturais e uma vida noturna que simplesmente não existia nas primeiras décadas. Os atrativos que hoje colocam Palmas no radar de visitantes de todo o Brasil incluem:

  • Praias de água doce do Lago de Palmas: formado pelo represamento do Rio Tocantins pela Usina Hidrelétrica do Lajeado, o lago criou praias urbanas de água doce que funcionam durante boa parte do ano. A Praia da Graciosa e a Praia do Caju são as mais conhecidas, com estrutura de quiosques, esportes aquáticos e uma orla que rivaliza com destinos litorâneos em termos de movimento e atmosfera durante a alta temporada.
  • Ecoturismo no entorno da cidade: Palmas está cercada por cerrado preservado, cachoeiras, trilhas e áreas de proteção ambiental que atraem visitantes em busca de natureza. O Parque Estadual do Lajeado, a Serra do Lajeado e as cachoeiras da região são destinos consolidados entre os amantes de turismo de aventura e contemplação, com uma biodiversidade característica do bioma cerrado que inclui espécies únicas de fauna e flora.

Confira o vídeo do canal Viajantes de Estação em Estação – S2Station mostrando 10 lugares incríveis para conhecer em Palmas, Tocantins:

Como a gastronomia de Palmas surpreende quem visita a cidade?

A cena gastronômica de Palmas é um dos aspectos que mais surpreende quem chega com expectativas baixas. A cidade desenvolveu uma identidade culinária própria que mistura influências do cerrado, da culinária goiana e das tradições ribeirinhas do Tocantins, resultando em uma gastronomia com ingredientes e sabores que dificilmente se encontram em outras capitais brasileiras. O pequi, o baru, a mangaba, o tucumã e o peixe do rio Tocantins aparecem em menus que vão do restaurante mais simples à gastronomia autoral de maior requinte.

O crescimento do número de estabelecimentos nos últimos anos transformou a orla do Lago de Palmas e alguns bairros centrais em polos gastronômicos com variedade e qualidade reconhecidas. Chefs que saíram da cidade para estudar em grandes centros voltaram trazendo técnicas e visão de mundo, mas com o compromisso de trabalhar com os insumos locais, o que criou uma geração de restaurantes que conta a história do cerrado no prato. Para quem visita Palmas sem saber o que esperar da comida, a experiência costuma ser uma das memórias mais marcantes da viagem.

A cena gastronômica de Palmas é um dos aspectos que mais surpreende quem chega com expectativas baixas
A cena gastronômica de Palmas é um dos aspectos que mais surpreende quem chega com expectativas baixasImagem gerada por inteligência artificial

Palmas está se tornando destino para novos moradores também?

Além do turismo, Palmas vem atraindo um perfil crescente de novos moradores, especialmente pessoas que buscam qualidade de vida fora dos grandes centros. A combinação de custo de vida relativamente acessível comparado às grandes capitais, trânsito que ainda não chegou ao caos das metrópoles, acesso fácil à natureza e uma infraestrutura urbana organizada pelo planejamento original da cidade cria um conjunto de atributos difícil de encontrar em outros lugares do Brasil. O mercado imobiliário da cidade reflete esse movimento, com valorização consistente em bairros próximos à orla e nas regiões mais consolidadas do plano diretor.

O que Palmas construiu ao longo de três décadas e meia de existência é uma identidade que ela demorou para reconhecer em si mesma. A cidade que nasceu grande demais para sua população, num bioma considerado seco e numa região percebida como distante, descobriu que justamente essas características eram seu patrimônio mais valioso. O cerrado ao redor, o lago criado pela hidrelétrica, o calor que afasta os tímidos e atrai os corajosos, e o urbanismo planejado que garantiu espaço para crescer sem se perder, tudo isso transformou Palmas em uma das histórias de reinvenção mais interessantes entre as capitais brasileiras.



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