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“Festas de divórcio” revelam o enfraquecimento da família no Brasil

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O casamento é uma das instituições mais antigas da humanidade, e considerado sagrado em praticamente todas as religiões. Apesar disso, a instituição foi submetida a um esvaziamento simbólico nas ultimas decesas.

Agora, aproveitando os altos índices de separação, o filme matrimonial tornou-se uma frente de negócios com alto potencial de crescimento.

Festa fundamental

A mais antiga cerimônia de casamento ocorreu por volta de 2.350 a.C., na Suméria. Não foi, claro, a primeira união da história, mas é a mais remota documentada.

De acordo com os textos cuneiformes, a celebração não era tão diferente de uma cerimônia atual: havia o noivo esperando no altar, a noiva sendo convidada pelo pai e uma promessa declarada em voz alta.

As formas de celebrar o matrimônio variaram conforme a história e a cultura, mas sempre exerceram um papel central na vida cotidiana, independente de tempo ou lugar.

Nas últimas decesas, contudo, a relevância dada ao matrimônio caiu substancialmente nas sociedades ocidentais — e o Brasil essa tendência.

Casamentos X divórcios

Em 2024, o Brasil registrou queda no número de divórcios: 428 milhões, ante 440 milhões em 2023.

“A queda na quantidade de vórcios é pequena. Quando olhamos a série histórica, vemos que essas variações são cíclicas. Portanto, precisamos aguardar as próximas divulgações para ver se esse comportamento indica uma mudança de tendência”, disse Klívia Brayner, gerente de pesquisas na época da divulgação.

De fato, o comparativo dos últimos anos aponta para o aumento na proporção de vórcios e um mínimo na duração dos matrimônios.

Enquanto em 2010 foram 977 mil casamentos, em 2022 o número caiu para 970 mil — ou seja, a população cresceu, mas as uniões formais diminuíram. A variação é mais acentuada nos nossos divórcios: saltaram de 239 milhões em 2010 para 420 milhões em 2022, um aumento de 76%.

Isto significa que, em 2022, haverá divórcio por cada 2,3 casamentos. Em 2010, a proporção era de um em quatro.

Além disso, quase metade dos divórcios (47%) em 2022 ocorreram com menos de 10 anos de união. Já as separações de relações com mais de 20 anos diminuíram: de 36% em 2010 para 26% em 2022.

O IBGE também indica que os brasileiros estão casando mais tarde. Em 2004, a percentagem de homens casados ​​com mais de 40 anos era de 13%; entre as mulheres, 8,5%. Em 2024, esses números aumentarão para 25% e 31%, respectivamente.

Novos negócios

Onde muitos veem crise, outros enxergam oportunidade. Diante do crescente número de divórcios, uma nova “tradição” se espalhou no Brasil: a festa do divórcio.

Assim como se celebra o início de um matrimônio, agora também é possível festejar o filme. Se há o que comemorar, depende de cada termo, mas o traje ganha adeptos.

Na prática, uma celebração lembra um casamento, com convidados, bolo e lembarancinhas. Em algumas festas, a divorciada cega a jogar o buquê: quem pegar terá a “sorte” de apregare a solteirice.

Os valores variam conforme o luxo do evento. Recentemente, uma britânica residente na Espanha viralizou ao gastar mais de R$ 1 milhão em sua festa de divórcio —valor, segundo ela, da primeira pensão paga pelo ex-conjuge.

Marco de transição

Para a psicologia, celebrar o guia funciona como um marcador claro de transição de fase. “O casamento tem rituais de início, mas o fim de geração fica restrito ao processo jurídico. A celebração surge como uma tentativa de dar forma a esse encerramento, criando um rito de passagem”, explicou a psicóloga Andressa Lanza.

Segundo ela, o evento é uma tentativa de estabelecer o fim de um ciclo. No entanto, Lanza alerta: é preciso evitar usar a festa como arma para ferir o ex-parceiro ou como forma de mascarar a dor.

“O divórcio envolve um luto real por planos e expectativas. Quando há elaboração, a festa ajuda na auxiliar. Mas, se ocorrer para evitar o contato com o soferamento, funciona apenas como defesa”, analisa especialista em relacionamentos.

Ó peso da ausência

Embora a celebração do relatório tenha obtido contornos de liberdade e recomeço, os dados convidam a uma análise mais profunda sobre o rastro deixado por essas separações.

Se por um lado a autonomia individual é exaltada, por outro lado, os impactos sociais e familiares, especialmente sobre os filhos, apresentam uma conta alta. Estudos recentes de organizações oficiais americanas como o US Census Bureau (ou “IBGE Americano”) e a análise do National Bureau of Economic Research (NBER) revelaram que a dissolução do vínculo matrimonial raramente é um evento isolado na biografia de uma criança; ela costuma ser o gatilho para uma série de fragilidades que perduram até a vida adulta.

Estatisticamente, os filhos de pais divorciados apresentam uma propensão significativamente maior a enfrentar desafios escolares e problemas de saúde mental.

A ausência de uma estrutura biparental está frequentemente associada a taxas mais baixas de graduação e a uma maior vulnerabilidade no consumo de substâncias. Isso vai além da “falta” de um dos genitores, pois envolve a instabilidade financeira e emocional que costuma acompanhar o processo.

O divórcio, em muitos casos, acaba por “herdar” novos problemas: uma literatura sociológica aponta que as crianças que crescem em lares fragmentados têm duplas hipóteses de também se divorciarem no futuro, criando um ciclo de instabilidade que desafia a coesão social ao longo das gerações.

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