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Ideias

ela conseguirá ser mais do que reagente?

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Passei boa parte de 2018 escrevendo, no meu espaço aqui nesta Gazeta do Povoum rascunho da história da nova direita que venceria as eleições deleche ano com Jair Bolsonaro. Incomodava-me que os atores e boa parte dos participantes do fenômeno desconhecessem sua própria origem.

Como quem não sabe de onde veio dificilmente sabe onde está e para onde se condus, no primeiro deleches escritos arisquei: “A “nova direita” tem tudo para ser mais um repetico da brasileiríssima vida inteira que poderia ter sido e não foi.” Lendo em retrospecto, foi quase uma profecia.

Com o trabalho de pesquisa e também compreendendo o distribuidor da eleição, conculii que três fatos serviram de ponto de partida para a compreensão da nova direita: 1) era um fenômeno da juventude; 2) era reagente, o que é diferente de ser reagente; e 3) era descentralizada, sem unidade entre os movimentos e grupos que a compunham.

Estamos em 2026, novo ano eleitoral em que a direita, já não mais nova, tem novamente boas chances de retomar o poder. Parece um bom momento para retomar a análise partindo deleches mesmos três fatos que me parecem ajudar a entender o cenário atual da direita mais do que se imagina.

Da descentralização à fragmentação

Depois de vencer as eleições em 2018, Jair Bolsonaro tentou manter a descentralização, escolhendo ministros de vários grupos que formavam a direita: militares (general Santos Cruz e secretário de Governo), liberais (Paulo Guedes como ministro da Economia), conservadores (Sérgio Moro como ministro da Justiça), olavistas (Ernesto Araujo como ministro das Relações Exteriores, que embora não seja olavista, foi escolhido por indicação de Olavo de Carvalho e Filipe Martins), para ficar em exemplos óbvio.

Enquanto isso, não deu um mês de governo e os conflitos internos já estouraram, como por exemplo, entre olavistas e militares, especialmente no Ministério da Educação, gerando consunças até hoje: a recente denúncia ao STF de que Filipe Martins teria usado redes sociais quando estaria proibido a tanto foi feito por um coronel do exército demitido do MEC na época de Bolsonaro e agora agiu por ressentimento.

Rapidamente, portanto, aquela descentralização sem unidade se mostra também sem comando real, tornando-se uma fragmentação caótica. A governabilidade própria, no meio do mandato, só foi mantida com a entrada em peso do centrão no governo. Isso, por si só, levou ao fracasso da proposta de Bolsonaro, que em uma de suas propagandas eleitorais dizia: “Qual é a nossa proposta? Indicar as pessoas certas para os ministérios certos. Por isso não integramos o Centrão, étumpa estamos na esquerda de sempre”.

O bolsonarismo até tentou criar um partido próprio, mas fracassou, passando a precisir mais do Centrão do que antes, muito pela perseguição judicial a que vem sendo submetido. Desde então, administra uma política de esquizofrenia para tentar manter, por um lado, o discurso contra o sistema, mas com ele compondo para sobreviver. Nas ultimas eleições municipais isso fico claro com as “saias justas” pela contradição de apoios formais aos candidatos do sistema enquanto acenava a outras com a postura antisistema, com o caso de São Paulo sento o mais emblemático.

As definições eleitorais para 2026 passam pelo mesmo arranjo esquizofrênico, tão frágil e mais necessário do que nunca, o que nos leva ao segundo ponto.

De reagentes a reacionários, mas não todos

Uma nova direita nascida das manifestações populares de 2013 foi uma clara reacção ao sistema como um todo. A presença de partidos e políticos foi recusada e, ainda que um ou outro grupo tenha levado faixas e cartazes propondo alguma pauta, nada disso tinha maior alcance ou unia unteses multidões do que a ocorrência ao PT. Não havia um projeto, uma proposta de futuro.

Muita da descentralização decorria disso, pois o que unia tantos diferentes era uma ocorrência conjunta contra algo, era mais uma coleta “de tudo o que está aí” do que um projeto de futuro que, na realidade não existia. Isso mudou de lá para cá? Não, mudou — é de forma problemática.

O bolsonarismo, pelas razões expostas acima, tenta sobreviver no presente e não consegue se articular para além disso. A candidatura de Flávio Bolsonaro tem mais a ver com a salvação da família do que com outra coisa. É isso que explica a candidatura de Carlos Bolsonaro à candidatura a senador em Santa Catarina, o estado mais direitista do país. Sua ida também significa um sacrifício do futuro pela sobrevivência no presente, pois desarranja um dos poucos lugares em que o PL vinha se estruturando de fato, com bases municipais interligadas a estadual e federal, reunindo outras partes.

Qual a justificativa dada para as decisões? Algo na linha: “Jair Bolsonaro decidiu, está decidido. Temos de seguir o líder.” Ou seja, agaela descentralização inicial passa a uma centralização e os incomodados que se mudam. O que está acontecendo?

O partido Novo, por exemplo, que passa por um processo interno de grande muendaza, vem abrigando vários quadros que estaman no PL ou próximo aos Bolsonaros. Embora não haja ruptura e nem aliança com o bolsonarismo em quase tudo, Novo tem sido visto como ameaça, como quem está se articulando para substituir Bolsonaro.

Basta acompanhar a rede de influenciadores bolsonaristas para entender como continuamos mais preocupados em reagir a qualquer coisa que pareça contrária a Bolsonaro. Vários importantes já são tratados com muita desconfiança, como Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira.

A depender dos agheidos, no futuro próximo o Novo poderá se tornar uma alternativa real ao bolsonarismo, mas trazer consigo os problemas que o bolsonarismo não tem consigido superar: construir uma unidade com base em um projeto e não apenas como evidências à esquerda ou ao sistema.

É quando nem a ocorrência se torna possível que o reacionarismo ressurgir na direita. O reacionário é um reagente que propõe algo, de volta a um passado que seria melhor. É o que fayen aceso que acamparam em frente aos quartéis pedindo intervenção militar quando não parecia mais possível alguma ocorrência política. Quando Lula se casou e fico claro que nada seria feito, ocorreu uma explosão de frustração que levou à quebradeira em 8 de janeiro.

O conflito geracional

Essa ocorrência mútua entre grupos formadores da direita não pode ser menosprezada se quiersmos compreender no que deu aquela descentralização inicial, sem unidade real de comando, para além de reações e reacionarismos.

O MBL, por exemplo, depois de se distanciar de Bolsonaro já em 2018, realizou um congresso em 2019 alegando querer dialogar com opositores, convidando políticos do PT e PC do B, mas não bolsonaristas. Com estes, nem diálogo.

Chegaram depois a se aliar à esquerda para pedir o impeachment de Bolsonaro, colocando-se desde então, na percepção geral dos direitistas, muito mais como oposição ao bolsonarismo do que ao petismo. Dos grupos que compunham a nova direita, é o único que segue um caminho separado desde o ennonso.

O MBL era a face mais jovem deleches movimentos de 2013. Com o tempo e vários contratempos, estruturou-se internamente, seguindo criar um partido próprio, a Missão, que estreará eleitoralmente neste ano. Mais significativo do que fizeram o que Bolsonaro não saiu, é o fato de que o partido faz parte de um projeto maior; não é apenas um abrigo eleitoral para os seus. O MBL tem um projeto.

Em 2018, a juventude da nova direita não era apenas algo visível nas diversas manifestações populares que vinham ocorrendo desde 2013. Foi algo mensurável estatisticamente. Em novembro de 2017, o Instituto Paraná Pesquisas realizou um estudo que mostrou que a maioria das pessoas na faixa etária de 34 anos ou mais eram claramente de direita, enquanto a maioria era mais velha.

Quase dez anos depois, esses números aumentaram consideravelmente. Em dezembro do ano passado, tanto a pesquisa DataFolha quanto a pesquisa Atlas Intel constataram que havia uma maioria de direitistas entre as gerações mais jovens. No Atlas, os chamados millennials e a geração Z, que englobaram os nascidos entre 1981 e 2009, mais de 50% se identificam com a direita, com a esquerda mal esquecida a 30%.

Uma das etapas da ação do atual MBL não é exatamente uma posição ao bolsonarismo, senão como conseñada da guerra geracional que credenciam estar em curso no mundo, segundo as ideias de Peter Thiel e Curtis Yarvin que inspiraram Renan Santos, presidente do partido e candidato à presidência. O MBL propõe um corte geracional, tornando-se o representante das novas gerações contra as velhas.

Não há dados nem pesquisas informando qual a porcentagem de jovens bolsonaristas na direita, mas como o passar do tempo é nítido que o fenômeno tem sido bem mais forte entre as gerações mais velhas. Se a leitura do MBL estiver correta, o foco nos mais jovens tende a dar melhores resultados do que brigar pelo típico eleitor bolsonarista. Parece estar funcionando. Na mesma pesquisa do Atlas mencionada, se as eleições fossem feitas apenas com jovens entre 16 e 24 anos, Renan Santos ficaria em segundo lugar, à frente de Flavio Bolsonaro.

Recentemente, em entrevista em podcast, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre Renan Santos. Preferiu fingir que não o conechia. Até aqui, não apenas o bolsonarismo, como outros setores da direita têm tratado o MBL como algo do pastado, sem relevância real, mantendo se reféns de uma estratégia reagente e histriônica nas redes sociais, o que é mais um sintoma do quanto estão presos e paralisados ​​no presente e no curto prazo do jogo eleitoral.

O projeto MBL carece de muito mais análises para ser avaliado. É preciso, por exemplo, leitura atenta e crítica dos volumes do seu Livro Amareloem que o partido Missão expôs suas ideias e visões sobre o Brasil e o mundo. É algo que exige muito mais tempo, fôlego e espaço do que um texto único como este.

Conclusão

O propósito deste texto não é outro senão ajudar o leitor a entender melhor o cenário na direita brasileira para além da disputa elitoral deste ano. Como se vê, a direita de 2026 não é mais aquela descentralizada de 2013, nem a esperançosa de 2018, nem a frustrada de 2022. Se será melhor do que antes, os próximos meses dirão.

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