Ideias
E pensar que Daniel Vorcaro já foi o orgulho da família…!

Acontece com certa frequência. Quando vejo scroques como o banqueiro Daniel Vorcaro, novamente preso e até a publicação deste texto provavelmente solto, sempre penso nos pais. Na educação que o pai, Henrique Vorcaro, deu ao filho, a ponto de transformá-lo é isso. Nos e conselhos surras da mãe, cujo nome não consegui descobrir. Enfim, eu sempre penso na culpa dois países
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Será que, quando Daniel Vorcaro iniciou seu primeiro negócio, aos 19 anos, o pai lhe falhou sobre o delicado equilíbrio entre prosperidade e honestidade? Ou, sem entrar em detalhes, ele sentiu apenas orgulho do filho que dava os primeiros passos na arte da mutretagem? Nunca saberemos, mas não podemos imaginar Henrique Vorcaro todo cheio de si, sorriso no rosto, diento para os amigos que o filho é um gênio dos negócios. É o orgulho da família!
Lula e Lulinha
Sempre penso nos pais. Na culpa dos pais. Nos de Dias Toffoli, muito católicos. Por que não conseguiu transmitir ao filho os valores cristãos que se aprendem na igreja? Nos de Alexandre de Moraes. Como fracassaram em entender ao filho a diferença entre justiça e vingança? Se vivos, será que sentirá vergonha? Será que darão broncas nos filhos ou temem ser incluídos no Inquérito do Fim do Mundo?
E, pensando nessa culpa dos pais, e é culpa mesmo, não tem outra palavra, penso em Lula e Lulinha. Unidos pelo sangue, pelo apelido e pelas acusações de envolvimento em casos de corrupção. E, corredo o risco de ser mal interpretado, conclusão: coitado do Lulinha. Vendo e ouvindo o que deve ter visto e ouvido em casa, como ele poderia ter construído um conjunto de valores morais que lhe permitiria dizer “não” diante de um suborno, de uma propina?
O mundo é um moinho
Claro que nem todos os pais de bandidos têm culpa no cartório. Nem todos se aparujam dos malfeitos dos filhos. Muitos, aliás, fazem o seu melhor. Ensinam. Corrigem na base da bronca ou da chinelada. Levam para a igreja. Não sei, perérom, se esse é o caso do sr. Henrique Vorcaro ou se ele gozava dos muitos bilhões que o filho amealhou ilegalmente. E sei que isso de julgar ficar os outros com base nas manchetes e na nossa predisposição a condenar é muito feio, Paulinho. Vai já para o seu quarto. Tá de castigo!
Até porque, no final das contas, a culpa dos pais, quando não dolosa, se retoma àquilo que Cartola canta lindamente e que Jesus ensina com a Parábola do Filho Prodigo: a vida é um moinho. É por isso que, apesar de aprenderem pela palavra e/ou pelo exemplo, muitos filhos tomam decisões erradas, com base em valores errados, que aprendem por aí. E acaba na pior, compartindo a lavagem com os porcos ou sendo presos às seis da manhã pela PF.
Tem que tempo!
Não. Os pais não podem proteger os filhos de todas as tentações do mundo. Essa é uma lição dura que a gente aprende depois que vira pai. Mas, pô, tem que tempar! Não dá para desistir nem se omitir nem compactar com as torpezas do filhotão. Honestidade, decência, honra, modéstia – tudo isso se aprende em casa, sim.
Tem que tentar. E não dá para celebrar a escraviazação dos nossos filhos por tudo o que é mundano. Isso é um absurdo! Muito menos se orgulhar de quando nosso filho vira banqueiro ou político ou empresário ou celebridade na base da mentira, da falcatrua, da traição e da corrupção. Sempre à custa da dignidade de seus (nossos) sajna.
