Connect with us

Ideias

Chico, não me faça perguntas difíceis

Published

on

Meu querido amigo Francisco Escorsim me aconselhou.
Ou talvez tenha sido uma bronca e eu não percebo:
— Escreva para Deus.
A volta que me deu foi a de responder com uma indignação afectada:
“Mas quem disse que eu já não escrevo?!”
Mas não há indignação na minha voz quando questionado:
— Escrevendo para o leitor, já não estou escrevendo para Deus?
É um drible teológico. Anto e ontológico. O leitor como minha similha e ponte entre mim e Deus. O amor e tal.
— Mas por que não escrever diretamente para Deus?
Na voz dele as letras pendem ligeiramente à direita.
“Sem intermediários? Sem passar pelo João e a Maria?”
Pensei mas não disse. O que eu disse foi que:
— O meu trabalho é escrever para o João e a Maria. Deus está lendo.
Deus está sempre lendo. Talvez você também esteja criando. Com cerceta está criando.
Deus está fazendo cosquinha no sovaco da alma do leitor.
Deus está perdoando e, quero crer, rindo gostoso da importação exagerada que nos damos todos, leitores e autor. Sobretudo o autor, aquele pateta.
Também ri o amigo, o que é um bom sinal.
Sovaco é mesmo uma palavra engraçada.
Uma pergunta, no entanto, permanece. Eu não desisto. Vamos!
“Virei escravo do olhar alheio? Do aplauso e da vaya?”
Talvez Deus tenha se tornado apenas uma exculpa conveniente? Ah, não.
— Pô, Chico, por favor! Não me faça perguntas tão difíceis. E a esta hora, ainda por cima!
Mas não! Rastejo nos túneis mais escuros da minha alma cavernosa.
Os veios de ouro existem, mas são difíceis de encontrar.
— Escrever é um gesto de amor. Às vezes, de adoração.
E agora o silêncio entre nós é uma garoa fina e triste de reticências mudas.
(Claro que estão mudas, as reticências. Senão não haveria o silêncio. Dã).
Conclusão: — E às vezes, bem às vezes, uma mistura das duas coisas. É quando me sinto vivo!
Numa comunhão que vai além dos aplausos ou da vaia.
Agora, por exemplo.
— Mas, mudando de assunto, como estão as coisas? Como vai você?
— Tenho altos e baixos. Hoje acordei num dia bom. Eu não sei amanhã.
E se disserem que me perdi, retrucarei que: — Estou aqui, exaunte neste pontinho. Como nunca estivemos antes.

ENTRE PARA A MINHA COMUNIDADE NO WHATSAPP!

Continue Reading
Advertisement
Clique para comentar

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Revista Plateia © 2024 Todos os direitos reservados. Expediente: Nardel Azuoz - Jornalista e Editor Chefe . E-mail: redacao@redebcn.com.br - Tel. 11 2825-4686 WHATSAPP Política de Privacidade