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Caminhar aos 60 anos é ótimo, mas é preciso combinar com exercícios de força, com ou sem pesos.
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Caminhar todos os dias é um hábito saudável e acessível, mas treinadores especializados em adultos acima dos 60 anos são unânimes em um ponto que muita gente ainda desconhece: a caminhada sozinha não é suficiente para manter a autonomia, a estabilidade e a qualidade de vida nessa fase. Os exercícios de força, com ou sem pesos, são a peça que está faltando na rotina da maioria das pessoas acima dos 60 anos, e ignorar esse tipo de treino pode comprometer diretamente a massa muscular, o equilíbrio e a independência ao longo do tempo.
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Por que caminhar não é suficiente para quem tem mais de 60 anos?
A caminhada é excelente para o sistema cardiovascular, melhora a circulação, eleva o humor e ajuda a manter um peso saudável. O problema é que ela não trabalha o que o corpo realmente começa a perder a partir dos 60 anos: a massa muscular. Esse processo de perda progressiva tem nome, é chamado de sarcopenia, e avança a uma taxa de 1% a 2% ao ano quando não há estímulo adequado. O resultado é uma fraqueza que se instala de forma silenciosa e que a caminhada, por mais regular que seja, não consegue frear.
O treinador Jorge Salas, especialista em adultos acima dos 50 anos, resume bem o problema: muitas pessoas que caminham todos os dias continuam se sentindo instáveis, com dificuldade para se levantar do sofá ou subir escadas. E a razão não é falta de movimento, é falta de força. A caminhada movimenta o corpo, mas não dá ao músculo o estímulo necessário para crescer ou se manter. Sem exercícios de força, a sarcopenia segue avançando mesmo em quem nunca para de caminhar.
Quais são os riscos de não incluir exercícios de força na rotina após os 60 anos?
A perda de massa muscular sem reposição tem consequências práticas que afetam diretamente o dia a dia. Levantar da cama com mais esforço, sentir dificuldade para carregar sacolas de compras, precisar de apoio para subir escadas, são sinais de que a força está diminuindo mais do que deveria. Com o tempo, esse enfraquecimento progressivo aumenta o risco de quedas, que são uma das principais causas de perda de autonomia em pessoas acima dos 60 anos.
O treinador Abel Girones, especializado em exercício para pessoas mais velhas, destaca que o equilíbrio também é diretamente afetado pela falta de força. Pessoas que se sentem instáveis ao caminhar em superfícies irregulares ou ao se mover em espaços estreitos geralmente não têm problema de coordenação, têm problema de força real nas pernas, no core e nos glúteos. Entre os principais riscos associados à falta de exercícios de força nessa faixa etária estão:
- Aumento do risco de quedas por instabilidade muscular e falta de equilíbrio
- Redução progressiva da densidade óssea, elevando o risco de fraturas
- Dificuldade crescente para realizar tarefas cotidianas simples com autonomia
- Piora da postura e aumento de dores lombares e articulares
- Queda no metabolismo basal, com acúmulo de gordura mesmo sem mudar a alimentação
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Quais exercícios de força são mais indicados para quem tem 60 anos ou mais?
A boa notícia é que não é preciso academia, pesos pesados ou rotinas complexas para começar a trabalhar a força depois dos 60 anos. Os treinadores especializados recomendam começar com movimentos funcionais, aqueles que reproduzem gestos do dia a dia e que fortalecem os grupos musculares mais importantes para a estabilidade e a autonomia. O próprio peso do corpo já é suficiente para dar início ao treino com segurança e resultados reais.
Entre os exercícios de força mais indicados e seguros para essa faixa etária estão:
- Sentar e levantar da cadeira lentamente, sem apoio das mãos: fortalece pernas, glúteos e core, trabalhando diretamente os músculos usados para se levantar do sofá ou da cama
- Flexão na parede: apoiar as mãos na parede e empurrar o corpo de volta à posição inicial, fortalecendo peitoral, tríceps e ombros sem nenhum impacto nas articulações
- Elevação de calcanhares em pé, apoiado no encosto de uma cadeira: melhora o equilíbrio e fortalece as panturrilhas, fundamentais para a estabilidade na caminhada
- Ponte de glúteos deitado: fortalece glúteos e lombar, protege a coluna e melhora a capacidade de se levantar com mais facilidade
- Exercícios com elásticos: versáteis, acessíveis e seguros, podem trabalhar braços, costas e pernas com intensidade progressiva e sem risco para as articulações
Confira o vídeo do canal do Dr. Daniel Vicentini – Gerontologia mostrando exercícios de força muscular para idosos:
Como combinar caminhada e exercícios de força de forma prática no dia a dia?
A combinação ideal, segundo os especialistas, é realizar entre duas e três sessões de exercícios de força por semana, com pelo menos um dia de descanso entre cada uma, e manter a caminhada nos demais dias como atividade complementar. Cada sessão de força pode durar entre 30 e 45 minutos, começando sempre com 10 minutos de aquecimento com movimentos articulares suaves ou uma caminhada leve.
Essa combinação cobre o que cada tipo de exercício faz melhor: a caminhada cuida do coração e da circulação, enquanto os exercícios de força cuidam dos músculos, dos ossos, do equilíbrio e da autonomia. Girones resume bem o que está em jogo nessa escolha: caminhar é se mover, mas começar a treinar força é preservar a liberdade de ser o mais autônomo possível pelo maior tempo possível. A ciência confirma que o corpo humano pode ganhar massa muscular em qualquer idade com o estímulo certo, e os 60 anos são um momento ideal para começar, antes que a sarcopenia avance o suficiente para limitar a vida cotidiana de forma significativa.
