Celebridade
Aos 50 anos, ator de Segundo Sol vive nova fase em musical da Globo após perda do marido

O ator, cantor e diretor André Dias atravessa um período de intensos contrastes entre a glória dos palcos e os desafios da vida pessoal. Aos 50 anos, ele assume a responsabilidade de interpretar Dionísio, o deus do teatro, no espetáculo Espelho Mágico. A superprodução musical celebra os 60 anos da TV Globo e marca o que o artista define como um verdadeiro recomeço. “É um privilégio contracenar com Eliane Giardini e Marcos Veras, um renascimento pessoal através do teatro”, afirma o ator. Recentemente, ele emocionou o público ao comunicar o falecimento de seu companheiro, o escritor Guillermo Gustavo Loyola Ruiz, autor do livro Perro.
Apesar da dor profunda, o “homem de teatro” encontrou no ofício a força para seguir adiante. Ao dar vida ao Deus da Arte, ele simboliza a chama que impulsiona cada ator a continuar. De acordo com André, a dinâmica com Eliane Giardini tem sido um bálsamo. “Descobrimos que, além de uma profissional soberba, ela também é uma companheira de cena generosa e alto astral. Rimos dos nossos próprios erros”, revela. Para ele, esse jogo cênico é um deleite que homenageia grandes referências da TV, como Lima Duarte e Lilian Lemmertz.
Uma trajetória marcada pelo rigor e versatilidade
A carreira de André Dias é pautada por uma formação sólida na UNI-RIO e uma pós-graduação em História da Arte. Na TV Globo, ele conquistou o país com personagens marcantes como o icônico Groa, fiel escudeiro de Giovanna Antonelli em Segundo Sol. Outro destaque foi o mordomo Patrício em Novo Mundo. No entanto, a virada de chave para sua projeção nacional ocorreu bem antes, nos palcos. Peças como Avenida Q (2009) e Bilac vê Estrelas (2015) foram divisores de águas que o levaram para o topo da lista dos atores mais versáteis de sua geração.
O reconhecimento veio através de indicações e vitórias nos prêmios mais importantes do país. Pelo papel de Olavo Bilac, ele foi indicado ao Prêmio Bibi Ferreira e Cesgranrio. Posteriormente, conquistou o Prêmio Reverência de Melhor Ator Coadjuvante como o Dr. Dreyfus em Se Meu Apartamento Falasse. Em 2023, brilhou como o escritor Franz Kafka em Kafka e a Boneca Viajante, recebendo nova indicação ao Prêmio APTR. Portanto, sua técnica é reconhecida tanto pela crítica especializada quanto pelo grande público.
Do Teatro de Revista ao streaming internacional
O rigor exigido pelos grandes musicais, como Mamma Mia e Rent, trouxe para André uma disciplina ímpar. Segundo o ator, o teatro musical exige um estudo de resistência física e vocal que poucos gêneros demandam. “São muitas sessões semanais e a técnica é fundamental”, explica. Essa bagagem permitiu que ele se destacasse em produções internacionais, como a série Passaporte para a Liberdade, seu primeiro trabalho rodado totalmente em inglês. Além disso, ele participou de séries icônicas como JK, As Cariocas e As Brasileiras.
No cinema, sua atuação como Emmanuel no filme Chico Xavier, dirigido por Daniel Filho, é lembrada até hoje pela profundidade emocional. Ele também integrou o elenco de O Xangô de Baker Street, sob a direção de Miguel Faria Jr. Consequentemente, equilibrar o ator de TV com o ator de palco tornou-se sua marca registrada. Para André, a superprodução Espelho Mágico resgata a essência do “bom e velho Teatro de Revista”. O espetáculo narra a história da televisão brasileira de forma despretensiosa e vibrante.
Memória cultural e o luto na vida pública
A perda do marido, ocorrida em São Paulo, trouxe uma onda de carinho de amigos e colegas. Nomes como Inez Vianna, Sara Sarres e Marcos Veras confortaram o artista, que sempre manteve uma postura reservada sobre sua intimidade. “Com profundo pesar, comunico a partida do amor da minha vida”, escreveu ele na ocasião. Agora, no papel de Dionísio, ele usa o palco para honrar a memória cultural brasileira e seu próprio caminho de superação.
De acordo com o ator, Espelho Mágico funciona como uma “Revista Digital ao Vivo”. A peça revela músicas e personagens que fazem parte do inconsciente coletivo do povo. Por fim, a mensagem principal que a obra deixa é a importância de valorizarmos nossas origens e nossos artistas. Ao representar o Deus do Teatro em um momento de fragilidade pessoal, André Dias prova que a arte é, de fato, um instrumento de cura e eternidade.
