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Ana Castela revela confirmação de diagnóstico e especialista explica os detalhes da condição

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A cantora Ana Castela surpreendeu seus fãs nesta quarta-feira, 11, ao contar que recebeu o diagnóstico de Transtorno de Défice de Atenção (TDA). A artista foi ao médico e disse que o diagnóstico fez sentido em sua vida.

Acabei de sair da consulta e vou te falar: agora minha vida fez sentido. Agora eu entendi tudo já”, comentou ela, que tem TDA. Então, ela comentou que não tem a hiperatividade do TDAH. Afinal, o que é TDA? E qual é a diferença para TDAH? Para responder essas dúvidas, a psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência e superdotação feminina, explicou a diferença dos termos.

De acordo com a profissional, o termo mais utilizado é TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e a diferença é a forma como os sintomas se apresentam. “Muitas pessoas ainda imaginam que o TDAH está sempre associado a hiperatividade física intensa. Mas o transtorno pode se apresentar de formas diferentes, e nas mulheres a hiperatividade muitas vezes é mais interna, mental e emocional, o que faz com que o diagnóstico passe despercebido por muitos anos“, afirmou.

A médica ainda contou que as mulheres são diagnosticadas tardiamente. “O que vemos com frequência na clínica são mulheres extremamente inteligentes, curiosas e reflexivas que passaram anos acreditando que tinham apenas dificuldade de organização ou excesso de pensamentos. Quando recebem o diagnóstico, muitas relatam uma sensação profunda de compreensão da própria história”, afirma Dra. Thaíssa Pandolfi.

Segundo a psiquiatra, compreender o próprio funcionamento mental pode transformar a maneira como a pessoa se relaciona com suas dificuldades. “Quando alguém entende como sua mente opera, deixa de interpretar certos desafios como falha pessoal. O diagnóstico permite reorganizar a rotina, criar estratégias de manejo da atenção e desenvolver mais gentileza consigo mesma”, explica.

O tratamento pode envolver psicoeducação, estratégias cognitivas de organização, acompanhamento psicoterapêutico e, em alguns casos, tratamento medicamentoso. “Para muitas mulheres, descobrir o TDAH significa revisitar a própria trajetória com mais compreensão. Situações que antes eram vistas como falta de esforço passam a ser entendidas como parte de um funcionamento mental específico. E isso abre caminho para novas formas de viver com mais autonomia e equilíbrio”, declarou.

Além disso, a psiquiatra explicou os 3 subtipos de TDAH:

1. TDAH predominantemente desatento

Nesse tipo de apresentação, os sintomas estão mais relacionados à dificuldade de manter atenção sustentada e de organizar tarefas. Entre os sinais mais comuns estão distração frequente, esquecimento de compromissos, dificuldade para concluir atividades, perda de objetos e sensação de mente constantemente dispersa.

Essa forma do transtorno é particularmente comum em mulheres. Como não envolve necessariamente agitação física ou comportamento impulsivo evidente, muitas meninas são vistas apenas como “distraídas”, “sonhadoras” ou “desorganizadas”, sem que se investigue um transtorno do neurodesenvolvimento.

2. TDAH predominantemente hiperativo-impulsivo

Nessa apresentação predominam sintomas de inquietação motora, impulsividade e dificuldade em permanecer parado ou esperar turnos. Em crianças, isso costuma aparecer como agitação física intensa, dificuldade em permanecer sentado ou tendência a interromper conversas.

Em mulheres adultas, porém, essa hiperatividade frequentemente se manifesta de forma diferente. Em vez de movimento físico evidente, é comum observar hiperatividade mental, caracterizada por fluxo acelerado de pensamentos, sensação constante de mente ativa, dificuldade para “desligar” o pensamento e tendência a iniciar várias ideias ou projetos ao mesmo tempo.

“Muitas mulheres descrevem a experiência de ter uma mente que nunca desacelera. Elas relatam pensamentos simultâneos, dificuldade para relaxar mentalmente e sensação de estar sempre processando várias informações ao mesmo tempo. Essa hiperatividade interna muitas vezes não é reconhecida como parte do TDAH”, explica Dra. Thaíssa.

3. TDAH apresentação combinada

Na apresentação combinada, estão presentes tanto sintomas de desatenção quanto de hiperatividade e impulsividade. Essa é considerada a forma mais clássica do transtorno e costuma ser mais facilmente identificada na infância, especialmente em meninos.

Entretanto, mesmo nessa apresentação, mulheres frequentemente aprendem desde cedo a camuflar comportamentos impulsivos, utilizando esforço excessivo para manter organização, controle emocional e desempenho acadêmico.

Durante décadas, a maior parte dos estudos sobre TDAH foi realizada com meninos em idade escolar, que apresentam sintomas mais visíveis de hiperatividade. Como consequência, o perfil feminino acabou sendo pouco reconhecido na prática clínica.

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