Música
Amigos de Elvis Presley revelam bastidores inéditos da era Las Vegas em novo documentário

Baz Luhrmann acaba de lançar EPiC: Elvis Presley in Concert (2026), documentário que traz algo raro: a voz do próprio Elvis Presley narrando a própria trajetória, sem filtros ou interpretações de terceiros. O material foi descoberto por acaso durante a pesquisa para o filme biográfico de 2022 estrelado por Austin Butler, quando Luhrmann enviou uma equipe a uma mina de sal no Kansas em busca de rolos antigos. Lá estavam 65 bobinas esquecidas de filmagens originais dos anos 1970, incluindo entrevistas nunca divulgadas, como contam em entrevista à revista People.
Quando o retornou do serviço militar em 1960, Elvis encontrou um cenário musical completamente diferente do que havia deixado. O rock dos anos 1950 perdia espaço, e a carreira do cantor foi redirecionada para Hollywood por seu empresário, o Coronel Tom Parker. Durante anos, Elvis estrelou filmes que considerava repetitivos e artisticamente vazios, sentindo-se preso em contratos que não lhe permitiam explorar o próprio potencial como ator. “A produtora e a equipe de gestão basicamente disseram: se você não cumprir essas obrigações, não fará mais nada”, explica Jerry Schilling, amigo próximo do cantor.
O renascimento veio em 1969, após o especial televisivo de retorno e uma temporada no International Hotel, em Las Vegas. A primeira noite teve plateia repleta de estrelas como Cary Grant e Sammy Davis Jr. Terry Blackwood, vocal de apoio de Elvis, lembra que, no meio do show, o cantor tirou um anel e deu para Sammy: “Elvis percebeu que ele era um grande fã”. O sucesso foi tão grande que um acordo foi fechado antes mesmo do fim da temporada inicial, e Elvis retornaria ao hotel, que depois virou Hilton, duas vezes por ano pelos próximos cinco anos, intercalando com turnês pelos Estados Unidos.
Os músicos descrevem uma rotina peculiar. Jerry Scheff, baixista, conta que Elvis convidava a banda ao camarim antes de cada apresentação, onde havia um bar disponível, embora ele próprio não bebesse. Tony Brown, pianista, lembra o perfeccionismo: “Todo mundo tinha que estar impecável no palco. A banda inteira queria que Elvis ficasse satisfeito”. Uma noite, Blackwood foi convidado à cobertura e encontrou Mama Cass, dos The Mamas & the Papas. Cantaram gospel ao redor do piano, e, quando chegaram ao último verso de “Amazing Grace”, ela estava em lágrimas, finalmente compreendendo por que Elvis amava tanto aquelas canções.
Mas Las Vegas eventualmente se tornou uma armadilha. Após alguns anos, a rotina noturna começou a desgastar, e a equipe dormia até o fim da tarde e passava semanas sem ver a luz do sol. Elvis queria fazer turnês internacionais, mas Parker bloqueava qualquer plano porque havia imigrado ilegalmente para os EUA. O divórcio de Priscilla em 1973 agravou a situação, e o abuso de medicamentos prescritos foi minando sua saúde. Em seu último show, em junho de 1977, ainda cantava bem apesar das dificuldades físicas. Menos de dois meses depois, morreu aos 42 anos em Graceland.
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