Música
A jovem banda de rock que está salvando a música, segundo Adam Clayton (U2)

A banda americana Geese criou para si um hype considerável após seu álbum mais recente, Getting Killed (2025). O trabalho tem vários fãs famosos — entre eles, Adam Clayton, baixista do U2.
Na edição mais recente do fanzine oficial do grupo irlandês, Propaganda (via Far Out Magazine), o músico discutiu quais álbuns não para de ouvir. Ele citou Geese e cobriu o grupo emergente de elogios:
“Eu respeito a atitude radical sem regras deles de não fazer o jogo comercial. É uma reação às coisas programadas e produzidas demais, traz a música de volta àquela química especial de uma banda tocando junta.”
Novo álbum do U2
Na mesma edição da Propaganda, Bono atualizou fãs quanto ao status do próximo álbum do U2, o sucessor de Songs of Experience (2017). O vocalista afirmou que o U2 ainda está no processo de decidir o repertório, e as canções devem ser mais alegres comparadas ao EP Days of Ash (2026):
“Tem mais de 25 músicas nas quais estamos trabalhando. Mas eu diria que 25 valem ser consideradas para projetos do U2 nos próximos anos. As candidatas para o álbum são bem diferentes em termos de clima e temas que as escolhidas para o EP Days of Ash. São mais canções de celebração que lamento… mais aquele clima de alegria como ato de resistência nesses tempos ansiosos… quase como um carnaval.”
Não existe previsão de lançamento deste novo álbum. Entretanto, a fanzine afirma que “não falta muito”.
Quem é Geese
Apesar de jovem, o Geese está junto há uma década. Os integrantes da banda – Cameron Winter (vocais/guitarra), Emily Green (guitarra), Dominic DiGesu (baixo) e Max Bassin (bateria) – se conheceram através de iniciativas musicais para estudantes em Nova York e logo começaram a tocar. O nome da banda veio do apelido da guitarrista, Goose.
Após uma série de lançamentos feitos pela própria banda durante o Ensino Médio que não estão disponíveis oficialmente em streaming, o Geese planejava se separar. O motivo era simples: os integrantes iriam para a faculdade.
Entretanto, esse material lançado atraiu interesse de gravadoras. Em entrevista à GQ, Cameron Winter brincou sober o timing disso coincidir com o começo da pandemia:
“Eu provavelmente tive o melhor abril de 2020 de qualquer pessoa na Terra. Quando falaram pra mim: ‘A Sub Pop quer te oferecer um contrato de gravação’, eu gritei. Eu nunca gritei daquele jeito na minha vida, até ali ou desde então. Meus pais entraram correndo no meu quarto, crentes que eu tinha me enforcado ou coisa assim.”
Apesar da reação do vocalista à oferta da Sub Pop — selo de importância fundamental na música alternativa —, o Geese assinou com a Partisan Records. Os dois primeiros álbuns da banda pelo selo, Projector (2021) e 3D Country (2023), tiveram uma recepção boa da crítica. Apesar disso, o grupo sofreu uma baixa. O guitarrista Foster Hudson, que fazia parte da formação desde 2019, saiu no fim de 2023 para se concentrar nos seus estudos universitários.
O perfil da banda começou a aumentar após o primeiro disco solo de Winter, Heavy Metal (2024). O álbum foi aclamado pela crítica e se tornou um sucesso viral graças à canção “Love Takes Miles”. Além disso, a imagem da capa se tornou um meme devido à aparência do cantor.
Enquanto isso ocorria, o Geese preparava algo com o produtor Kenny Beats (IDLES, Vince Staples, Denzel Curry). Getting Killed saiu em setembro do ano passado e se provou o momento de estouro do grupo. O álbum foi o primeiro da banda a aparecer nas paradas de sucesso dos Estados Unidos (96º lugar) e Reino Unido (26º). Além disso, apareceu em diversas listas de melhores do ano, inclusive da Rolling Stone Brasil. Texto do jornalista Igor Miranda destaca:
“Oriundo do hip hop, mas versado no indie contemporâneo, o produtor Kenny Beats adotou uma abordagem menos perfeccionista em Getting Killed e fez uma filtragem do esparso repertório após, curiosamente, ouvir o recente trabalho solo de Cameron Winter, Heavy Metal (2024). Só ali ele conseguiu entender a dinâmica criativa do vocalista e de seu grupo. Ainda assim, o disco é desafiador e desengonçado. Causa estranheza na primeira audição. Todavia, também provoca curiosidade — e premia os insistentes. Por tudo isso, fica difícil pontuar destaques, mas as melodias grudentas de ‘Cobra‘ e ‘Au Pays du Cocaine‘, as batidas envolventes da faixa-título e o hino alternativo ‘Taxes‘ merecem menções.”
Por sua vez, Cameron Winter continua com sua carreira solo. Ele é uma das atrações do C6 Fest 2026. O cantor e compositor se apresenta no palco C6 LAB dia 24 de maio. Os ingressos estão esgotados.
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