Connect with us

Entretenimento

Nova Leitura de ‘Transa’: O Afeto como Chave para a Obra Icônica de Caetano Veloso

Published

on

O álbum 'Transa' (1972), de Caetano Veloso, gravado durante seu exílio em Londres, tem sido amplamente discutido e cultuado, ganhando especial relevância após a recepção de 'Cê' (2006). Em uma nova contribuição para a coleção 'O livro do disco', da editora Cobogó, a escritora Mateus Baldi revisita essa obra emblemática, indo além das análises recorrentes e incorporando até mesmo o recente revival do álbum em shows de 2023.

A Ótica do Afeto e o 'Disco-Mapa'

Mateus Baldi propõe uma perspectiva singular, enxergando 'Transa' como um 'disco-mapa' do Brasil, traçado pelos afetos do artista. Esta abordagem, fruto de uma alentada pesquisa para sua tese de mestrado, permite à autora dissecar o álbum de maneira a transcender a tradicional análise faixa a faixa, focando na dimensão emocional e geográfica da obra.

Gênese e Contexto da Criação

A narrativa do livro de Baldi remonta a 1958, ano em que João Gilberto deflagrou uma revolução sonora que ecoou em Santo Amaro da Purificação, terra natal de Caetano. O ponto de partida para a gênese de 'Transa' é o período anterior ao exílio forçado pela ditadura em 1969, situando o ouvinte nos eventos que precederam a mudança do artista para a Europa.

Impedida de ter acesso direto a Caetano Veloso, a escritora realizou uma extensa pesquisa em arquivos de jornais e revistas da época. Complementou seu estudo com entrevistas com figuras essenciais para a concepção do álbum, como Jards Macalé, o baterista Tutty Moreno e a cantora Angela Ro Ro, traçando assim a rota criativa que culminou em 'Transa'.

Colaborações e Influências Musicais

O disco 'Transa' teve direção musical de Jards Macalé, e as entrevistas com ele foram cruciais para Baldi reconstituir a relação entre os artistas. Da mesma forma, o contato com Péricles Cavalcanti ofereceu detalhes sobre o cotidiano de Caetano em Londres, onde Péricles viveu um período de exílio voluntário. Péricles, inclusive, é creditado pela sugestão de incorporar o ritmo reggae em 'Nine out of ten', um gênero que, nos anos 70, começava a ganhar o cenário mundial, mas ainda era pouco conhecido no Brasil.

Estilo e Contribuição da Obra Literária

O texto de Mateus Baldi se destaca pela fluidez e objetividade, desprovido dos rebuscamentos acadêmicos, soando como uma reportagem aprofundada. A autora caracteriza 'Transa' como um 'amuleto' concebido por Caetano no exílio, um 'mapa acústico' que capturava a atmosfera londrina enquanto resgatava um Brasil interior. O livro reforça a constante presença de 'Transa' na trajetória de Caetano, mesmo antes de seu status de culto, consolidado após a fase com a BandaCê.

A obra mantém a atenção do leitor ao detalhar o processo de gravação no Chapell's Recording Studios, descrever as faixas com uma ótica pessoal e explorar as referências embutidas por Caetano nas músicas, como o poema barroco de Gregório de Mattos em 'Triste Bahia'. Também aborda as dissonâncias que surgiram posteriormente entre o artista e o baterista Áureo de Souza em shows no Brasil.

Em suma, o livro sobre 'Transa' oferece um painel abrangente de um momento efervescente na discografia de Caetano Veloso, com uma narrativa afetuosa e jornalística. Embora não acrescente informações radicalmente novas a um álbum já exaustivamente analisado, a obra consolida sua posição como uma leitura essencial para os apreciadores da música e da cultura brasileira. A expectativa agora se volta para possíveis análises de outros discos marcantes do cantor.

Fonte: https://g1.globo.com

Continue Reading
Advertisement
Clique para comentar

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Revista Plateia © 2024 Todos os direitos reservados. Expediente: Nardel Azuoz - Jornalista e Editor Chefe . E-mail: redacao@redebcn.com.br - Tel. 11 2825-4686 WHATSAPP Política de Privacidade