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Dua Lipa escolhe livro de Conceição Evaristo para inaugurar biblioteca

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A cantora pop Dua Lipa inaugurou, no último sábado, 27, a Biblioteca Manifesto (Manifesto Library), localizada dentro da Livraria Lello, na cidade de Porto, em Portugal. O livro de contos Olhos d’Água (2014), da escritora brasileira Conceição Evaristo, de 79 anos, foi escolhido como a primeira obra a ser disponibilizada no espaço.

Nas redes sociais, Conceição compartilhou a novidade. “Junto à recepção calorosa que recebi na Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal, tive a grata surpresa de saber que o livro ‘Olhos D’água‘, de minha autoria, foi escolhido como a primeira obra para ocupar as prateleiras da Manifesto Library”, escreveu.

Esta é a primeira extensão física do Service95 Book Club, clube do livro digital mantido por Dua Lipa. A biblioteca é inteiramente dedicada a livros banidos, censurados ou proibidos ao redor do mundo, com o objetivo de promover a liberdade de expressão. São cerca de 100 títulos organizados em quatro eixos temáticos: Poder, Controle, Voz e Memória. O acervo também incluirá obras como O Conto da Aia, de Margaret Atwood, e Felon, de Reginald Dwayne Betts.

“É um santuário para livros que desapareceram, para autores cuja coragem desmascara estruturas de poder e controle, e para leitores que se recusam a aceitar que lhes digam qual livro podem ler”, declarou a artista sobre o projeto.

Do que se trata Olhos D’água?

Em Olhos D’água, Conceição Evaristo aborda a pobreza e a violência urbana que acometem a população afro-brasileira. Segundo a sinopse, a coletânea de 15 contos atravessa “uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida?” Os personagens são evocados “em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição”.

Nascida em Belo Horizonte, Evaristo é mestra em literatura brasileira pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), onde defendeu a dissertação “Literatura Negra: Uma Poética de Nossa Afro-brasilidade”. Ela assumiu, em 2024, a cadeira de número 40 na Academia Mineira de Letras.

Com obras traduzidas para diversos idiomas, Evaristo revolucionou a literatura afro-brasileira ao criar o conceito de “escrevivência” — conceito que defende uma mistura das experiências pessoas e ancestrais na literatura.

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