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Música

Alceu Valença diz não ouvir música e explica o motivo

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Um dos maiores ícones da MPB, o pernambucano Alceu Valença surpreendeu o público ao revelar um hábito inusitado: ele não costuma ouvir música em seu tempo livre. Nem mesmo seus próprios discos e composições.

A declaração foi feita em entrevista recente a Danilo Casaletti, do jornal Estadão. Para o criador de clássicos como “Anunciação”, “Tropicana” e “Girassol”, o silêncio e a observação do cotidiano são mais valiosos que o consumo aleatório de canções.

A justificativa para esse comportamento remete à sua formação em São Bento do Una e Recife. Valença cresceu em uma casa onde a música não era incentivada. Seu pai não queria que o filho seguisse a carreira artística, desejando que ele se dedicasse ao Direito — profissão na qual Alceu chegou a se formar, embora nunca tenha exercido.

Como consequência, o hábito de ligar um rádio para ouvir música, segundo ele, nunca se estabeleceu. Alceu explica:

“Não ouço música. Isso porque meu pai não tinha radiola lá em casa. Ele não queria que eu fosse artista. Minha mulher me deu uma gramophone. Nunca ouvi nada nele. Nem meus próprios discos.”

Alceu Valença acrescenta, poético, sobre o hábito de não parar para ouvir música:

“Quando as plataformas digitais chegaram, comecei a ouvir minhas músicas. Mas, depois, ficou cansativo ouvir sempre a mesma coisa. Não quero não. Prefiro caminhar e ouvir minhas passadas. Acho lindo o som de quando eu chuto uma folha.”

Prestes a completar 80 anos em julho, Alceu Valença está na estrada com a turnê 80 Girassóis e tem datas marcadas em Brasília, Recife, Fortaleza, Belém e Belo Horizonte entre maio e junho.

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Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.

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