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Chico César Lança ‘Fofo’: Diálogo com a Juventude em Voz, Violão e Experimentalismo

Chico César apresenta ao público 'Fofo', seu novo álbum autoral com 16 canções. O trabalho, lançado em 1º de maio, marca o retorno do artista com um disco predominantemente acústico, explorando composições de sua fase juvenil, criadas entre os 17 e 20 anos, período em que residiu em João Pessoa (PB) antes de se mudar para São Paulo (SP).
Revisitando as Raízes Musicais
Gravado no formato de voz e violão, 'Fofo' resgata a essência do álbum de estreia de Chico, 'Aos Vivos' (1995), que consolidou sua obra autoral na música brasileira. A maioria das faixas é inédita em disco, permitindo que o artista explore e 'adense' essas criações iniciais. Embora o repertório se concentre no passado, o álbum também inclui algumas composições mais recentes, como 'Ligue o foda-se' (2023).
Experimentalismo e Parcerias Antigas
Para enriquecer a matéria-prima de juventude, Chico César imprime uma dose de experimentalismo em 'Fofo'. Esse aspecto é notável em músicas como '9 linhas 22 toques corpo à escolha do diagramador' e 'A verdadeira história do Cavaleiro da fome contra o Dragão hipnótico', frutos de parcerias com Pedro Osmar e Paulo Ró, membros fundadores do grupo paraibano Jaguaribe Carne, do qual Chico fez parte antes de migrar para o Sudeste do Brasil.
Diversidade Sonora e Temática
O cancioneiro de 'Fofo', mesmo embrionário, já delineava as múltiplas fontes da música de Chico. 'Saudade senhora dona' evoca a memória dos cantadores nordestinos, com referências a aboios e galopes, enquanto 'Lençóis maranhenses' se inclina para a canção de amor, explorando a 'movediça areia do amor nonsense'.
A faixa 'Esclaridão' destaca-se pela ambição e ares eruditos, com um toque de violão que remete ao lirismo de Heitor Villa-Lobos. Subintitulada 'Suíte libertária em três movimentos', a canção de quase sete minutos menciona danças e ritmos de Catolé do Rocha (PB), cidade natal do artista.
O álbum é introduzido pela vinheta 'Hino da coroação', de letra concisa e concretista. Outras faixas incluem 'Com a licença da palavra' e 'Snif snif', uma canção pueril sobre a tristeza.
Conexões e Referências
'Eu mais ela' ganhou destaque ao ser apresentada por Maria Bethânia em um show comemorativo, embora não tenha sido gravada pela cantora. Já 'Quedar-me' evoca nuances de Caetano Veloso, artista com quem Chico César foi comparado no início de sua projeção nacional.
A canção-título 'Fofo', de safra recente, conta com a coautoria da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, em virtude de uma citação do livro 'Americanah' (2003) incorporada à letra: 'Eu não quero ser fofo, eu quero ser a porra do amor de sua vida'.
Em 'Profano', o álbum revela uma inquietude que ressoa com a alma ativista de Chico César. 'De ukelele para lua' traz um suingue febril, com o eu-lírico em uma atmosfera zen, perturbada por um pedido de selfie. O álbum encerra com 'Pobre Vila Rica', uma narrativa que harmoniza flashes do presente e do passado na voz e no violão do artista.
Fonte: https://g1.globo.com
