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Zeca Veloso Brilha no Show ‘Boas Novas’ Com Repertório Versátil e Presença Cênica

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Zeca Veloso estreou o show "Boas Novas" no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro, marcando a abertura da sétima edição do Queremos! Festival! O artista, conhecido por uma certa timidez, mostrou uma postura surpreendentemente solta e carismática, cativando a plateia com uma performance dinâmica e um repertório diversificado.

A Dinâmica da Performance e a Banda Completa

Superando as expectativas, Zeca Veloso exibiu uma presença de palco envolvente, com gestos e movimentações que adicionaram charme à apresentação. O show foi notável por ser o primeiro com uma big band, composta por talentosos músicos como Antonio Dal Bó (teclados), Diogo Gomes (trompete), Giordano Gasperin (baixo), Thomas Arres (bateria) e o diretor musical Lucca Noacco (guitarra).

A banda foi crucial para reproduzir o suingue de canções autorais como a baiana "Salvador", já insinuada como hit entre os ouvintes, e a carioca "Máquina do Rio", um pop-funk-samba que remete aos arranjos do mago Lincoln Olivetti. A performance vocal e composicional de Zeca, mais evidenciada que seu toque instrumental, demonstrou sua evolução artística e talento.

Da Herança Veloso à Consolidação Solo

O show celebrou a dinastia Veloso logo no início com "Peter Gast", uma canção do pai Caetano, utilizando o falsete que o popularizou no coletivo "Ofertório" em 2017 com a canção "Todo Homem". Sua carreira solo, impulsionada a partir de dezembro de 2023 com apresentações menores no Rio e em São Paulo, culminou no lançamento de seu primeiro álbum, "Boas Novas", em novembro de 2025.

Participações Especiais e Destaques do Álbum

A apresentação contou com participações surpresa: Xamã adicionou seu rap em "Máquina do Rio", e Dora Morelenbaum replicou no palco sua colaboração em "A Carta". Entre as faixas autorais do álbum, a balada bilíngue "Carolina" (Zeca Veloso, Sylvio Fraga e Tadeu Bijos) sobressaiu pela aura sacra do arranjo e pela profunda entrega vocal de Zeca Veloso.

Releituras e o Universo do Samba

O repertório se expandiu com releituras de clássicos, criando sagazes diálogos temáticos. "Não tem tradução" de Noel Rosa foi cantada após "Desenho de Animação", unindo canções separadas por quase um século, mas conectadas por letras sobre cinema e paixões. "Garota de Ipanema" de Tom Jobim e Vinicius de Moraes ganhou versos em inglês, e "Réu Confesso" de Tim Maia teve um arranjo que evocava o balanço da Banda Vitória Régia.

A inclusão de "Volta por Cima" de Paulo Vanzolini, uma escolha inusitada, destacou a profundidade do roteiro. Embora "O Sal Desse Chão" (com Xande de Pilares) e "O Sopro do Fole" (obra-prima comparada à gravação de Maria Bethânia) ainda busquem seu pleno ajuste ao vivo, o show consolidou Zeca Veloso como uma voz promissora e versátil na música brasileira, capaz de homenagear a tradição e firmar sua identidade autoral.

Fonte: https://g1.globo.com

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