Celebridade
Aos 28 anos, filha de Raul Gazolla celebra sucesso de monólogo após superar crise em família

Aos 28 anos, a atriz Milla Fernandez colhe os frutos de uma trajetória marcada pela ousadia e pela verdade. Em cartaz com o monólogo TIP – antes que me queimem eu mesma me atiro no fogo, ela transforma uma experiência íntima em potência artística. Durante o isolamento da pandemia, a artista encontrou no sexo virtual uma forma de sustentar sua família. Hoje, essa vivência serve de base para uma das peças mais comentadas da temporada. “Essa é nossa última semana em cartaz no Rio, de 2 a 5 de abril no Teatro TotalEnergies – sala Adolpho Bloch. E seguimos para temporada em cartaz em SP, de 1 a 31 de maio no Teatro Youtube – sala Eva Herz”, revela Milla com exclusividade.
O apoio de sua maior referência, o ator Raul Gazolla, foi fundamental nesse processo. Embora ele não seja seu pai biológico, foi ele quem a criou e a incentivou a seguir seus sonhos. Sobre a reação dele ao tema da peça, Milla é enfática: “O meu pai é de uma generosidade rara. Ele nunca tentou me impor um caminho. Sempre me incentivou a escrever a minha própria história”. Ela recorda que, ao ligar para ele tensa antes da estreia, ouviu palavras de puro acolhimento. “Minha filha, eu te amo. Tenho orgulho de você. Nada do que você disser vai mudar isso”, disse o veterano, que já assistiu ao espetáculo seis vezes.
A base emocional de Milla Fernandez está profundamente ligada à união de sua mãe, a profissional de saúde Fernanda Loureiro, com o ator Raul Gazolla. O casal oficializou o relacionamento em 2005, quando a atriz ainda era criança. Desde então, Gazolla assumiu a criação de Milla e de sua irmã, Luna, com total dedicação e afeto.
A resiliência por trás dos holofotes
A carreira de Milla Fernandez começou com o pé direito no cinema. Ela foi a protagonista do longa Christabel, trabalho que lhe rendeu a indicação a Melhor Atriz no CINE PE em 2018. Entretanto, o caminho nas artes é feito de muitos desafios. Segundo a atriz, os conselhos de seus pais foram vitais para que ela não desistisse após receber diversos “nãos” em testes para o audiovisual. “É duro quando o mundo parece fechar as portas. Mas pior é você, por medo, fechar a sua antes”, recorda ela sobre o que ouviu da família.
Para Raul Gazolla, acompanhar esse crescimento é motivo de uma emoção difícil de descrever. O ator define o orgulho de ver a filha ocupando o palco com um texto próprio como algo que “preenche e transborda”. Conforme explica o veterano, subir ao palco com uma obra autoral é um ato de coragem suprema. “Milla é uma filha impecável, mas, como artista, uma joia rara de se encontrar! Me emociono sempre que a vejo no palco”, afirma Gazolla. Para ele, sua trajetória no audiovisual ajudou a jovem a entender que a competência nem sempre garante o sucesso imediato, exigindo resiliência constante.
Conexões humanas na era virtual
A experiência no universo do sexo virtual trouxe para Milla uma nova camada de entendimento sobre a atuação. Segundo a atriz, o contato com os clientes revelou uma honestidade brutal disfarçada pelo anonimato. “Eu encontrava homens projetando em mim tudo o que faltava na vida deles e tudo o que gostariam de ser”, pontua a artista. Essa vivência internacional — já que ela divide sua rotina entre o Brasil e a Espanha — também influencia seu olhar. Para Milla, ver o mundo a fez enxergar melhor quem ela é: “A gente transforma instabilidade em potência”.
O trabalho de Milla como camgirl foi essencial para salvar a família de uma crise financeira severa durante a pandemia. Raul Gazolla destacou em entrevista que a atitude da enteada segurou a barra por quase dois anos. “Esse trabalho dela nos salvou”, contou o ator ao jornal O Globo.
A trajetória de Milla Fernandez na TV e no Cinema
A carreira de Milla Fernandez é construída com uma base técnica sólida e passagens por grandes produções nacionais. Formada pela Escola de Atores Wolf Maya e graduada em Artes Cênicas pela CAL, a atriz estreou no audiovisual com destaque absoluto. Em 2018, ela deu vida à protagonista do longa-metragem Christabel, dirigido por Alex Levy-Heller. Sua atuação na obra, inspirada no poema de Samuel Taylor Coleridge, rendeu a indicação ao prêmio de Melhor Atriz no festival CINE PE.
No mesmo ano, Milla conquistou um espaço concorrido na TV Globo. Ela integrou o elenco da novela das nove O Sétimo Guardião, interpretando a personagem Neide na fase jovem. Sob a direção de Allan Fiterman, a atriz mostrou versatilidade ao participar de uma trama de realismo fantástico em horário nobre. Além disso, ela foi selecionada para a prestigiada oficina de atores da emissora. Posteriormente, a artista foi dirigida por Duda Maia no espetáculo Agreste, de Newton Moreno, encenado dentro do próprio Projac.
Parcerias internacionais e cinema de autor
A experiência de Milla também se estende ao cinema experimental e parcerias de sucesso. Em 2021, ela atuou no filme Alice Mandou Um Beijo, sob a direção de Rodrigo Portella. O diretor, que é seu marido, é uma das figuras mais premiadas do teatro brasileiro contemporâneo. De acordo com a crítica especializada, o longa foi premiado como Melhor Filme, consolidando a atriz no circuito de festivais.
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