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Paula Santoro: Uma Celebração da Vida e da Música de Lô Borges e Milton Nascimento no Rio

O show "Tudo que você podia ser", apresentado por Paula Santoro no Acaso Cultural, Rio de Janeiro, em 28 de março, foi um marco de renovação. Em sua primeira aparição pública após superar um câncer, a cantora mineira, acompanhada pelo pianista Rafael Vernet, infundiu um profundo sentido de promessa de vida, ressoando o verso "Tenho muito o que viver" de "Travessia" (Milton Nascimento e Fernando Brant).
Repertório: Aprofundando no Legado Mineiro
Este espetáculo representa um desdobramento do trabalho anterior de Santoro, que focava nos compositores do Clube da Esquina. No roteiro atual, a cantora aprofunda-se exclusivamente nos cancioneiros de Milton Nascimento e Lô Borges, trazendo as composições solo de Lô como a grande novidade, explorando sua discografia de forma mais detalhada.
A Maestria Interpretativa de Paula Santoro
Dotada de uma técnica vocal exemplar, Paula Santoro demonstra habilidade notável em desbravar os caminhos harmônicos e por vezes intrincados da obra de Lô Borges. Isso foi evidente em "O Caçador", que, através dos versos de Márcio Borges, retrata a tensão do Brasil nos anos 70. Sua voz atingiu densidade notável em canções como "Léo" (Milton Nascimento e Chico Buarque) e "E daí?" (Milton Nascimento e Ruy Guerra), esta última um dos pontos altos do show. Em "Outubro", a cantora reiterou sua capacidade de valorizar músicas de arquitetura sofisticada, sempre com emoção e sem buscar mero virtuosismo.
Momentos de Delicadeza e Comunhão
A versatilidade de Santoro também brilhou em momentos de delicadeza, como ao envolver "A Via Láctea" – aclamada obra-prima solo de Lô Borges – e "Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor", uma composição melodiosa com alto poder de sedução. Desde "Ponta de Areia", o show foi regido por um clima de comunhão. A artista incentivou a participação do público em canções como "O Trem Azul", e "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo" transitou de um tom sereno para um suingue percussivo após o solo de Vernet, transformando o palco em um espaço de celebração coletiva da vida.
Entre sucessos e joias mais profundas do cancioneiro de Lô Borges, como "Tudo que você podia ser" e "Ela", Paula Santoro conduziu uma travessia musical com propriedade, fazendo de sua voz um instrumento de renovação e uma afirmação poderosa da vida após a superação da doença.
Fonte: https://g1.globo.com
