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Marina Lima Lança ‘Ópera Grunkie’, Álbum Íntimo Marcado pela Perda de Antonio Cicero

Aos 70 anos, Marina Lima apresenta seu 22º álbum de estúdio, 'Ópera Grunkie', um trabalho que reflete a efervescência artística da cantora e compositora. Lançado em 24 de março, o disco explora novas sonoridades e temáticas profundas, como a perda de seu irmão e parceiro de longa data, o poeta Antonio Cicero.
Uma Obra Experimental para a Tribo da Artista
Com uma cotação de ★ ★ 1/2, 'Ópera Grunkie' revela uma safra de músicas inéditas que por vezes assume um tom fragmentado, exemplificado pela melodia de "Olívia", faixa inicial que mescla reggaeton eletrônico com música ambiente. Embora algumas canções individualmente possam parecer aquém do histórico da artista, o álbum como um todo se destaca por capturar Marina Lima em um processo de ebulição criativa, fugindo do piloto automático e direcionando-se a um público que a acompanha fielmente.
A produção musical foi orquestrada pela própria Marina Lima, com a colaboração fundamental de Arthur Kunz e Edu Martins como coprodutores. O disco, gravado entre setembro e dezembro de 2025, é permeado por diálogos, ruídos, fragmentos e samples de vozes, como em "Collab Grunkie", e é estruturado em três atos que se interligam tematicamente.
O Luto e a Homenagem a Antonio Cicero no Primeiro Ato
O primeiro ato do álbum é visceralmente atravessado pelo luto de Marina Lima pela morte de seu irmão, Antonio Cicero, que faleceu há dois anos na Suíça por um procedimento de morte assistida. A dor da perda é poeticamente explorada em diversas faixas, conferindo uma profundidade emocional singular ao trabalho.
Expressões da Saudade e da Partida
Em "Grief-stricken", Marina canta versos de Antonio Patriota que evocam a angústia: “Aflito, enlutado, / Sob céus trovejantes você se aproxima / E então, deliberadamente, finge não vê-los chorar”. A sequência é complementada por "Perda", que encadeia vozes e poemas de Antonio Cicero sobre um arranjo concebido por Marina com Arthur Kunz. A emoção culmina em "Meu poeta", onde Marina celebra a modernidade e a nostalgia da parceria com o irmão, com versos como “Dosamos curvas e setas com nossas feições / Partimos como foguete rumo aos corações”.
Destaques e Colaborações Marcantes
Além das faixas que abordam o luto, 'Ópera Grunkie' apresenta momentos de inspiração e colaborações notáveis. "Só que não", parceria de Marina com Adriana Calcanhotto e Giovanni Bizzotto, destaca-se pelo tom quase solene e arranjos de cordas programadas. Já "Um dia na vida" é valorizada pela colaboração com Ana Frango Elétrico, que enriquece a faixa com um arranjo vocal hábil, harmonizando seu canto agudo com a voz rouca de Marina.
Alocado no segundo ato, "Samba pra diversidade" surge com uma sonoridade mais sedutora, embalado pelas percussões de Dominique Vieira e um vibrante coro. Quase ao final do álbum, Marina revisita "Chega pra mim", uma composição de 2015 de sua autoria com Márcio Tinoco, que ganha um revestimento levemente erudito com violoncelo e violinos, em sintonia com "Finale (Brahma Chopin)", que encerra o álbum em uma atmosfera eletrônica recorrente.
Veredito: Um Passo à Frente na Trajetória da Artista
Em sua totalidade, 'Ópera Grunkie' é mais interessante pela proposta e pela atitude de Marina Lima em dar um passo à frente, explorando novos caminhos sem recorrer a fórmulas de sucessos passados. Embora possa não cativar um público mais amplo de forma imediata, o álbum é um presente valioso para a “tribo” de Marina, que sempre celebra sua evolução artística e sua capacidade de se manter antenada às novas tendências.
Fonte: https://g1.globo.com
