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Quem é a Maria do “Banho-Maria”?
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Quase todo mundo já usou o banho-maria na cozinha, mas poucos param para pensar de onde veio esse nome. A técnica de aquecer algo dentro de um recipiente com água quente tem uma história muito mais antiga e intrigante do que parece. O nome não é aleatório nem uma brincadeira. Ele existe por causa de uma mulher real, que viveu há mais de dois mil anos e que, mesmo sendo quase desconhecida pelo grande público, deixou um legado que chegou até as panelas de hoje.
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Quem foi a tal Maria?
Maria, a Judia, como ficou conhecida, foi uma das primeiras mulheres a se dedicar ao estudo da alquimia, a prática ancestral que misturava experimentos químicos com simbolismo e misticismo. Ela teria vivido em Alexandria, no Egito, por volta do século I ao III da nossa era, numa época em que a cidade era um dos maiores centros de conhecimento do mundo antigo. Gregos, romanos e judeus conviviam ali, e o ambiente favorecia esse tipo de pesquisa que misturava ciência, filosofia e religião.
O problema é que nenhum dos textos escritos por ela sobreviveu em sua forma original. Tudo o que se sabe sobre Maria veio de outros alquimistas que a citaram depois, especialmente Zósimo de Panópolis, que escreveu no século IV e a chamava de “a divina Maria” e “uma das sábias”. Esse respeito todo deixa claro que ela era tratada como uma grande autoridade, mesmo que os detalhes da sua vida permaneçam um mistério.
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O que ela inventou, além do banho-maria?
Maria não inventou só o banho-maria. Ela é creditada por uma série de instrumentos usados em experimentos químicos, especialmente os que dependiam de controle de temperatura e vapor. Entre as invenções atribuídas a ela estão:
- O tribikos, uma espécie de alambique com três braços usado para purificar substâncias por destilação
- O kerotakis, um recipiente fechado que aquecia compostos e capturava seus vapores, com funcionamento parecido com o do banho-maria
- Técnicas de obtenção de compostos de enxofre e prata
Esses instrumentos foram tão importantes que influenciaram toda a tradição da química europeia que viria séculos depois. Maria também é apontada como possível descobridora do ácido clorídrico, embora esse ponto ainda seja debatido entre os historiadores.
Confira o vídeo do canal Pablo Jamilk explicando a origem do Banho-Maria:
E por que a técnica ficou com o nome dela?
O princípio do banho-maria é simples: em vez de colocar o alimento ou a substância diretamente no fogo, você aquece com a água ao redor, que nunca ultrapassa os 100 graus. Isso protege o conteúdo de temperaturas extremas e garante um aquecimento suave e uniforme. Maria usava exatamente esse princípio nos seus experimentos para evitar que reações bruscas destruíssem os materiais preciosos com os quais trabalhava.
O nome em latim, balneum Mariae, que significa literalmente “banho de Maria”, foi popularizado durante a Idade Média e chegou ao francês como bain-marie, palavra que o português transformou no “banho-maria” que conhecemos. Algumas teorias tentaram atribuir o nome à Virgem Maria ou até à rainha Maria Antonieta, mas a origem mais aceita e documentada aponta mesmo para a alquimista judia de Alexandria. Curioso pensar que toda vez que alguém derrete chocolate ou faz um pudim usando essa técnica, está, sem saber, prestando uma homenagem a uma mulher que existiu há mais de dois mil anos e que mudou a maneira de entender a química.
