Moda
Design ou armadilha? Entenda por que certas cadeiras são vetadas por seguradoras
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A história da chamada cadeira proibida mostra como um simples objeto de design pode ultrapassar o campo estético e entrar em debates sobre segurança, ergonomia e regulamentação estatal, especialmente quando certos modelos são considerados arriscados demais para uso diário em ambientes públicos.
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O que é a cadeira proibida e como ela se tornou um símbolo de risco?
Em muitos casos, esse rótulo surge após análises internas de empresas, pareceres de ergonomistas ou avaliações de risco feitas por gestores de espaços coletivos. Quando identificam problemas recorrentes de estabilidade ou conforto, esses profissionais passam a evitar determinados modelos em ambientes de grande circulação.
Em geral, são cadeiras com assentos muito inclinados, pés pouco estáveis, encosto inadequado ou materiais escorregadios, aumentando o risco de quedas. Parte da fama vem do contraste entre o prestígio estético e o risco apontado por especialistas, o que transforma essas peças em símbolos das tensões entre forma, função e responsabilidade.
Quais cadeiras ajudaram a consolidar o conceito de cadeira proibida?
Alguns episódios concretos reforçaram a percepção de que certos ícones de design funcionam melhor como peças de galeria do que como assentos de uso intenso. Entre eles está a cadeira Wiggle, criada por Frank Gehry em papelão ondulado, cuja construção exige controle rigoroso de carga, umidade e manuseio, sob pena de deformação ou ruptura.
Casos envolvendo cadeiras de acrílico transparente em áreas de espera de hotéis e museus europeus também alimentaram o debate. Em Milão, nos anos 2000, quedas de visitantes idosos em cadeiras com assento muito inclinado levaram a seguradora a recomendar a retirada imediata das peças, apelidadas pela imprensa de “as cadeiras proibidas do átrio”.
Por que alguns modelos de cadeira são considerados perigosos em ambientes coletivos?
As razões para classificar uma cadeira perigosa variam conforme legislação e normas técnicas de cada país, mas se concentram em riscos de queda, esforço excessivo para sentar e levantar e falhas estruturais sob peso ou movimento. Em contextos coletivos, como escolas, bibliotecas e recepções, esses fatores ganham ainda mais relevância, sobretudo para crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Especialistas em ergonomia e segurança destacam elementos recorrentes que aumentam a probabilidade de acidentes e desconforto, servindo de guia para gestores ao definir quais peças são adequadas para ambientes de grande circulação:
- Instabilidade estrutural: base estreita, centro de gravidade alto ou pés mal distribuídos favorecem tombos.
- Ergonomia inadequada: encosto curto, falta de apoio lombar e assento muito baixo ou inclinado geram dores.
- Materiais escorregadios: superfícies lisas aumentam o risco de deslizamento involuntário.
- Arestas e cantos vivos: bordas rígidas ampliam a chance de cortes e hematomas em impactos.
- Ausência de regulagem: cadeiras sem ajustes de altura ou inclinação não se adaptam a diferentes biotipos.
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Como normas e testes influenciam o equilíbrio entre arte, segurança e uso diário?
A discussão sobre a cadeira proibida está diretamente ligada a normas que regem o mobiliário em ambientes coletivos, com ensaios que verificam resistência mecânica, estabilidade e ergonomia. Na Europa, por exemplo, normas como a EN 1728 (resistência e durabilidade) e a EN 1022 (estabilidade) já levaram fabricantes a reforçar estruturas, alterar ângulos de assento e mudar materiais de contato.
Modelos renomados às vezes reprovam em simulações de uso intenso, sobretudo quando o usuário se inclina para trás ou apoia o peso em apenas duas pernas da cadeira. Esse cenário incentiva designers a envolver engenheiros e ergonomistas desde o início dos projetos, criando versões mais robustas para uso “contract” e reforçando a ideia de que inovação formal precisa conviver com responsabilidade técnica, bem-estar do usuário e conformidade regulatória.
