Música
The Hives fala à RS sobre novo álbum, Brasil, jovialidade e metal sueco

Em abril, todos os integrantes do The Hives estiveram no Brasil. Não havia show marcado, nem qualquer outro compromisso público informado. Naturalmente, foram recebidos pela Rolling Stone Brasil com a seguinte pergunta: “que p#rra vocês estão fazendo aqui, caras?”.
Com a naturalidade e eloquência de um vocalista que está acostumado a enlouquecer plateias no mundo todo, o vocalista Howlin’ Pelle Almqvist responde: “as pessoas estão até reclamando que demoramos demais para voltar”. Ele e os colegas — os guitarristas Nicholaus Arson e Vigilante Carlstroem, o baterista Chris Dangerous e o baixista The Johan and Only — estiveram aqui em outubro do ano passado, realizando o último show da turnê do álbum anterior, The Death of Randy Fitzsimmons (2023).
À época desta divertida entrevista concedida à Rolling Stone Brasil, o quinteto sueco notório por seu rock and roll ardido e de fácil assimilação sequer havia revelado que ainda voltariam, de novo, em fevereiro de 2026, para shows. Eles servirão como atração de abertura para o My Chemical Romance, no Allianz Parque, em São Paulo.
Mas o sétimo álbum de estúdio do grupo estava devidamente anunciado. Foram quatro longos meses até The Hives Forever Forever The Hives ser devidamente lançado. Chegou nesta sexta-feira, 29, e pode ser conferido em todas as plataformas digitais.
Confira abaixo um resumo do bate-papo com The Hives. A conversa completa está disponível no YouTube da Rolling Stone Brasil.
Rolling Stone Brasil entrevista The Hives
Sobre The Hives Forever Forever The Hives ter chegado a público dois anos após seu antecessor, The Death of Randy Fitzsimmons, representando o menor intervalo entre lançamentos de discos na carreira do grupo:
Howlin’ Pelle Almqvist: “Randy Fitzsimmons não está, mas talvez finalmente tenhamos descoberto como fazer isso mais rápido. E também achamos que seria legal acelerar, já que, antes de The Death of Randy Fizsimmons, ficamos 10 anos sem música nova. Meio que apenas nivelamos as lacunas em nossa discografia.”
As músicas do novo álbum que existiam desde antes do processo criativo dele:
Pelle: “Acho que a coisa mais antiga neste disco é o riff que começa uma música chamada ‘Roll Out The Red Carpet’. Isso é das sessões de Tyrannosaurus Hives (2004), 21 anos atrás. Há uma música chamada ‘Paint a Picture’ que tocamos ao vivo por muitos anos. Outra música chamada ‘Bad Call’, que tocamos numa versão talvez uma década atrás. Há algumas assim e outras totalmente novas.”
Sobre o novo álbum ser diferente ou uma extensão do último, musicalmente falando:
Pelle: “Acho que eles foram feitos para serem bem diferentes, mas não acho que tenham saído diferentes. Não podemos escapar de ser The Hives. É meio que, tipo… qual é o melhor jogador de futebol do Brasil hoje em dia? [Nota: o repórter cita Vini Jr] É como Vini Jr, é como se ele marcasse gols o tempo todo. Quando ele virá com algo novo? É mais ou menos assim com The Hives. Fazemos um rock realmente ótimo. [Aí perguntam:] ‘Quando eles vão inventar algo novo?’ Provavelmente não deveríamos, porque gostamos de vencer. Então, vamos continuar vencendo soando como The Hives.”
Sobre o desafio de se fazer um “álbum de 12 singles”, como prometido no comunicado oficial.
Nicholaus Arson: “Não para The Hives. Fazer um disco com 12 singles é fácil para nós neste momento. Se tivesse sido talvez dois ou três anos atrás, talvez tivesse sido difícil. Mas hoje em dia é mais fácil, pois finalmente descobrimos como fazer isso.”
Sobre o envolvimento de Mike D (Beastie Boys) como um dos produtores:
Pelle: “Estávamos pensando em quem tem os discos mais legais de todos os tempos. E a resposta é: Beastie Boys. Queríamos que nosso disco soasse legal, então ligamos para Mike D. Foi realmente incrível. Já toda a equipe que trabalhou no álbum era meio que a mesma desde 1997. Tipo, Pelle Gunnerfeldt, que produziu a maior parte dele, é o cara que produziu nosso primeiro álbum. Então isso foi tão familiar. Foi legal adicionar Mike D à mistura. Nós conversamos com os Beastie Boys em 2004, estivemos com eles no VMA e coisas assim. Mas sempre fomos fãs desde que éramos crianças.”
Sobre ter recebido uma “orientação” de Josh Homme (Queens of the Stone Age) durante o álbum e qual foi a maior contribuição do colega:
Chris Dangerous: “Foi mais uma coisa por telefone e e-mail. Pelle conversou bastante com ele. É um amigo nosso há muito tempo e é muito bom nessa coisa chamada rock. Então, perguntamos a Josh o que ele achou de algumas coisas. Mas ele não está no disco. Apenas deu um conselho amigável.”
Pelle: “[A maior contribuição foi sugerir] Que os backing vocals deveriam soar altos, mas distantes. Cortando o microfone, como os Beastie Boys.”
Sobre The Hives ainda ser tratado como uma banda nova, a ponto de eles próprios se definirem como “ainda sua nova banda favorita”:
Nicholaus: “É uma coisa boa. Somos tratados assim porque somos tão bons que as pessoas não conseguem acreditar que isso está acontecendo. Sempre acham que é uma coisa nova. E não é novo: um ótimo rock and roll é um ótimo rock and roll. E isso vai te atingir na cara, te deixar suado e o que mais vier de uma boa festa.”
Sobre a renovação do público do The Hives, já percebida pelos integrantes:
Pelle: “É tudo para nós. Todo ano precisamos ter uma nova geração de jovens de 15 anos conosco. É como se fôssemos vampiros. Isso nos mantém jovens. Acho que o rock and roll morre se não houver uma renovação do público. Vimos muitas das nossas bandas favoritas seguirem um caminho onde o público é composto das mesmas pessoas, mas cada vez menos delas, e elas estão cada vez menos animadas. Você não consegue sustentar sua carreira se isso acontecer. Então, temos muita sorte por termos um bom crescimento. Os únicos que tiveram várias gerações de fãs foram Bruce Springsteen e Iron Maiden, talvez. E, agora, nós.”
Sobre a conexão com o Brasil, onde já se apresentaram em 2008, 2013, 2014, 2023 e 2024:
Nicholaus: “Acho que a partir do segundo disco [Veni Vidi Vicious, 2000] recebemos e-mails de pessoas nos dizendo para virmos ao Brasil. Ouvimos rumores sobre sermos o número um nas paradas brasileiras de troca de fitas cassete ou o que quer que fosse. E foi bem no começo. Diziam: ‘vocês são muito populares no Brasil’, mas nós nunca tínhamos vindo. Talvez o bom rock and roll se conecte com os brasileiros.”
Sobre o fato de o gerente de redes sociais do The Hives ser uma espécie de “sexto membro”, tamanha a genialidade do trabalho executado:
Pelle: “Em parte, somos nós quem fazemos aquilo. É preciso improvisar, adaptar e superar. Tem gente conosco, mas nós também estamos bem envolvidos nisso. É meio divertido que antigamente, na ‘Idade Média’, quando formamos a banda, era impossível se comunicar com os fãs. E agora tem todas essas ferramentas.”
Sobre os integrantes gostarem de artistas e bandas da Suécia, lar do fenômeno Abba e de vários grupos de hard rock e heavy metal — e qual o favorito de cada um:
Pelle: “Sim, há muitas boas bandas. Somos, basicamente, o meio termo entre Entombed, Meshuggah, Abba e At the Gates. Entombed é minha favorita.”
Chris: “Refused.”
The Johan and Only: “The Soundtrack of Our Lives.”
Vigilante Carlstroem: “Entombed.”
Nicholaus: “Se estamos falando de heavy metal e hard rock, eu diria Entombed também.”
Sobre o 25º aniversário de Veni Vidi Vicious, álbum que apresentou ‘Hate to Say I Told You So’ e ‘Main Offender’ para o público, e como eles enxergam esse disco hoje:
Pelle: “Foi o álbum que começou tudo. Eu lembro que lançamos nosso primeiro disco, Barely Legal (1997), prensaram 500 cópias e estavam preocupados se iriam vender todos eles. Daí, fizeram 1,5 mil cópias de Veni, Vidi, Vicious. E acho que vendeu milhões. Não sabíamos se alguém iria gostar, mas colocamos tudo nosso ali. Esse disco é provavelmente a razão de estarmos aqui hoje. Foi ali que encontramos o que quer que nosso som ainda seja. Barely Legal é quase como aquela banda de flauta hippie esquisita em que Bon Scott estava antes de entrar para o AC/DC [nota: Fraternity].”
Entrevista completa no YouTube:
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